Lançamento malsucedido na base Alcântara mantém o Brasil no mapa do mercado espacial privado
Leia mais
Olhar Digital
olhardigital.com.br

Lançamento malsucedido na base Alcântara mantém o Brasil no mapa do mercado espacial privado

De acordo com um comunicado da Olhar Digital, um foguete sul-coreano foi lançado do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), localizado no estado do Maranhão — conhecido como Base Alcântara — no dia 19. A missão, que era suborbital e utilizava o veículo SEBIT da empresa InnoSpace, não alcançou o resultado esperado.

Sem transmissão direta ou presença de imprensa, pouco mais de 30 segundos após o lançamento, o foguete perdeu a trajetória e ativou o sistema de autodestruição, explodindo no ar.

Apesar do fracasso técnico do veículo, especialistas afirmam que este incidente não prejudica a reputação do centro de Maranhão. Pelo contrário, a operação demonstra que a infraestrutura de Alcântara está pronta para oferecer serviços comerciais e receber missões de empresas privadas de todo o mundo.

Durante uma análise apresentada no programa Olhar Espacial na última sexta-feira (dia 21), o divulgador científico especializado em astronáutica, Pedro Pallotta, explicou que a autodestruição do foguete no ar foi a decisão correta em caso de perda de controle. Em voos espaciais, o sistema de segurança é acionado imediatamente quando o veículo se desvia da rota planejada, a fim de excluir quaisquer riscos para os objetos terrestres.

Pallotta enfatizou que a falha deve ser atribuída ao fabricante, e não ao centro de Maranhão. Sua função neste modelo de negócios é fornecer o espaço físico e o suporte operacional terrestre. Ele declarou: «Isso é ruim para a Base Alcântara? Não, nem um pouco. Porque eles alugam suas instalações para realizar essas missões. Assim, quanto mais lançamentos houver lá, melhor para o Brasil».

Enquanto isso, a empresa sul-coreana precisará realizar uma revisão minuciosa de seus processos de engenharia. Segundo Pallotta, falhas na sequência minam a confiança do mercado e exigem um ajuste imediato no controle de qualidade antes das próximas tentativas.

O envolvimento de parceiros internacionais, como a InnoSpace, que já possui a subsidiária InnoSpace Brasil em São José dos Campos (SP), faz parte da estratégia da Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil S.A. (ALADA). Esta empresa estatal, autorizada no início de 2025, foi criada especificamente para conduzir acordos comerciais e estimular a indústria de alta tecnologia do país.

As causas exatas da falha do voo ainda estão sendo investigadas. Em entrevista à Olhar Digital, o presidente da ALADA, Sérgio Roberto de Almeida, observou que os fatores que levaram ao incidente estão sob investigação rigorosa. Ele acrescentou: «O que aconteceu é objeto de uma investigação minuciosa por parte das autoridades competentes».

O diretor executivo também lembrou que falhas durante testes fazem parte da rotina de qualquer empresa aeroespacial consolidada. «Como este foi um voo de teste, os dados coletados serão analisados pelas equipes técnicas e servirão de base para melhorar as próximas etapas. Problemas fazem parte do processo de desenvolvimento e verificação de tecnologias espaciais. As empresas que são líderes mundiais hoje no setor também passaram por vários ciclos de testes, ajustes e treinamentos antes de alcançar maior sucesso em suas atividades».

Almeida enfatizou as significativas vantagens geográficas do centro de Maranhão no mercado internacional. «O Centro de Lançamento de Alcântara está localizado a aproximadamente 2°18′ ao sul do equador, o que é uma posição geográfica extremamente favorável para certos tipos de lançamentos espaciais. A proximidade com o equador permite aproveitar a velocidade de rotação da Terra, contribuindo para aumentar a eficiência dos lançamentos, especialmente para órbitas de baixa inclinação».

O foguete SEBIT foi desenvolvido para voos suborbitais, atingindo altitudes de até 100 quilômetros, mas sem entrar em órbita terrestre. Este tipo de veículo é usado principalmente para testar componentes, realizar pesquisas científicas e verificar tecnologias antes de missões maiores.

