Mulher indiana conta sobre sua viagem solo ao Afeganistão, visitando mercados e postos de controle
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Mulher indiana conta sobre sua viagem solo ao Afeganistão, visitando mercados e postos de controle

Sharanya Iyer, criadora de conteúdo de viagens, compartilhou suas impressões de sua viagem solo ao Afeganistão em novembro de 2025. Ela enfatizou que seu objetivo é chamar a atenção para o Afeganistão, mas sem promover o turismo no país.

Antes de entrevistá-la, o autor do material relembrou um episódio de outubro de 2025, quando jornalistas indianas enfrentaram uma proibição de entrada em uma coletiva de imprensa realizada pelo vice-ministro das Relações Exteriores do Talibã em Nova Deli. Essa proibição foi suspensa depois que as mulheres recusaram uma exceção, e suas colegas apoiaram, gerando ampla crítica pública. As mulheres conseguiram retornar e fazer perguntas sobre meninas sem acesso à escola, direitos das mulheres e o estreitamento do espaço para a voz feminina.

Ao longo de muitas gerações, para os indianos, o Afeganistão foi frequentemente percebido através da lente da literatura, e não da geografia. Exemplos são citados de obras de Rabindranath Tagore, como 'Kabuliwala', e da obra de Khaled Hosseini, que retratam cenas de Cabul durante a guerra e opressão.

O relato de Sharanya também combina calor, beleza e realidades complexas. Seus vídeos cobrem ruas movimentadas e estradas montanhosas de Cabul, onde ela para em postos de controle e viaja por estradas onde as permissões são verificadas. Ela observa que a realidade no local pode ser muito diferente para um turista e para um morador local.

Para Sharanya, a viagem ao Afeganistão rapidamente mostrou que o país, acessível a ela como turista, nem sempre é aquele em que as mulheres afegãs podem se mover livremente. Mesmo ações tão comuns quanto se deslocar de um lugar para outro são regulamentadas por regras. O turismo, explica ela, só é permitido com a ajuda de guias locais autorizados, que providenciam antecipadamente as permissões para os visitantes.

'Meu passaporte sempre deveria estar no carro. Em cada posto de controle, meu guia mostrava os documentos', compartilha ela. Essa diferença tornou-se especialmente evidente no caminho para o Parque Nacional Band-e-Amir. Quando se aproximavam do posto de controle, o guia pediu que ela colocasse um lenço na cabeça, pois as mulheres locais têm proibido a entrada lá. No entanto, Sharanya foi permitida a passar porque era turista, e, segundo ela, 'homem ou mulher não importa. Eu tenho regras diferentes'.

Este momento, embora insignificante, muda a percepção de tudo o que vem a seguir. A mesma estrada, o mesmo posto de controle, o mesmo país, mas um conjunto diferente de liberdades dependendo da pessoa. Sharanya tenta não confundir seu acesso com a realidade da vida das mulheres no país.

No entanto, o Afeganistão poderia revelar outro lado. Sua série, incluindo 'Cabul Express', mostra os mercados de Cabul, as barracas de chá ao lado da estrada e os bairros movimentados, dando atenção às pessoas cujas vidas e ofícios raramente aparecem nas manchetes de notícias. Entre elas, havia um fotógrafo que trabalhava com uma câmera de madeira antiga, que Sharanya descreve como o último mestre dessa arte em Cabul. Ela trouxe para casa um de seus retratos, que, sendo um souvenir comum, reflete aquilo ao que sua viagem constantemente retornava: além dos postos de controle, regras e política, continuava a vida das pessoas que mantêm habilidades, produzem coisas, trabalham, interagem e recebem estranhos.

Após passar pelos postos de controle e obter as permissões, houve momentos no Afeganistão que pareceram surpreendentemente familiares para Sharanya. Ela observa: 'Como turista indiana, senti-me muito segura.'

Às vezes, apenas mencionar que ela era da Índia mudava o rumo da conversa. 'Assim que eu disse que era da Índia, a linguagem corporal deles mudou. Eles gostam da Índia. Eles gostam de Bollywood.'

