Crise da exploração infantil na África do Sul exige medidas urgentes de combate
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Crise da exploração infantil na África do Sul exige medidas urgentes de combate

Um recente e alarmante caso no bairro de Strandfontein sublinha a necessidade urgente da África do Sul combater a chocante realidade da exploração e tráfico de crianças. Quando as crianças se tornam vítimas de um sistema que transforma a vulnerabilidade numa fonte de rendimento, a sociedade deve agir para prevenir danos irreversíveis às vidas.

É profundamente preocupante pensar que uma criança de 11 anos possa ser designada como fonte de rendimento. No entanto, é ainda mais alarmante que tais horrores possam ser vistos como algo repulsivo, após o que a sociedade continua a viver sem questionar quantas outras crianças exploradas estão à vista.

Um residente da comunidade de Strandfontein levantou o alarme sobre acusações de exploração sexual de uma menina de 11 anos por uma quantia de apenas 100 randes. O vídeo em que ele pede ajuda tornou-se viral nas redes sociais.

Segundo este residente, o pai supostamente alegava que a menina deveria 'trabalhar' porque ele não tinha dinheiro, esperando que a criança de 11 anos providenciasse o que ele não podia oferecer. Independentemente dos detalhes repugnantes, isto não é apenas uma história sobre uma família pobre a tomar decisões desesperadas; é uma ilustração do que acontece quando a vulnerabilidade de uma criança se torna um objeto que os adultos sentem ter o direito de usar para benefício próprio.

É aqui que a África do Sul deve iniciar uma conversa mais ampla sobre o tráfico de pessoas entre crianças. Crianças como Jocelyn Smith, Omphile Sithole, Lebone e Letabo Phalatswe, e muitas outras, são raptadas bem diante dos nossos olhos, e os esforços para parar esta crueldade são demasiado insignificantes.

De acordo com dados do Bureau of Missing Persons da SAPS, cerca de 1700 crianças desaparecem anualmente, o que significa que uma criança desaparece a cada cinco horas. Além disso, isso não inclui inúmeros casos que permanecem não registados.

Quando as pessoas ouvem a palavra 'tráfico de pessoas', frequentemente imaginam algo distante e organizado: contrabando de crianças através de fronteiras, estranhos a atrair crianças para carros ou sindicatos criminosos a operar fora do radar. No entanto, a exploração nem sempre se manifesta dessa forma. Às vezes, ocorre dentro das nossas comunidades, escolas e lares. Às vezes, é feito por pessoas que as crianças conhecem. Por vezes, quem deveria proteger a criança é quem a coloca em risco. E às vezes, a pobreza é usada para fazer com que o inconcebível pareça inevitável, embora não seja verdade.

A África do Sul é um dos países mais desiguais do mundo. A sociedade sabe como é a pobreza, como o desemprego destrói os agregados familiares e o que acontece quando as famílias são forçadas a sobreviver sem comida suficiente, habitação digna ou oportunidades económicas significativas. Mas existe um limite que não devemos ultrapassar. O corpo de uma criança não deve tornar-se esse limite.

No momento em que começamos a explicar a exploração sexual infantil predominantemente através da lente da pobreza, corremos o risco de apresentar a exploração como uma lamentável consequência da miséria, em vez de como o hediondo abuso de poder que realmente é.

As crianças são particularmente vulneráveis porque têm capacidade mínima ou nula de evitar a exploração. É por isso que a resposta da África do Sul ao tráfico de pessoas não pode começar e terminar com a prisão de criminosos, muitas vezes muito tempo depois de a criança ter sofrido traumas irreparáveis.

São necessárias comunidades que conheçam os sinais de alerta. São necessários assistentes sociais e forças policiais que respondam de forma rápida e eficaz. São necessárias escolas e instituições capazes de identificar crianças vulneráveis. E é necessário um sistema de justiça capaz de garantir consequências sérias para aqueles que exploram crianças, e não apenas punições formais.

