Como o domínio masculino no local de trabalho pode oprimir as mulheres
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Como o domínio masculino no local de trabalho pode oprimir as mulheres

Para muitas mulheres, o misógino no local de trabalho nem sempre se manifesta de forma alta ou óbvia; pode estar escondido em interrupções constantes, explicações do tipo 'mansplaining', 'conversas de brincadeira' sexistas, ignorar ideias e rotular como excessivamente exigentes se expressarem uma opinião.

O trabalho para muitas mulheres não é apenas cumprir tarefas, participar de reuniões e construir uma carreira. É também a necessidade de aprender a interagir com colegas homens que as interrompem, falam por cima das suas palavras, rejeitam as suas ideias ou fazem comentários que levam a duvidar da pertinência da sua declaração.

Durante o Mês da Mulher, essas experiências diárias servem como um lembrete importante de que o misógino no ambiente de trabalho nem sempre assume a forma de insulto explícito ou discriminação aberta.

Às vezes, é um homem que interrompe constantemente uma colega mulher em reuniões. É um colega homem que explica algo a uma mulher que possui maior qualificação. Também é uma mulher cuja ideia permanece sem atenção até que seja repetida por um colega homem, momento em que todos começam a ouvir.

Além disso, uma mulher pode aprender a escolher cuidadosamente as palavras, pois demonstrar assertividade pode rapidamente levar ao rótulo de 'arrogante', 'agressiva' ou 'complicada'.

Para algumas mulheres, lidar com esse comportamento torna-se uma parte exaustiva da vida profissional. Uma mulher pode chegar a uma reunião preparada, informada e confiante, mas descobrir que é forçada a lutar pelo direito de falar. Ela pode levantar uma questão e ouvir que está reagindo exageradamente. Ela pode contestar uma decisão e ser acusada de comportamento inadequado. Se ela recusar o comportamento impróprio, podem começar a descrevê-la como alguém que 'não sabe fazer piadas'.

O problema é que essas situações podem parecer insignificantes individualmente. No entanto, repetidas por meses e anos, elas têm um impacto profundo. As mulheres começam a duvidar das suas próprias capacidades, qualificações e voz. Algumas passam a falar menos nas reuniões, outras param de sugerir ideias, e outras evitam qualquer confronto, vendo o que acontece com as mulheres que desafiam as posições de colegas homens influentes ou complicados.

Para outras, a reação é uma determinação ainda maior. Elas aprendem a documentar conversas, defender os seus limites e garantir que a sua contribuição seja registada. Elas encontram colegas e mentores de apoio que lhes lembram que o problema não reside na sua personalidade, mas na cultura que as rodeia.

A complexidade é que as mulheres não devem ser forçadas a desenvolver estratégias de sobrevivência apenas para receber o mesmo respeito profissional que os seus colegas homens. O sexismo no local de trabalho também nem sempre é cometido por homens que se autodenominam misóginos. Pode existir em comportamentos aparentemente banais, como a presunção de que uma mulher fará anotações durante uma reunião, a expectativa de que as funcionárias organizarão eventos de escritório, a interrupção mais frequente de mulheres que questionam a sua autoridade, ou a expectativa de que elas realizarão o trabalho emocional e administrativo que não é exigido dos seus colegas homens.

Existe também a pressão de ter que ser agradável. Um homem que fala com firmeza pode ser visto como confiante. Uma mulher que faz o mesmo pode ser vista como complicada. Um homem que contesta a decisão do seu superior pode ser considerado ambicioso. Uma mulher que contesta a decisão do seu superior pode ser acusada de desrespeito.

Este duplo padrão força as mulheres a calcularem constantemente como devem comunicar: quão firme podem falar? Não serei rotulada como agressiva? Devo contestar ou é melhor ficar calada? Como isso afetará a minha carreira?

Estas são questões que nenhum funcionário deve fazer simplesmente por causa do seu género. O Mês da Mulher é uma oportunidade para celebrar as conquistas das mulheres, mas também uma chance de examinar os ambientes nos quais se espera sucesso das mulheres. Criar locais de trabalho verdadeiramente inclusivos exige mais do que apenas nomear mulheres para cargos de liderança ou realizar eventos em homenagem ao Mês da Mulher. Significa analisar a cultura de trabalho que permite que o comportamento sexista se torne a norma. Significa que os gestores devem repreender o comportamento inadequado, em vez de esperar que as mulheres o tolerem. Significa que os colegas homens devem tomar consciência dos momentos em que dominam as conversas, ignoram as vozes femininas ou ocupam espaço que deveria ser partilhado. E significa criar locais de trabalho onde uma mulher possa falar com firmeza, sem temer punição por ter uma opinião.

Para as mulheres que lidaram com o comportamento tóxico de homens durante anos, o objetivo não deve ser tornar-se melhores em sobreviver a essa situação. O objetivo deve ser criar locais de trabalho onde elas não precisem mais fazê-lo.

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