Governos de países da África Oriental e Austral estão em alerta diante dos avisos dos serviços meteorológicos sobre os esperados fenômenos climáticos extremos causados pelo forte padrão El Niño.
Na Quênia, autoridades estão se preparando para precipitações acima da média, o que pode potencialmente desencadear inundações repentinas e deslizamentos de terra em áreas vulneráveis. O El Niño é um ciclo climático natural que se repete aproximadamente a cada dois a sete anos e geralmente dura cerca de um ano.
O principal problema para a África Oriental reside nas chuvas torrenciais, inundações repentinas severas e deslizamentos de terra. A Quênia, sendo a maior economia da região, espera sofrer grande parte das consequências, já que mais de 1,5 milhão de pessoas podem ficar ameaçadas.
Em Nairóbi, o governo convocou um fórum nacional para se preparar para o pior cenário antes das esperadas chuvas do El Niño. Esta reunião visa mobilizar recursos e aumentar a conscientização antes da temporada de chuvas, que ocorre entre outubro e dezembro. As autoridades procuram antecipar a ameaça, que, segundo elas, pode sobrecarregar os sistemas de resposta a emergências em todo o país.
David Samoei, diretor do Centro Nacional de Resposta a Desastres, declarou: «Estamos falando de 1,5 milhão de pessoas que podem ser afetadas, 500.000 podem ser deslocadas, e deslizamentos de terra afetarão cerca de 450.000 pessoas.»
Estes avisos levaram as autoridades quenianas a intensificar a coordenação entre grupos nacionais e distritais de resposta a desastres. O objetivo é o pré-posicionamento de suprimentos essenciais, a identificação de zonas propensas a inundações e o aumento da conscientização pública antes do aumento das chuvas.
Enquanto a Quênia e grande parte da África Oriental se preparam para o excesso de precipitação, países como Namíbia, África do Sul, Malawi, Zimbábue, Zâmbia, Moçambique e Botswana estão se preparando para secas extremas e severas, colheitas fracassadas e escassez aguda de água.
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente também enfatizou a importância de tomar medidas antes da ocorrência de fenômenos climáticos extremos. Margaret Odud, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, observou: «A preparação deve ser baseada na ciência, e as ações devem preceder a emergência.»
Muitos governos em toda a África prometeram estar preparados para a próxima temporada. No entanto, para milhões de pessoas vivendo em áreas de alto risco — desde vales inundáveis na Quênia até terras agrícolas áridas na África do Sul — apenas promessas podem não ser suficientes.
As comunidades na linha de frente exigem ver ações concretas: verificação e garantia do funcionamento dos sistemas de alerta precoce, limpeza de rotas de evacuação, disponibilidade de estoques de ajuda e apoio a domicílios vulneráveis antes que ocorra o desastre, e não depois dele.
À medida que as chuvas de outubro a dezembro se aproximam, a atenção está cada vez mais focada em saber se a Quênia conseguirá transformar seus avisos e planos de contingência em ações oportunas antes da chegada das condições climáticas extremas.