O mais importante é a necessidade de combater a procura que permite que a exploração prospere na nossa sociedade. Mulheres e crianças não são exploradas sexualmente porque não há mercado para isso. Elas são exploradas porque sempre existem executores maliciosos dispostos a pagar. Esta é uma verdade inconveniente, mas não pode ser ignorada.

O Ministério do Desenvolvimento Social do Cabo Ocidental confirmou que está a colaborar com a investigação e está a realizar uma auditoria interna em relação às acusações de reação lenta às preocupações relativas a crianças. No entanto, isto não é apenas um problema do Cabo Ocidental; é uma pandemia em todo o país. A nossa sociedade já está pressionada pela criminalidade, pelo abuso de drogas, pela pobreza, pelo sem-abrigo e muito mais. O tráfico humano e a exploração direcionada de crianças certamente nos levarão ao limite se não resolvermos esta crise com convicção séria.

Porque em algum lugar na África do Sul há outra criança que pode estar vulnerável neste exato momento. Ela pode não ter um vídeo viral. Ela pode não ter um vizinho disposto a intervir. Ela pode não ter ninguém a perguntar onde ela está, com quem ela está ou o que lhe está a acontecer. E é isto que deve nos manter vigilantes.

Não podemos continuar a esperar que as crianças se tornem manchetes de notícias antes de decidirmos que elas valem proteção.

Uma criança de 11 anos nunca deve 'trabalhar' para sustentar a vida em casa. Ela nunca deve ser vista como um objeto que pode ser comprado por 100 randes. E ela nunca deve carregar as consequências dos fracassos que são responsabilidade dos adultos.

Se a África do Sul estiver seriamente determinada a acabar com o tráfico de pessoas entre crianças, o indicador de sucesso não deve ser o volume da nossa reação após a exploração de uma criança. O verdadeiro indicador é a construção de um país onde ninguém jamais terá a oportunidade de colocar um preço na vida de uma criança.

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Jovens sul-africanos enfrentam o problema do alto desemprego no mercado de trabalho
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Jovens sul-africanos enfrentam o problema do alto desemprego no mercado de trabalho

Para os jovens sul-africanos, a busca por emprego é complicada pela alta taxa de desemprego, que recentemente atingiu 47,4%. Este número não é apenas um indicador estatístico, mas uma realidade diária ligada à rejeição de candidaturas, pressão financeira e incerteza sobre o futuro.

Crise do Desemprego Juvenil na África do Sul

Christopher Naidu, um residente de Yellowwood Park de 25 anos, observou que a alta taxa de desemprego entre os jovens não foi uma surpresa para ele. Ele relatou que tem enviado candidaturas a várias vagas desde janeiro, mas sem sucesso. Naidu enfatizou que o problema é relevante mesmo para aqueles com ensino superior, pois hoje os empregadores frequentemente exigem experiência que os recém-formados não possuem. Ele está frustrado com a falta de feedback sobre as candidaturas, nem mesmo notificações de rejeição, o que causa desmotivação.

Naidu, que se formou em Jornalismo pela Universidade de Stellenbosch no ano passado, perdeu a conta do número de candidaturas enviadas este ano. Embora gostaria de trabalhar na mídia, agora aceitaria qualquer trabalho, incluindo varejo, para começar a construir sua vida. Ele acredita que a falta de liberdade financeira limita suas oportunidades e afeta negativamente sua saúde mental e autoconfiança, especialmente após enviar currículos sem confirmação de recebimento.

Ele afirmou que o governo precisa expandir as oportunidades para resolver o problema do desemprego juvenil. Naidu reconhece a existência de programas como estágios e aprendizado, mas considera que isso é insuficiente e muitas vezes acessível apenas em regiões específicas, exigindo uma cobertura mais ampla para garantir chances iguais.

