Vale das Almas, na Bolívia, é um destino notável por suas formações geológicas e lendas locais
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Vale das Almas, na Bolívia, é um destino notável por suas formações geológicas e lendas locais

Localizado a cerca de 20 quilômetros do centro da capital La Paz, o Vale das Almas, também conhecido como Valle de las Ánimas, constitui um ponto turístico pitoresco para quem planeja uma viagem pela Bolívia. Esta área, que abrange aproximadamente 2.500 hectares, situa-se entre as regiões de Ovejuyo, Pedregal e Cañón de Palca.

O destaque da paisagem são as impressionantes estruturas geológicas, formadas por colunas, pináculos e agulhas de rochas sedimentares que podem alcançar até 200 metros de altura. Situadas a cerca de 3,9 mil metros acima do nível do mar, essas formações foram moldadas ao longo de milhões de anos pela erosão causada pelo vento, pela água e pelo degelo glacial.

Embora seja um tesouro escondido da Bolívia, distante do burburinho da cidade grande, o Vale das Almas permanece acessível para visitantes partindo da capital. Ele é particularmente recomendado para aventureiros que desejam uma conexão mais íntima com a natureza e com os mistérios que circundam a região.

Lendas e Mistérios do Destino

Visitar o Vale das Almas implica também conhecer as narrativas que sustentam o misticismo do local. A lenda central, enraizada na tradição oral das comunidades aimarás locais, está ligada ao formato das rochas, especialmente quando iluminadas pela lua ou ao anoitecer. Os picos esguios são interpretados como silhuetas espectrais, representando espíritos congelados ou pessoas petrificadas.

Esse aspecto místico é reforçado pelos sons gerados pelo vento ao passar pelas fendas estreitas entre as rochas, produzindo ruídos que os moradores interpretam como lamentos e sussurros de almas atormentadas. Na visão de mundo andina, o vale é visto como um espaço de transição onde se manifesta a Pachamama, a Mãe Terra, ou como um portal espiritual onde as almas dos falecidos fazem uma parada antes de prosseguir sua jornada. Devido a isso, a tradição local aconselha evitar gritar ou perturbar o ambiente sem a devida autorização espiritual.

Exploração e Pontos de Interesse

O acesso ao Vale das Almas já é uma atração por si só, pois o caminho sinuoso, cercado por picos rochosos, oferece uma experiência de total imersão na paisagem. As trilhas, que duram entre uma e três horas, percorrem cenários quase intocados e levam a dois pontos de entrada principais: a Quebrada Ovejuyo e a Quebrada Negra.

Próximo a esses locais, a Laguna de las Ánimas, em Ovejuyo, proporciona uma vista panorâmica dos cumes nevados da Cordilheira Real, incluindo o Mururata. Além disso, outros mirantes naturais estão espalhados pelo percurso, oferecendo visões de 360 graus de La Paz e permitindo avistar o imponente Nevado Illimani, uma montanha considerada sagrada que contorna o horizonte. As próprias trilhas entre as enormes agulhas de rocha criam labirintos pétreos, possibilitando a observação detalhada da erosão que deu origem a essas formas verticais de aparência quase gótica.

É comum integrar ao roteiro do Vale das Almas outras atrações, como a Muela del Diablo, uma formação rochosa de aproximadamente 150 metros que se assemelha a um dente pontiagudo. Outra alternativa próxima e bem conhecida é o Valle de la Luna, caracterizado por suas formações mais arredondadas e excêntricas em comparação com o Vale das Almas, e que pode ser explorado por trilhas bem sinalizadas.

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Subterrâneas de Ametista do Sul, no Rio Grande do Sul, oferecem atrações ligadas à jazida de ametistas

Em 2013, a pedra ametista foi designada como o mineral símbolo do Rio Grande do Sul. Este reconhecimento foi formalizado por meio de um projeto de lei em 2015, o que ajudou a destacar a importância de Ametista do Sul, uma cidade pitoresca localizada no norte do estado.

Este pequeno município, com pouco mais de 7 mil habitantes, é conhecido como a «capital mundial» da pedra que lhe dá nome. Localizada a aproximadamente 440 quilômetros de Porto Alegre e a 93 quilômetros de Chapecó, a cidade está assentada sobre a maior jazida de ametistas do planeta, e sua economia depende tanto da extração mineral quanto das atividades turísticas e agropecuárias.

A cidade oferece uma alternativa interessante para quem busca explorar o interior gaúcho, propondo roteiros focados na história local e nas práticas de mineração.

História e Descoberta

Os registros históricos de Ametista do Sul remontam ao começo do século XX. Naquela época, a região, que antes era coberta por mata virgem e habitada pelo povo Kaingang, começou a receber colonizadores vindos de cidades vizinhas. As primeiras descobertas de ametistas ocorreram na década de 1940, momento em que o local recebeu o apelido de «Cordilheira».

As ametistas, pertencentes à família do quartzo, são notáveis por sua cor púrpura, que varia entre um lilás claro e um roxo profundo e intenso. Originalmente, elas eram encontradas próximas às raízes de árvores, nas margens de riachos e durante o preparo dos campos agrícolas, o que impulsionou um significativo movimento migratório em busca desses recursos minerais. Com isso, foram iniciados túneis horizontais que hoje se estendem por quilômetros sob a cidade, abrigando várias atrações importantes.

Atrações Turísticas Subterrâneas

Uma grande parte das atrações em Ametista do Sul está instalada em minas que foram desativadas e agora servem a diversos propósitos. Dentre elas, destaca-se o Ametista Parque Museu, que exibe um vasto acervo contendo mais de 2 mil espécimes de minerais raros.

Neste museu, a visita começa com um percurso pelas galerias de uma mina inativa há mais de 25 anos. Lá, os visitantes aprendem sobre o processo de formação das pedras e os aspectos da atividade mineradora. Além disso, o local oferece outras experiências, como um mirante, tirolesa e uma loja de joias.

Outro ponto de interesse, situado em uma área de garimpo montanhosa, é o Complexo Belvedere Mina. Seu principal atrativo é o único restaurante temático de pedras ametistas do mundo, construído dentro de uma mina preservada a 70 metros de profundidade e com mesas decoradas com o mineral. O complexo também disponibiliza uma piscina subterrânea iluminada com cores, permitindo aos visitantes conhecer técnicas de mineração e a história regional. Para quem planeja uma estadia mais longa, o local também oferece opções de hospedagem.

Adicionalmente, Ametista do Sul abriga a Mina Beer, a primeira microcervejaria subterrânea do mundo. Esta cervejaria, localizada em uma mina desativada, proporciona a degustação de diferentes tipos de cervejas artesanais em um cenário único, cujas paredes ainda mostram vestígios das antigas operações de extração de ametistas.

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