Trabalho não remunerado e carga mental: análise da segunda jornada para mulheres
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Trabalho não remunerado e carga mental: análise da segunda jornada para mulheres

Para muitas mulheres, o dia de trabalho não termina ao sair do escritório, fechar o laptop ou terminar o turno. Em vez disso, em casa começa uma segunda jornada, não remunerada. Esta carga inclui cozinhar, cuidar das crianças, dobrar roupas, fazer compras, lembrar contas e organizar compromissos.

Mesmo que essas responsabilidades sejam distribuídas entre os membros da família, as mulheres frequentemente permanecem com a responsabilidade mental sobre o que precisa ser feito e quando isso deve acontecer. Este trabalho não remunerado é frequentemente chamado de 'carga invisível', pois, ao contrário do trabalho remunerado, raramente vem acompanhado de salário, cargo ou reconhecimento oficial, mas pode ocupar horas na semana da mulher.

Mais do que apenas tarefas domésticas

A carga invisível vai além da limpeza e da culinária. Ela abrange a necessidade de lembrar que a criança precisa de sapatos escolares novos, verificar se há comida para a semana, marcar consultas médicas, planejar aniversários familiares, acompanhar mensagens da escola e garantir que os itens essenciais não acabem em casa.

Este é um lista mental constante de tarefas que é difícil desligar. Uma mulher pode estar sentada no sofá após o jantar, mas seus pensamentos podem continuar a rodar tarefas de amanhã: as mochilas escolares das crianças estão prontas, há dinheiro suficiente para a eletricidade, quem buscará as crianças amanhã, o que haverá no jantar?

Quando a responsabilidade por tomar essas decisões recai constantemente sobre uma pessoa, o resultado pode ser exaustão, frustração e ressentimento.

Quando ambos os parceiros trabalham

Um dos problemas mais sérios é que as mulheres podem, na verdade, realizar dois trabalhos: um remunerado e outro não remunerado. Uma mulher pode passar oito horas no trabalho e depois voltar para casa para cozinhar, limpar e cuidar da família. O parceiro pode ajudar com algumas tarefas domésticas, mas existe uma diferença importante entre ajudar e dividir a responsabilidade.

Se uma pessoa é forçada a pedir à outra para lavar a louça, embalar lanches para as crianças ou comprar mantimentos, essa pessoa ainda pode carregar a responsabilidade mental pela gestão da casa. A verdadeira igualdade implica que ambos os parceiros sabem o que precisa ser feito, em vez de um atuar como gerente da casa e o outro esperar por instruções.

A pressão de ser uma mulher 'perfeita'

As mulheres também frequentemente enfrentam expectativas sobre como deve ser uma boa mãe, parceira ou filha. Elas podem sentir a pressão de manter uma casa limpa, cozinhar alimentos saudáveis, cuidar das crianças, manter relacionamentos com parentes e trabalhar bem. As redes sociais podem agravar essas expectativas, criando a impressão de que as mulheres devem lidar com tudo sem esforço, exibindo casas impecáveis, pratos requintados e famílias perfeitamente organizadas.

No entanto, por trás dessas fotos polidas podem estar mulheres exaustas. A expectativa de 'fazer tudo' pode fazer com que um pedido de ajuda pareça um fracasso, embora, na verdade, a divisão de responsabilidades seja necessária.

O custo do trabalho não remunerado

O trabalho doméstico e de cuidado não remunerado tem um valor real, mesmo que raramente seja refletido no orçamento familiar. Cozinhar, limpar, cuidar de crianças e parentes permite que famílias e comunidades funcionem. No entanto, como este trabalho geralmente não é pago, é fácil ser negligenciado.

Para mulheres que reduzem suas horas de trabalho ou deixam o emprego para cuidar de filhos ou parentes, podem surgir consequências financeiras de longo prazo. Menos tempo em ocupação remunerada pode levar à redução de ganhos, diminuição das oportunidades de crescimento na carreira e redução das economias de aposentadoria. Consequentemente, as consequências podem ir muito além de algumas horas extras gastas limpando a casa.