Brynn Jade Govinsamy, residente de Chatsworth de 25 anos, com qualificações em tecnologia de produção, procura emprego há mais de dois anos. Ela tem interesse no setor de fabricação automotiva, especificamente em posições de operador de prensa, operador de linha de prensagem ou operador de produção. Assim como outros, ela enfrenta dificuldades na busca por um emprego estável, pois algumas empresas não fornecem feedback, enquanto outras exigem experiência prévia mesmo para vagas de nível inicial.

Govinsamy considerou opções de educação continuada, aprendizado, estágios e treinamento profissional. Ela confia na infinidade de oportunidades de aprendizado e está disposta a continuar a autoeducação, adquirindo novas habilidades através de quaisquer programas adequados. Ela acredita que o governo não ajuda o suficiente os jovens desempregados, pois muitos jovens não conseguem acessar os programas ou encontrar um emprego permanente depois deles. Govinsamy insiste na necessidade de criar mais empregos sustentáveis, especialmente para aqueles sem experiência, e apela para que o governo colabore mais estreitamente com empresas industriais para fornecer a primeira experiência.

O desemprego, segundo Govinsamy, dificulta a cobertura das necessidades pessoais e a ajuda à família, além de afetar negativamente sua motivação e autoconfiança. No entanto, ela tenta não deixar que essas dificuldades definam sua personalidade, mantendo-se otimista e continuando a aprimorar suas habilidades.

Mesholen Runganathan Reddy, residente de Avoki de 19 anos, destacou que as estatísticas escondem as histórias dos jovens que buscam construir uma carreira e prover a si mesmos e às suas famílias. Pela sua experiência, existe uma lacuna entre o desejo dos jovens de trabalhar e as oportunidades disponíveis. Reddy, estudante do primeiro ano da Faculdade de Direito da Universidade da África do Sul, procura emprego há 18 meses. Ele envia regularmente cerca de 10 a 15 candidaturas por semana para cargos de assistente administrativo ou operador de entrada de dados para ganhar experiência prática. Ele enfrenta o mesmo problema: frequentemente não recebe resposta, e as posições anunciadas como iniciais ainda exigem experiência prévia, criando um ciclo vicioso.

Reddy também observou que o desemprego impede o alcance da independência financeira, gerando pressão, já que ele deseja ajudar a família e cobrir suas despesas. Ele vê o desemprego não como o fim do caminho, mas como uma fase difícil que precisa ser superada para alcançar uma carreira estável e bem-sucedida e concluir seus estudos.

Comércio ilegal representa uma ameaça existencial para a economia sul-africana
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Comércio ilegal representa uma ameaça existencial para a economia sul-africana

O comércio ilegal é visto não apenas como um problema econômico, mas como uma crise que ameaça empregos, segurança pública e o futuro da África do Sul. Esta atividade destrói a economia produtiva do país e priva o tesouro de receitas fiscais cruciais.

O Ministro das Finanças da África do Sul, Enoch Godongwana, reconheceu em seu discurso orçamentário no parlamento no início deste ano que 'o câncer do comércio ilegal ameaça nossa economia', pois ele é perigoso para os consumidores e leva à perda de bilhões de receita para o estado.

Como prova dessa ameaça existencial, Godongwana citou uma notícia recente de que uma grande empresa de tabaco sul-africana estava prestes a fechar sua última instalação de produção no país, o que ameaçava a perda de cerca de 230 empregos na região de Heidelberg. Ele enfatizou que a natureza complexa e organizada das operações ilegais exige esforços para reprimir esse comércio, garantir a persecução judicial e desmantelar as cadeias de suprimentos.

Desafio Global

Produtos falsificados, que são apenas parte do comércio ilegal, representam uma fuga significativa de fundos da economia mundial. De acordo com dados recentes da OCDE, eles correspondem a cerca de US$ 467 bilhões nos fluxos comerciais mundiais. O Secretário-Geral da OCDE, Mathias Cormann, afirmou que o comércio ilegal mina os direitos de propriedade intelectual, obstrui o crescimento econômico e ameaça a segurança pública, observando que os riscos podem aumentar à medida que os falsificadores utilizam novas tecnologias para evitar a detecção.

