As remessas de dinheiro para o Uzbequistão podem atingir US$ 20 bilhões até 2027, um valor superior aos aproximadamente US$ 15 bilhões registrados no ano passado. Este crescimento deve-se ao fato de que as plataformas digitais estão substituindo cada vez mais os agências bancárias tradicionais e os pontos de câmbio.
A transição para o uso de aplicativos móveis e carteiras eletrônicas foi um tema central no Fórum de Finanças e Tecnologia da Rota da Seda, realizado em Tashkent em 24 de agosto de 2026. De acordo com os dados apresentados na sessão do painel, as transferências transfronteiriças entre pessoas físicas representam atualmente quase 40% do volume total de remessas para o Uzbequistão.
Segundo Prajit Nanu, cofundador e CEO da empresa global de pagamentos Nium, o volume anual total de remessas em toda a região da Ásia Central é de cerca de US$ 33 bilhões.
As remessas de dinheiro desempenham um papel vital no apoio às economias da Ásia Central. No Uzbequistão, as remessas de migrantes correspondem a cerca de 15% do PIB, em Quirguistão, 17,6%, e em Tajiquistão, 46%.
O CEO da Paynet, Anvar Isamukhamedov, observou que os métodos de recebimento em dinheiro estão gradualmente cedendo lugar às transferências por aplicativos. Ele enfatizou que as carteiras eletrônicas são uma alternativa acessível e economicamente vantajosa às transferências tradicionais entre contas para pequenas empresas e autônomos.
Para expandir o alcance internacional, o sistema de cartões nacional do Uzbequistão, Humo, foi desenvolvido como um potencial ator regional. Alexey Maslov, consultor do presidente do conselho de administração da Humo, informou que o sistema emite cartões com dupla marcação Visa, funciona tanto nos mercados interno quanto internacional e colabora com sistemas vizinhos, como o Elcart do Quirguistão e o sistema de pagamento do Cazaquistão, além do Alipay, permitindo aceitação de cartões em mais de 50 países.
Jamshid Usmanov, diretor do Departamento de Sistemas de Pagamento do Banco Central do Uzbequistão, afirmou que o principal obstáculo nos pagamentos transfronteiriços é a necessidade de cumprir múltiplas jurisdições, regras de combate à lavagem de dinheiro e verificações de bancos correspondentes. O regulador busca simplificar as transferências transfronteiriças através da unificação de padrões de dados, como códigos QR, e promovendo a interação direta dos sistemas na região.
Líderes industriais internacionais, incluindo Ari Sarker, ex-presidente da Mastercard na Ásia-Pacífico, Arif Khan, especialista em inovação da Razorpay, e David Kleiman, CEO da Klearium, discutiram questões de interoperabilidade de pagamentos transfronteiriços e soluções para inclusão financeira, como a rede UPI da Índia. Enquanto isso, Sergio Mello, chefe da divisão de moedas estáveis da Anchorage Digital, observou que blockchain e stablecoins podem ajudar a conectar as finanças digitais básicas aos sistemas dos bancos centrais.