Como as famílias podem dividir a carga?

O primeiro passo é abandonar a ideia de que as tarefas domésticas são um favor que uma pessoa faz à outra. Gerenciar a casa é uma responsabilidade compartilhada. Os casais podem começar fazendo uma lista de tudo o que precisa ser feito, incluindo tarefas que geralmente são esquecidas.

Em vez de simplesmente dividir tarefas, eles podem dividir a posse da responsabilidade. Uma pessoa pode assumir totalmente as questões organizacionais relacionadas à escola das crianças, enquanto a outra cuida das compras de alimentos e suprimentos domésticos. O objetivo não é necessariamente dividir cada tarefa exatamente ao meio, mas garantir que uma pessoa não suporte a maior parte da carga física e mental.

As crianças também podem ser ensinadas a contribuir para as tarefas domésticas desde cedo. Tarefas simples, como limpar seus quartos, lavar a louça ou ajudar com a roupa, ensinam-nas que manter a casa é responsabilidade de todos.

Como tornar o invisível visível

As mulheres não devem chegar ao limite antes que sua carga de trabalho seja levada a sério. O trabalho não remunerado realizado em casa ainda é trabalho. Reconhecer isso é o primeiro passo para mudar a forma como as famílias dividem as responsabilidades.

Durante o Mês da Mulher, a conversa deve ir além da celebração das conquistas femininas. Também deve fazer a pergunta complexa: quem garante que a mulher que cuida de todos os outros receba cuidados? Porque às vezes, igualdade não significa apenas estender a mão para ajudar uma mulher. Significa abandonar a suposição de que a responsabilidade sempre foi dela.

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Necessidade de criar locais de trabalho seguros para mulheres em relação à menopausa e violência de gênero
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A menopausa, problemas de saúde mental e violência de gênero são questões pessoais que afetam as mulheres no local de trabalho, o que incentiva os empregadores a criar condições mais seguras para discutir tópicos complexos.

A Empact Group acredita que os líderes devem criar um ambiente onde os funcionários possam levantar questões sensíveis sem medo de julgamento, vergonha ou receio. Esses tópicos foram discutidos durante o evento da empresa em comemoração ao Dia da Mulher em agosto, onde representantes da Redefining Menopause Africa e da TEARS Foundation foram convidados.

O painel de discussão intitulado 'Pergunte, Compartilhe, Floresça' também incentivou os funcionários a falar sobre problemas que são frequentemente excluídos das conversas oficiais no trabalho. Sanele Mlambo, Diretora Executiva de Marketing e Comunicações na Empact Group, enfatizou que os funcionários não deixam as realidades de suas vidas pessoais na porta do escritório.

Mlambo declarou: 'As mulheres não param de sentir o que acontece em seus corpos, em casa e na vida pessoal quando entram no escritório.' Ela acrescentou que se algo afeta a saúde, a confiança, a segurança ou a capacidade de uma pessoa trabalhar, é necessário criar um ambiente suficientemente confortável para a conversa, pois o silêncio não elimina essas realidades.

A menopausa pode afetar o dia de trabalho de uma mulher através de sintomas como ondas de calor, distúrbios do sono, ansiedade, alterações de humor e dificuldades de concentração. No entanto, algumas mulheres hesitam em falar sobre menopausa no trabalho por medo de serem ridicularizadas, envergonhadas ou mal interpretadas por colegas e gerentes.

A Empact Group observa que o apoio nem sempre exige mudanças radicais nas políticas. Passos práticos podem incluir o uso de tecidos respiráveis para uniformes, fornecimento de opções alternativas de vestuário, acesso a ventiladores ou salas de reunião frias, bem como ter gerentes informados sobre o impacto potencial da menopausa.

Salwa Albertyn, Diretora Executiva de Recursos Humanos na Empact Group, observou: 'Às vezes, precisamos revisar as práticas de trabalho que aceitamos como garantidas e perguntar se elas ainda funcionam para as pessoas que as utilizam.' Ela esclareceu que, embora a política possa fazer parte da solução, ajustes práticos, gerentes mais informados e uma cultura que permita às pessoas pedir ajuda sem desconforto também desempenham um papel importante.