Impacto Econômico

A África do Sul sofre enormes perdas econômicas devido ao comércio ilegal. O ex-comissário do SARS, Edward Kisvetter, ao se dirigir ao parlamento no início deste ano, estimou que toda a economia ilegal da África do Sul pode variar entre 800 bilhões e 1,2 trilhão de randes. Kisvetter sugeriu que a economia ilegal cresceu mais rapidamente do que a economia formal nos últimos 15 a 20 anos, aumentando de aproximadamente 5% do PIB para 12-15%. Ele acredita que isso significa impostos não arrecadados de 200 a 300 bilhões de randes, o que acarreta enormes oportunidades perdidas em habitação social, pensões, financiamento do ensino superior e outro apoio governamental.

Em nível humano, o comércio ilegal também representa sérios riscos à saúde, pois alimentos e bebidas contornam as normas regulatórias estabelecidas, colocando vidas dos consumidores em risco. Alimentos e bebidas ilegais estão associados a inúmeros surtos de doenças e mortes.

Medidas de Resposta Coordenadas

Um relatório recente da OCDE apela por monitoramento constante e ações mais coordenadas, incluindo a troca de informações em tempo real entre alfândega, polícia, unidades de inteligência financeira e órgãos de fiscalização de mercado para combater o comércio ilegal. O relatório também aponta a necessidade de fortalecer a cooperação e a troca de melhores práticas entre intermediários de comércio, serviços postais e marítimos, zonas de livre comércio e empresas de logística para prevenir o abuso de suas redes.

No cenário regional da África do Sul, Kisvetter propôs um plano de cinco pontos para combater a economia ilegal. Ele recomenda a criação de um programa nacional para suprimir atividades sob a liderança da presidência. Este plano deve incluir o fortalecimento da interação interdepartamental através de um centro de comando e plataforma de cooperação, inicialmente focado nas cadeias de suprimentos de tabaco, álcool e combustível de alto risco. Grupos de investigação e tribunais especializados, aumento de orçamentos, investimentos ampliados em tecnologia, ciência de dados e inteligência artificial, bem como um painel nacional para medir o progresso, também são necessários.

Embora a implementação dessas recomendações permaneça incerta, é evidente que a economia ilegal já causou danos devastadores à sociedade sul-africana, custando vidas e meios de subsistência. No nível empresarial, a aliança de líderes do setor destaca o impacto dos produtos ilegais na sociedade sul-africana e propõe caminhos para a solução. A aliança empresarial formou um grupo de trabalho e lançou uma campanha de conscientização para consumidores chamada "#SuaEscolhaTemPoder" em parceria com o Conselho Sul-Africano de Bens de Consumo (CGCSA), pedindo aos compradores que adquiram produtos legais e denunciem o comércio ilegal.

Série de Documentários

A aliança apresentou recentemente uma série de documentários impactantes que abordam o impacto extremamente negativo dos produtos ilegais. A série "Someone Always Pays" é uma investigação aprofundada das consequências humanas e econômicas da economia ilegal em vários setores afetados. A CEO do CGCSA, Zinhle Taikwe, declarou: "Nossa mensagem aos sul-africanos é que, com produtos ilegais, não importa quão baratos sejam, sempre alguém paga". Ela acrescentou que os consumidores podem ajudar a mudar a situação tomando decisões de compra.

Em última análise, como o comércio ilegal cresce por toda a economia sul-africana, este é um problema que afeta toda a nação, e não apenas os produtores legais. Combatê-lo exigirá esforços nacionais coordenados e direcionados, pois o comércio ilegal prejudica não apenas as empresas, mas também destrói empregos e comunidades.

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