Não se deve esquecer do chá. 'Se um convidado chega, lhe oferecerão chá.' Para um viajante indiano, este gesto é compreendido sem explicações desnecessárias: você se senta, lhe trazem chá, a conversa começa e, por um tempo, você se torna um hóspede em um país estrangeiro.

Esse calor definiu grande parte da experiência de Sharanya. Ao mesmo tempo, ao se mover por Cabul e Kandahar, ela notava quem estava frequentemente ausente nas ruas, mercados e lugares públicos. Ela constata: 'A ausência de mulheres na vida pública é muito notável.'

Assim que ela notou isso, foi difícil ignorar. Sharanya podia viajar com guias masculinos, passar por postos de controle e estar em lugares públicos, mas as mulheres afegãs ao seu redor viviam sob regras completamente diferentes. A educação das meninas efetivamente cessa após o sexto ano, as universidades não aceitam mais mulheres, e nos restaurantes, muitas vezes há separação de assentos.

Isso sublinhou a importância da diferença entre ser aceito em um país e realmente saber como é a vida lá. Sharanya tinha acesso por ser uma convidada. Os moradores do país não tinham essa liberdade automática.

'Nunca se deve esquecer que o que você está vivenciando é puramente uma experiência turística. Não é uma verdade universal sobre o país ou seu povo', alerta ela. É exatamente essa tensão que ela levanta constantemente ao falar sobre o Afeganistão: as pessoas que ela encontrava podiam recebê-la calorosamente, compartilhar chá e falar sobre a Índia, mas fora dessas conversas, ela via o quanto menor havia se tornado o espaço público para muitas mulheres afegãs.

Talvez a ideia mais forte que surgiu durante a conversa tenha sido a opinião de Sharanya sobre a necessidade de separar cidadãos comuns de regimes políticos. 'Quando você volta de países assim, você absorve o fato de que as pessoas não são o seu governo. As pessoas não são o seu regime.'

Ela começou a entender isso viajando pelo Irã, e essa ideia ficou ainda mais clara no Afeganistão. Conversando com mulheres afegãs, muitas expressaram alívio pelo fim de décadas de guerra. Elas também falaram abertamente sobre as restrições que definem suas vidas.

'Agora há estabilidade', lembra ela as palavras delas. 'Elas não vivem mais constantemente entre bombas e mísseis.'

As conversas foram além de sua viagem. Hoje, Sharanya atua como mentora para uma jovem menina afegã em um programa online internacional, onde discutem livros, vida e oportunidades fora da educação formal. 'Minha tarefa é ser amiga desta menina, uma fonte de força.'

Quanto mais Sharanya tentava entender o Afeganistão, mais difícil se tornava encaixar esse país em uma versão simples. Bamiyan adicionou outra camada a esse quadro. O vale guarda nichos vazios onde antes ficavam os gigantescos Budas de Bamiyan, lembrando um tempo em que a região foi um importante centro de educação budista. Parada diante deles, Sharanya sentiu-se oprimida. 'Eu chorei.'

Para ela, esse momento carregava o peso de tudo o que existiu lá antes, tudo o que foi perdido e tudo o que permanecia incompreensível no Afeganistão. Atualmente, ela explora um filme sobre a história multifacetada desse lugar, rastreando o passado do Afeganistão como centro de aprendizado budista até as transformações subsequentes que mudaram a região.

Essa relutância em simplificar o Afeganistão em uma única história simples também influencia no que Sharanya decide compartilhar sobre a viagem. Apesar da atenção que seus vídeos atraem, ela intencionalmente evita publicar guias, rotas ou dicas de viagem para o Afeganistão. 'Quero que as pessoas saibam sobre o Afeganistão, mas como chegar lá, quando ir ou por que ir — vocês não verão isso.'

Ela insiste que isso definitivamente não é aprovação. Talvez seja aí que reside a ideia que ela quer deixar para o público. O Afeganistão não lhe deu uma resposta única, e ela não quer dar essa resposta ao seu público. Se a viagem desperta um pouco mais de curiosidade sobre a vida, a história e as pessoas por trás das manchetes, para ela, isso é suficiente.

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