As expectativas do setor estão focadas nos próximos passos da InnoSpace, que planeja testar o veículo orbital HANBIT-Nano. Segundo Pallotta, nas próximas fases, o fabricante deve demonstrar progresso gradual. «Eu espero muito que tenha havido melhorias e que eles consigam realizar um lançamento que pelo menos avance. Algo que consiga chegar ao espaço, mesmo que não seja em órbita. Mas pelo menos alcançar o espaço seria um grande passo à frente».

A realização regular de missões em Alcântara atrairia a atenção de investidores no setor aeroespacial. Como observou Pallotta, essa visibilidade é crucial para fortalecer a infraestrutura brasileira: «O Brasil precisa disso, pelo menos para dissipar o estigma em torno da Base Alcântara de que ela não consegue colocar nenhum foguete em órbita, mesmo que não seja culpa da base. Eu acho que isso é uma boa publicidade para a base, para que outras empresas acabem querendo lançar aqui».

Histórias semelhantes

Roteador Amazon Leo para internet via satélite é certificado no Brasil
Leia mais
tecnoblog.net

Roteador Amazon Leo para internet via satélite é certificado no Brasil

O serviço de internet via satélite Amazon Leo está próximo do seu lançamento comercial no Brasil: o roteador que será usado pelos clientes recebeu certificação da Anatel na sexta-feira (14/08).

Esta certificação foi obtida a tempo, pois o início comercial deve ocorrer no Brasil até o dia 29 deste mês, a menos que a empresa solicite uma nova prorrogação à Anatel. Anteriormente, o serviço passou por testes em duas cidades brasileiras no ano passado.

O dispositivo possui o modelo L1LA10 e suporta conexão Zigbee, Bluetooth LE (provavelmente para comunicação com o aplicativo) e Wi-Fi 6 de banda dupla. Na parte traseira, há três portas: uma RJ45 para conexão com a antena de satélite, outra RJ45 para acesso cabeado à internet e uma entrada C6 para alimentação.

De acordo com as fotos de certificação da FCC (Comissão Federal de Comunicações dos EUA), o L1LA10 tem dimensões de cerca de 17 centímetros de largura e profundidade, o que o torna bastante grande para um roteador. Ele também é relativamente pesado, pois quase metade do volume interno é ocupada por um bloco de alimentação de 140 W, e a estrutura interna é feita de metal.

O equipamento utiliza vários chips da Qualcomm: QCA8081 para as portas Ethernet, QCN6112 como rádio de 5 GHz e o SoC IPQ5018, que é o 'cérebro' do produto e contém dois núcleos Cortex-A53 da ARM.

A certificação da antena, que a Amazon chama de ODU em sua documentação, ainda não foi concluída, e a empresa não divulga o significado dessa abreviatura.

O Amazon Leo entra em um mercado que deve se tornar mais competitivo. Atualmente, a Starlink domina praticamente sozinha o segmento de internet via satélite de órbita baixa (LEO), especialmente para usuários individuais, embora a Eutelsat OneWeb também ofereça seus serviços no Brasil, mas apenas para clientes corporativos. A empresa chinesa SpaceSail também obteve permissão para operar no país, o que deve ocorrer até 2028.

A Starlink ocupa posições de liderança no mercado brasileiro de internet via satélite, possuindo a maior base de clientes neste segmento e sendo a 12ª provedora de acesso fixo de banda larga no país. Em breve, a empresa também planeja oferecer serviços diretamente para smartphones em áreas remotas em parceria com a Vivo.

Este é mais um segmento de mercado no qual a Amazon pretende competir. Para isso, a empresa adquiriu a Globalstar por US$ 11,5 bilhões (cerca de 57 bilhões de reais brasileiros), obtendo acesso à constelação de satélites existente, bem como ao espectro e aos direitos de uso existentes.

Os serviços de banda larga fixa via satélite no Brasil serão vendidos através da Sky, já que ambas as empresas assinaram o acordo correspondente em 2024.

Popular