Roman Rybalkin, diretor da S&P Global Ratings, afirmou que a possível queda dos preços mundiais do ouro no período de 2027-2028 pode ter um impacto negativo na situação externa do Uzbequistão e levar a uma redução nas receitas da conta corrente em cerca de 1% do PIB.
A declaração ocorreu em Tashkent, no Fórum de Finanças e Tecnologia da Rota da Seda, em 24 de agosto de 2026. Rybalkin observou que, embora os países da Ásia Central tenham se beneficiado dos altos preços do ouro e do forte influxo de fundos externos nos últimos anos, tais condições externas favoráveis não durarão para sempre.
Ele também apontou um risco adicional relacionado à possível deterioração das condições do mercado de trabalho nos países que são as principais fontes de rendimentos por trabalho e remessas de dinheiro para a Ásia Central.
O ouro permanece um fator crucial que determina tanto os balanços externos quanto as receitas estatais do Uzbequistão. A S&P Global Ratings prevê uma queda nos preços do ouro em 2027-2028, o que, segundo o alerta de Rybalkin, pode limitar as perspectivas financeiras do país.
De acordo com as estimativas da S&P, uma mudança no preço do ouro em 500 dólares americanos é capaz de alterar as receitas estatais do Uzbequistão em menos de 1 bilhão de dólares americanos devido às flutuações nas receitas fiscais, dividendos de empresas de mineração e outras fontes de receita.
Além do ouro, Rybalkin destacou riscos externos potenciais relacionados ao aumento dos preços dos combustíveis e alimentos, bem como às condições climáticas, como o nível de precipitação que afeta a geração de energia hidrelétrica na Ásia Central. Ele enfatizou a criticidade especial do nível da água para Tajiquistão e Quirguistão, enquanto o Uzbequistão planeja importar grandes volumes de eletricidade de grandes usinas hidrelétricas em construção nos países vizinhos.
O ouro é um dos principais produtos de exportação e fontes de moeda estrangeira para o Uzbequistão, sustentando os balanços externos e constituindo uma parte significativa das reservas internacionais do Banco Central. Em 2025, as receitas inesperadas do comércio de ouro aumentaram a arrecadação de impostos, permitindo que o governo aumentasse os gastos públicos em 41,2 trilhões de som, equivalente a 3,43 bilhões de dólares americanos.
