Um em cada três usuários de chatbots de inteligência artificial já compartilhou com essas ferramentas informações íntimas que jamais revelou a amigos, familiares ou profissionais de saúde. Este achado faz parte de uma investigação inédita divulgada nesta terça-feira, dia 25 de agosto, pela DuckDuckGo, empresa responsável pelo navegador de mesmo nome.
O levantamento teve como objetivo analisar como as pessoas gerenciam sua privacidade ao interagir com IAs nos Estados Unidos. Os resultados indicam que grande parte dos usuários deposita confiança nos chatbots, acreditando que suas conversas são mantidas em total sigilo. Entre os entusiastas dessa tecnologia, o índice de quem já compartilhou tais informações atinge 56%.
A pesquisa aponta que fatores como a dinâmica familiar e a rotina diária influenciam diretamente o grau de confiança concedido à tecnologia. Por exemplo, pais ou responsáveis que moram com filhos demonstram confiar na inteligência artificial quase duas vezes mais do que aqueles que vivem sozinhos na mesma residência.
Dentre os usuários de IA que são pais, 43% admitiram já ter contado a um chatbot algo que não compartilhariam com ninguém mais, incluindo cônjuges, filhos, médicos ou terapeutas. Em contraste, este percentual cai para 25% entre os indivíduos que não têm crianças em casa. Segundo o estudo, essa disparidade se deve às próprias dificuldades inerentes à criação dos filhos, onde dúvidas, inseguranças e pressões cotidianas motivam muitos responsáveis a buscarem orientação sem receio de ser julgados. As empresas de tecnologia, inclusive, aproveitam essa conjuntura em suas campanhas publicitárias, promovendo os chatbots de IA como um espaço seguro para desabafos e aconselhamento.
Adicionalmente, o estudo expõe que a maioria dos usuários desconhece o destino final de seus dados. Em serviços tradicionais, as interações nem sempre permanecem privadas; elas são automaticamente associadas aos perfis dos usuários, armazenadas em servidores de terceiros e utilizadas como base de dados para o treinamento de novos modelos de linguagem, a menos que o usuário desative essa funcionalidade.
Os dados detalham diversos pontos cegos do público, como o acesso de empregadores a contas corporativas, o fato de que contas gratuitas possuem normas de segurança menos rigorosas que as pagas, e a possibilidade de funcionários humanos das empresas de tecnologia lerem as transcrições para fins de revisão. Quando os usuários são informados sobre o funcionamento real do setor, a insatisfação é imediata. A pesquisa registrou que 58% das pessoas manifestaram desconforto com o uso de seus diálogos para treinar algoritmos, sendo que 30% classificaram esse sentimento como «muito desconfortável». Preocupações adicionais são reforçadas por incidentes de vazamento de dados já ocorridos no setor, que expuseram históricos de conversas.
A coleta de dados foi realizada pela DuckDuckGo entre 17 e 27 de junho de 2026, utilizando uma amostra online composta por 1.944 adultos residentes nos Estados Unidos.
