Bancos, empresas de tecnologia, especialistas e fintechs estiveram reunidos no Febraban Tech 2026 para discutir a transformação digital no setor de serviços financeiros. O evento ocorreu no Distrito Anhembi, em São Paulo (SP), e foi organizado pela entidade que representa os bancos no Brasil, acontecendo de segunda-feira (24) a quarta-feira (26).
A inteligência artificial (IA) foi um tema central nas discussões, embora outros assuntos importantes como Pix, Open Finance e prevenção a fraudes também tenham sido abordados. Em um painel realizado no primeiro dia, CEOs de instituições como Bradesco, BTG Pactual, Itaú Unibanco, Nubank e Santander (Brasil), juntamente com o presidente da Caixa Econômica Federal, debateram os limites que a IA deve respeitar nas operações bancárias brasileiras.
Atualmente, o debate não é sobre a adoção da tecnologia, pois ela já está implementada. O foco agora reside em estabelecer os limites éticos e operacionais da máquina, tanto nos fluxos internos das instituições quanto nas interações com os clientes, como atendimento e serviços.
Exemplos de uso incluem o Nubank, que emprega IA preditiva para análises de crédito e IA generativa em marketing e desenvolvimento. A Caixa Econômica Federal utiliza IA em processos de atendimento interno e onboarding, auxiliando na redução de gargalos na concessão de crédito, conforme relatado pelo presidente da instituição, Carlos Vieira.
Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual, afirmou que a IA é aplicada em todas as áreas de negócio, abrangendo desde a tomada de decisões, que possui riscos inerentes, até a melhoria da experiência do cliente.
Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, destacou que, embora a IA permita um conhecimento mais profundo dos clientes, isso não justifica o uso indiscriminado das informações coletadas nas interações. Ele apontou três desafios cruciais: determinar quais dados podem ser combinados, quais ofertas são apropriadas e qual nível de conforto o cliente tem com o grau de conhecimento do banco sobre ele.
Geraldo Guazzelli, diretor-geral da Netscout Brasil, comentou que, apesar da rápida implementação da IA pelas instituições financeiras, a eficácia dos resultados depende fundamentalmente da qualidade e do contexto dos dados fornecidos à tecnologia. A Netscout Brasil, especializada em software e hardware corporativo, também participou do evento.
Os executivos enfatizaram que o avanço da IA não anula a importância dos profissionais humanos para interpretar resultados, questionar recomendações e compreender o contexto das situações. Marcelo Noronha, CEO do Bradesco, ressaltou que o futuro bancário será mais automatizado, mas manterá um caráter mais humano nas decisões críticas.
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central (BC), também esteve presente no Febraban Tech 2026. Durante sua palestra de abertura, ele abordou o Pix, alertando que ele é por vezes alvo de notícias falsas. Essa fala ocorreu após a circulação de rumores sobre o BC estudar uma trava de 72 horas para transações Pix suspeitas.
Galípolo aconselhou o público a desconfiar de reportagens que utilizam termos como «BC estuda», «prevê» ou «considera», reforçando que a autarquia se comunica apenas através de seus diretores e presidente. Ele orientou que qualquer dúvida sobre o Pix deve ser verificada diretamente no site do BC, afirmando que o BC do Brasil é um dos mais transparentes globalmente.
A Samsung também manteve um estande no evento, exibindo dispositivos móveis e telas úteis ao ambiente corporativo-financeiro. O estande apresentou cenários simulados de rotina bancária, como agência e sala de controle, exibindo produtos como monitores Odyssey e Galaxy Z Fold 8. Kauê Melo, Diretor Sênior de B2B da Samsung, declarou que o objetivo da participação era demonstrar a amplitude do portfólio da Samsung e como seus produtos podem auxiliar o setor financeiro.
