Existe um planeta conhecido como HD 189733b, que é um gigante gasoso ligeiramente maior que Júpiter e orbita outra estrela fora do nosso sistema solar. Este planeta possui uma atmosfera contendo partículas de silicato — um mineral encontrado na areia e no vidro. Estas partículas condensam-se em gotas fundidas.
Ventos fortes, atingindo milhares de quilômetros por hora, empurram estas gotas horizontalmente, criando um efeito de chuva de vidro que não cai diretamente para baixo. O planeta está localizado a cerca de 64 anos-luz da Terra, na constelação do Raposo. A luz que nos alcançou hoje deixou esta região por volta de 1962.
O planeta foi descoberto em 2005 por uma equipe francesa. Ele orbita muito perto de sua estrela, completando uma órbita em apenas 2,2 dias terrestres, e sempre tem um lado voltado para o sol local, semelhante à Lua e à Terra. Silicato é um grupo de minerais que forma uma parte significativa da crosta terrestre, desde quartzo a rochas de profundidade oceânica. Na atmosfera de HD 189733b, a temperatura excede 1000 °C, o que é suficiente para vaporizar este material.
Quando o gás sobe para as camadas superiores mais frias, ele condensa-se em partículas sólidas, pequenos fragmentos de vidro. É este aerossol que confere ao planeta sua cor azul-cobalto, registrada pelo Telescópio Hubble em 2013, tornando-se o primeiro caso de medição direta da cor de um exoplaneta por astrônomos.
Um mapa térmico obtido pelo Telescópio Espacial Spitzer da NASA mostrou que a diferença de temperatura entre o lado diurno e o lado noturno do planeta atinge 260 °C. Esta variação gera ventos estimados em até 8700 km/h, o que corresponde a cerca de sete vezes a velocidade do som na Terra, suficiente para arrastar o material em direção horizontal.
É importante distinguir medições reais de reconstruções. A composição da atmosfera e a velocidade do vento são baseadas em dados reais. No entanto, o cenário de 'chuva de vidro' caindo para baixo é apenas uma hipótese feita com base nesses dados, pois nenhum telescópio registrou gotas caindo devido à impossibilidade de fotografar tal planeta distante com tecnologias modernas.