Cerca de 78% dos funcionários da Empact Group são mulheres, e as mulheres ocupam cerca de 66% dos cargos de liderança na empresa. Mlambo enfatizou que isso torna importante para a organização examinar seus próprios processos de trabalho. Ela disse que tais conversas permitem primeiro ouvir e depois determinar no que a própria empresa deve focar. Ela acrescentou que é sempre valioso verificar se o ambiente de trabalho, as políticas e as práticas diárias refletem a experiência real dos funcionários.

O impacto da violência de gênero também pode se estender ao ambiente de trabalho. Um parceiro propenso à violência pode entrar em contato repetidamente com um funcionário durante o horário de trabalho, enquanto as vítimas podem precisar de tempo para receber cuidados médicos, comparecer a julgamentos ou consultar psicólogos. Os funcionários também podem vir ao trabalho abatidos ou exaustos após um incidente em casa. Para alguns, o local de trabalho pode ser um dos poucos lugares seguros.

Albertyn destacou a importância de uma política de portas abertas, mas também observou que os funcionários devem se sentir confiantes de que serão tratados com delicadeza. Ela garantiu: 'Minha porta está sempre aberta para qualquer pessoa em nossa organização que precise de apoio.' No entanto, ela acrescentou que tais conversas lembram que as pessoas devem se sentir seguras o suficiente para se aproximar dessa porta, sabendo que podem falar sem julgamento e que suas revelações serão tratadas com cuidado e confidencialidade.

A empresa indicou que não se espera que os gerentes atuem como consultores, médicos ou investigadores. No entanto, eles podem ser treinados para ouvir, entender os procedimentos internos de relatórios e encaminhamentos, reconhecer a necessidade de ajuda profissional e responder adequadamente a confissões delicadas. A discussão também identificou a importância de envolver homens nas conversas sobre problemas tradicionalmente chamados de 'questões femininas'. A menopausa afeta colegas, parceiros, famílias e equipes, e as conversas sobre violência de gênero não podem excluir os homens.

O evento em comemoração ao Dia da Mulher também abordou o tema 'Aceitação da Renovação da Confiança' através da história de uma funcionária que transformou tanto sua saúde quanto sua carreira. Esta funcionária falou sobre a recuperação de sua saúde e confiança após vencer o concurso interno anual de saúde da Empact Group. Inicialmente, ela trabalhava na empresa como faxineira e agora ocupa o cargo de especialista em logística.

Mlambo observou que essa experiência mostrou que a confiança pode ser restaurada de várias maneiras — seja melhorando a saúde, discutindo experiências difíceis ou buscando novas oportunidades profissionais. Ela declarou: 'Um enorme valor reside em criar ambientes de trabalho onde as pessoas possam ver oportunidades para si mesmas.' Ela continuou: 'Isso pode significar promoção para um novo cargo, cuidar da sua saúde ou ter a oportunidade de dizer: 'Estou com dificuldade e preciso de apoio'. Todas essas conversas exigem um certo grau de confiança.'

O Mês da Mulher é frequentemente dedicado à celebração e ao reconhecimento, mas a Empact Group acredita que também deve oferecer aos empregadores a oportunidade de investigar problemas que os funcionários ainda podem achar difíceis de discutir. Tais problemas incluem a conformidade das políticas de trabalho com a experiência real dos funcionários, a adequação das condições de trabalho e dos uniformes para mulheres em diferentes fases da vida, bem como o conhecimento dos gerentes sobre como reagir quando um funcionário pede ajuda.

Mlambo acredita que a criação de um ambiente de trabalho mais solidário pode começar com conversas difíceis. Ela disse: 'Às vezes, o ponto de partida é apenas uma conversa corajosa.' Ela acrescentou: 'Quando alguém sente que é forçado a esconder sua experiência para ser considerado profissional, os empregadores têm a oportunidade de ouvir com mais atenção.' Ela concluiu: 'A conversa nos dá um ponto de partida. O que fazemos com o que ouvimos é o que importa a seguir.'

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