Comerciantes entraram com uma ação judicial na segunda-feira no Supremo Tribunal estadual em Manhattan. Esta medida foi movida em nome da Multicultural Business Coalition (MBC), uma organização recém-criada há seis meses que representa cinquenta câmaras de comércio pertencentes a diferentes grupos étnicos.
Os comerciantes, que são proprietários de pequenos negócios, alegam que Mamdani está infringindo tanto a Lei dos Direitos Civis de Nova Iorque quanto a constituição estadual, pois a construção desses supermercados configura discriminação.
Segundo o documento judicial analisado pela agência EFE, os supermercados municipais estariam negando igualdade de proteção aos participantes da ação coletiva — que incluem centenas de comerciantes, muitos deles pequenos empreendedores — ao impedir que ofereçam descontos que se desviem significativamente das práticas do comércio globalizado, o que violaria as leis de direitos civis de Nova Iorque.
Desde que Mamdani, associado à ala esquerda do Partido Democrata, manifestou a intenção de estabelecer esses supermercados municipais, os comerciantes têm se posicionado contra a proposta. Eles argumentam que o dinheiro proveniente de seus impostos está sendo usado para competir diretamente com seus próprios negócios, e que a inauguração dessas lojas forçaria muitos a encerrar suas atividades.
Em julho, o prefeito também havia anunciado que os cinco supermercados, previstos para operar integralmente até 2029, ofereceriam um abatimento de 30% em itens alimentícios essenciais, como resposta ao aumento dos custos dos alimentos no estado.
Na petição judicial, os comerciantes utilizam a lei dos direitos civis como fundamento para processar autoridades governamentais, sejam elas locais ou estaduais, caso estas violem os direitos constitucionais de um indivíduo enquanto exercem suas funções.
Adicionalmente, eles defenderam perante o tribunal que as lojas estão sendo implementadas sem um estudo de impacto prévio. Os comerciantes também fizeram referência ao fato de que a permissão para a rede varejista Walmart abrir na cidade foi recusada por vários anos devido ao prejuízo que causaria às pequenas empresas, citando esta mesma justificativa em sua oposição aos supermercados, conforme destacou à EFE o presidente do conselho da MBC, Frank García.
Frank García informou à EFE que, antes de protocolarem o processo, haviam solicitado uma reunião com o prefeito de Nova Iorque, mas essa tentativa não obteve sucesso. Contudo, Mamdani realizou encontros com a associação de supermercados, além de outras entidades da comunidade latina e comerciantes árabes.
Através deste processo legal, os comerciantes buscam iniciar um diálogo com o magistrado municipal para encontrar uma resolução que não acarrete prejuízos a seus negócios.
