Nesta semana ocorrerá o último eclipse de 2026, caracterizado como um evento lunar parcial. Este fenômeno deve atrair muita atenção devido ao alto grau de escuridão que cobrirá a superfície lunar, podendo assumir tons escuros, variando entre marrom e vermelho-acobreado, simulando quase um eclipse lunar total.
O espetáculo está programado para começar na noite de quinta-feira (27) e se estender até o início da madrugada de sexta-feira (28). De acordo com a plataforma Starwalk.space, a cobertura do disco lunar excederá 96%, sendo que medições técnicas indicam uma magnitude de 0,93. Essa diferença percentual é atribuída a métodos distintos de cálculo.
Enquanto o índice de 96% representa a proporção total da superfície lunar sob a sombra, o valor de 93% mede a área afetada ao cruzar o diâmetro da Lua em linha reta. Ambas as estatísticas confirmam que quase toda a esfera celeste estará obscurecida pela sombra terrestre, embora o evento não seja classificado como uma 'Lua de Sangue' por não ser total.
Uma fina faixa do disco lunar permanecerá iluminada pelo Sol. Contudo, a observação visual proporcionará uma experiência muito semelhante à de um eclipse lunar total. Para os moradores do Brasil, a situação é favorável, pois o país estará em uma posição ideal para acompanhar todo o evento do começo ao fim.
Em praticamente todas as regiões brasileiras, a Lua estará em um ponto muito alto no céu, facilitando a observação a olho nu sem obstruções horizontais. A elevação lunar varia entre 59 e 85 graus sobre o solo nas capitais. Nas áreas Norte, Nordeste e Centro-Oeste, o astro estará próximo ao ápice celeste durante a madrugada, enquanto no Sudeste e Sul, recomenda-se olhar para o norte para localizar o satélite brilhante e elevado.
A coloração avermelhada da Lua é explicada pela atmosfera terrestre. Quando a luz solar atravessa as camadas de ar, a luz azul se dispersa em diversas direções. As ondas de luz vermelha e alaranjada, por outro lado, sofrem um leve desvio de trajetória, permitindo que cheguem à superfície lunar oculta pela sombra da Terra. Este mecanismo é idêntico ao que torna o pôr do sol avermelhado.
A intensidade dessa cor pode mudar durante a madrugada de observação, sendo influenciada por fatores atmosféricos como poeira, poluição, umidade e fumaça. Um ar mais limpo resultará em uma tonalidade avermelhada mais nítida e agradável.
Detalhes do cronograma do eclipse
Considerando o horário de Brasília, a fase penumbral discreta começará às 22h23 de quinta-feira, seguida pela fase parcial mais definida por volta das 23h33. O pico de escuridão no céu ocorrerá à 1h12 da madrugada de sexta-feira. A fase parcial principal terminará completamente por volta das 2h52, e a penumbral cessará pouco após as 4h da manhã.
Ao contrário dos eclipses solares, observar um eclipse lunar não apresenta riscos à saúde ocular; não são necessários óculos com filtros especiais ou equipamentos avançados. O uso de binóculos ou pequenos telescópios pode enriquecer a experiência familiar, auxiliando na visualização das crateras e no avanço gradual da sombra sobre o relevo.
Embora a poluição luminosa das grandes cidades não impeça a visualização do astro, quem pretende fotografar o momento obterá melhores resultados em locais mais distantes e escuros. O único elemento imprevisível que pode prejudicar a observação pública é a instabilidade climática, como nuvens pesadas, névoa densa ou chuva, que podem ocultar o céu durante a madrugada.
