O projeto, denominado A Leaf Canopy by the Sea, foi concebido para ser instalado em uma encosta gramada e arborizada próxima à orla do Shenzhen Bay Park, um dos parques públicos mais populares da cidade. Este local é conhecido por abrigar uma rica vida selvagem e servir de parada para aves migratórias vindas da Sibéria em sua jornada para o sul.
A filosofia norteadora do projeto é a de uma «leve intervenção», buscando um equilíbrio delicado entre o espaço destinado ao público, atividades comerciais integradas ao parque e a manutenção da preservação ambiental. Em uma região com clima úmido e chuvoso, como Lingnan, as bananeiras são elementos naturais que fornecem sombra nos quintais locais, conectando-se às memórias afetivas da área.
Os guarda-chuvas, por sua vez, representam conceitos de mobilidade, transitoriedade e leveza. Inspirando-se tanto na forma quanto na estrutura das folhas de bananeira, o projeto utiliza uma estrutura metálica leve e complexa, moldada como um guarda-chuva. Para garantir a sustentabilidade, foram empregados materiais de baixo impacto ecológico e sistemas construtivos que são industrializados e pré-fabricados.
A proposta visa criar um abrigo eficaz contra sol e chuva, ao mesmo tempo em que introduz um novo modelo de comércio para parques. Ele oferece aos cidadãos um local discreto para contemplação, observação das marés e audição da chuva, complementado por estruturas de apoio externas para proteger ciclistas e pedestres do sol.
O sistema estrutural é composto por um pilar central que funciona como o cabo do guarda-chuva, apoiado por vigas metálicas radiais que atuam como hastes secundárias. Estas sustentam uma cobertura escalonada, cuja inspiração vem das folhas de bananeira, sendo esta cobertura impermeável e termoacústica. Um beiral amplo garante sombra completa e proteção contra a precipitação para o deque de madeira que possui área semiaberta.
Elevado ligeiramente para se adequar ao declive do terreno, o deque assume a função de um banco de madeira contínuo. Na face voltada para o mar, fechamentos de vidro do chão ao teto suavizam a distinção entre o ambiente interno e externo, integrando visualmente o espaço sob a cobertura às águas tranquilas da orla e servindo como uma vitrine atraente para os estabelecimentos comerciais.
Em contraste, uma mureta demarca a parte voltada para a terra, estabelecendo um deque coberto, reservado e pacífico, onde os visitantes podem descansar sem a pressão de consumir ou socializar.
Mantendo-se fiel ao conceito de «leveza», o projeto evoca a imagem de um guarda-chuva deixado casualmente no gramado da orla. A estrutura de aço leve, fabricada previamente em fábrica, possui características de portabilidade, facilidade de montagem e reciclabilidade. Isso minimiza a necessidade de escavações no solo e maximiza a área coberta com o menor consumo de material possível, reduzindo assim o impacto humano na paisagem natural e a produção de resíduos de construção.
Sua volumetria baixa e horizontal assegura que as vistas da costa permaneçam desobstruídas. A cobertura escalonada, com sua inclinação suave e inspirada nas folhas de bananeira, facilita o escoamento da água e melhora o isolamento térmico, harmonizando-se com a vegetação circundante. A iluminação é rigorosamente limitada às áreas internas, pois não há luminárias externas instaladas, prevenindo a poluição luminosa que poderia perturbar as aves costeiras migratórias, promovendo assim uma convivência harmônica entre o comércio e a ecologia.
Para resistir à maresia e às chuvas constantes, foram incorporados detalhes táteis e naturais. A fibra de bananeira foi misturada artesanalmente ao acabamento da mureta, aumentando sua durabilidade contra os intempéries enquanto mantém uma textura rústica e manual. A cobertura atua como um meio multissensorial de conexão com a natureza, permitindo que os visitantes percebam a textura fibrosa das paredes, sintam a brisa salgada e úmida sob os beirais, e ouçam o som das gotas de chuva caindo sobre as folhas metálicas de bananeira.
