A Casa Verde, um projeto arquitetônico desenvolvido pela equipe M2 Senos Arquitectos, está localizada na Costa Nova do Prado, uma praia situada na costa atlântica de Portugal. Esta região é conhecida pelos seus «palheiros», estruturas que originalmente serviam como armazéns para a atividade pesqueira e que, ao longo das gerações, foram transformadas em casas coloridas com listras, atraindo visitantes durante o verão.
A residência unifamiliar foi concebida em um terreno urbano adjacente às dunas da praia, onde a vegetação oferece proteção contra os ventos vindos do norte e contra as ondas agitadas do Oceano Atlântico. O local possui uma paisagem singular, situada entre a ria e o mar, estando sujeito a variações climáticas, alternando entre os dias claros e ensolarados do verão e as condições mais severas do inverno.
Embora o projeto busque uma estética contemporânea utilizando materiais atuais, ele evita imitar artificialmente os detalhes construtivos em madeira típicos das construções tradicionais vernaculares. No entanto, a observação desses modelos tradicionais influenciou certas escolhas de design.
O volume da casa adota uma configuração simples e compacta, com uma geometria definida, reinterpretando o modelo tradicional dos palheiros, especialmente na sua cobertura de duas águas. Mesmo possuindo aberturas maiores, estas são sempre protegidas e direcionadas para varandas ou para a área externa, minimizando sua visibilidade na rua. Essa abordagem confere ao conjunto um aspecto robusto e sóbrio, ao mesmo tempo que assegura a privacidade do interior e realça a paisagem circundante.
Tradicionalmente, os palheiros eram erguidos acima do nível do solo devido à natureza arenosa dos terrenos e ao risco de inundações. Na Casa Verde, esse conceito não é replicado literalmente, mas sim reinterpretado pelo uso de um revestimento total em betão no piso térreo, que funciona como uma base substancial, elevando simbolicamente o arquétipo «verde» acima do chão.
Para intensificar seu caráter abstrato, os acabamentos externos também são feitos em betão. O piso térreo é concebido como uma espécie de ausência. A cor, assim como a cobertura em zinco no mesmo tom, desempenha um papel proeminente na composição. Duas mansardas funcionam como binóculos, emoldurando a paisagem ao redor. Além disso, a tonalidade selecionada permite que o volume se harmonize com a vegetação das dunas, integrando-se ao ambiente natural.
Os espaços internos são notavelmente minimalistas, contrastando com a intensidade do ambiente externo. Foi feita uma escolha pela utilização extensiva da cor branca — aplicada em pisos, marcenaria e móveis — sendo interrompida apenas pelos tetos de betão provenientes das lajes maciças.
Na área externa, voltada para o sul e para o casario, a piscina quadrada reflete a cor verde das dunas. Ela é complementada por elementos vegetais para compensar o quadrante menos favorecido do ponto de vista paisagístico, mas beneficia-se de maior proteção contra os ventos predominantes do norte e de melhor incidência solar.
Em suma, o projeto apresenta uma moradia-abrigo de caráter atemporal e discreto, que incorpora uma essência vernácula sem restrições estilísticas. Ele abriga a vivacidade dos dias quentes de verão, ao mesmo tempo em que se insere na paisagem como uma extensão do cordão dunar.
