Irão classifica nova operação econômica dos EUA como 'assédio sistemático'
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Irão classifica nova operação econômica dos EUA como 'assédio sistemático'

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghaei, manifestou na rede social X que a imposição de sanções por parte dos EUA, que obriga bancos, empresas, portos e governos a escolher entre seguir os desejos de Washington ou sofrer retaliação americana, transcende os limites do Irão.

Baghaei criticou a operação de estrangulamento comercial, divulgada na segunda-feira pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, alegando que ela visa destruir princípios básicos do direito internacional e da Carta das Nações Unidas, como o respeito à igualdade soberana e à autodeterminação de todos os Estados.

O porta-voz da diplomacia de Teerão alertou que nenhum Estado que valorize sua soberania e interesses nacionais estaria disposto a aceitar essa 'normalização dessa anarquia em grande escala e esse assédio sistemático'. Ele também mencionou que o Canadá estaria 'aprendendo essa lição' no contexto da guerra comercial com os Estados Unidos.

Antes do anúncio das sanções, o Irão havia declarado que consideraria inimigo qualquer país que colaborasse na 'guerra econômica' dos Estados Unidos.

O Catar, parceiro estratégico dos Estados Unidos no Golfo Pérsico, recusou-se a aderir ao novo pacote de sanções, defendendo que as partes envolvidas devem retomar o diálogo para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros qatari, Majid al-Ansari, afirmou em coletiva de imprensa semanal que as sanções são unilaterais e não decisões da ONU, enfatizando que a prioridade do Catar é o retorno às negociações para solucionar a crise.

Al-Ansari informou que seu país mantém contato com outros mediadores, como o Paquistão, para encorajar o diálogo, embora não tivesse novidades para compartilhar. Ele reforçou que o Catar deseja a normalização da navegação no Estreito de Ormuz, garantindo a segurança energética e as cadeias de suprimentos, o que exige uma solução diplomática benéfica para todos, inclusive o povo iraniano.

Outros aliados dos EUA no Golfo Pérsico, como os Emirados Árabes Unidos, implementaram medidas econômicas contra o Irão. Em 19 de agosto, os Emirados suspenderam indefinidamente todas as relações comerciais, trocas e transações financeiras com a República Islâmica.

As autoridades dos Emirados declararam que o Irão precisa buscar uma resolução política com vizinhos, ressaltando que a estratégia de atacar a região em retaliação à ofensiva lançada por Estados Unidos e Israel há quase seis meses 'falhou o alvo'.

Anwar Gargash, conselheiro presidencial dos Emirados, via essa tática como uma 'decisão estratégica desastrosa' que 'agravou a situação de Teerão' e aumentou seu isolamento. Ele argumentou que a saída para a guerra não está em atacar os Estados árabes do Golfo, mas sim em cooperar com eles para facilitar a distensão e buscar uma solução política.

Washington e Teerão haviam assinado um memorando de entendimento em 17 de junho, que previa um cessar-fogo imediato e 60 dias de negociações para um acordo de paz definitivo, prazo que já expirou. Contudo, os confrontos recomeçaram logo após a assinatura do memorando, levando o Irão a restabelecer as restrições à navegação comercial no Estreito de Ormuz – rota por onde transitavam 20% dos bens petrolíferos mundiais antes do início da guerra –, enquanto os Estados Unidos retomaram o bloqueio naval nos portos iranianos.

Simultaneamente, Irã e Omã, países vizinhos em ambas as margens do estreito, têm debatido há semanas a gestão futura dessa passagem, em um acordo paralelo ao processo de diálogo entre Washington e Teerão.

Badr al-Busaidi, ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, expressou esperança de que em breve seja anunciado um corredor marítimo temporário no Estreito de Ormuz, após reunião com seu homólogo iraniano em Teerão. Em comunicado, o chefe da diplomacia de Mascate afirmou que espera anunciar um corredor temporário e medidas práticas para restaurar a segurança da navegação, ressaltando que qualquer 'solução permanente' deve se basear no memorando de entendimento de junho.

As negociações prosseguirão para estabelecer um corredor permanente, definir a gestão futura do estreito e criar um mecanismo para 'fornecer os serviços de navegação e segurança necessários', conforme divulgado pelas autoridades de Mascate. Irã e Omã também destacaram a importância de manter conversas conjuntas com outros Estados costeiros do Golfo.

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