O Sol é responsável por aproximadamente 99,8% de toda a massa do Sistema Solar, embora alguns levantamentos da NASA indiquem um valor ligeiramente superior, chegando a 99,86%. Essa pequena variação se deve à dificuldade em determinar com exatidão a massa de poeira, cometas e asteroides menores. Consequentemente, resta menos de 0,2% para todos os demais componentes do sistema.
Este restante inclui os oito planetas, mais de 200 luas, milhões de asteroides e cometas, além de todo o gás e poeira dispersos entre eles. Deste pequeno percentual remanescente, Júpiter possui a maior parcela, correspondendo a cerca de 71% de tudo o que não é o Sol. Após Júpiter, Saturno ocupa a segunda posição, seguido por Netuno e Urano. Juntos, esses quatro planetas gigantes concentram quase toda a massa que não pertence ao Sol, enquanto os quatro planetas rochosos do sistema interno — Mercúrio, Vênus, Terra e Marte — representam uma fração muito pequena.
Para facilitar a compreensão dessa proporção, pode-se imaginar um pacote de um quilo de farinha simbolizando a massa total do Sistema Solar. Nesse cenário, o Sol ocuparia quase todo o pacote, pesando cerca de 998 gramas. Restaria um pouco mais de um grama de farinha para todos os outros elementos: os sete planetas restantes, todas as luas, asteroides, cometas e a poeira espalhada.
Deste grama residual, Júpiter sozinho consumiria quase todo o peso, uma porção considerável. Para os demais planetas, inclusive a Terra, restariam apenas vestígios mínimos; a Terra seria equivalente a menos de três miligramas de farinha, o que é inferior a um grão de sal fino.
Embora a comparação utilize valores arredondados, a proporção real é semelhante. Dados fornecidos pela NASA indicam que o Sol possui aproximadamente 333 mil vezes a massa da Terra e 1.047 vezes a massa de Júpiter. Já Júpiter, por sua vez, apresenta cerca de 318 vezes a massa terrestre.
A massa define a quantidade de matéria de um corpo celeste e, consequentemente, determina a intensidade da força gravitacional que ele exerce sobre seu entorno. Devido ao fato de o Sol concentrar quase toda a massa do sistema, sua atração gravitacional domina todos os outros corpos. É essa força que faz com que os planetas girem em órbita ao redor do Sol, independentemente da vasta distância que os separa.
Este princípio físico deriva da lei da gravitação universal, formulada por Isaac Newton no século XVII e posteriormente aprimorada por Albert Einstein através da teoria da relatividade geral, dois séculos depois. É um consenso científico que quanto maior for a disparidade de massa entre dois objetos, mais o corpo menor estará sujeito à órbita do maior.
Essa distribuição de massa também explica a gênese do próprio Sistema Solar, ocorrida há 4,6 bilhões de anos. Quando a nuvem inicial de gás e poeira que originou tudo sofreu um colapso sob a influência da própria gravidade, a maior parte desse material se acumulou no centro, dando origem ao Sol. Os planetas surgiram posteriormente, a partir dos materiais que permaneceram em órbita.
No Brasil, o Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), localizado em Itajubá (MG), realizou a construção de um modelo físico dessa grande desproporção. Em 2013, a instituição distribuiu pela cidade um modelo em escala do Sistema Solar, onde o Sol foi representado por uma esfera de 1,5 metro de diâmetro no campus da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), e Netuno foi posicionado a cinco quilômetros de distância.
Este modelo serve para ilustrar as distâncias, mas se fosse construído em escala de massa, o Sol teria um peso de toneladas, e todos os planetas juntos não ultrapassariam um punhado de areia. Ao observar o pôr do Sol, é importante lembrar que aquele disco luminoso representa, isoladamente, quase todo o material existente entre a Terra e a órbita de Netuno.
