A cidade do Cabo aprovou um contrato multimilionário para o fornecimento de eletricidade de um Produtor de Energia Independente (Independent Power Producer). O objetivo deste acordo é aumentar a segurança energética e reduzir as tarifas, apesar das preocupações dos moradores sobre seu impacto.
O contrato, que será celebrado com a empresa Make A Difference Ventures, faz parte de uma série de licitações plurianuais com duração superior a três anos. De acordo com o relatório apresentado ao conselho, a taxa de inflação neste contrato estará atrelada ao índice de preços ao consumidor, em contraste com o índice de aumento de preços imprevisível e significativamente mais alto da Eskom.
O relatório adicionalmente indicava que os termos do contrato preveem uma taxa inferior aos preços atuais pelos quais a Cidade adquire eletricidade da Eskom. Espera-se que os consumidores se beneficiem da redução das tarifas e da desaceleração do aumento tarifário, e a economia da Cidade ao longo de 20 anos é estimada em 1,7 bilhão de randes.
O relatório também observou que o impacto nas tarifas será menor do que os custos atuais da Cidade do Cabo com a Eskom. Além disso, o contrato afetará a receita se o conselho decidir reduzir o pagamento feito pelos clientes para refletir o custo de produção.
O relatório acrescentou que a economia do Cabo se beneficiará significativamente com a atração de negócios impulsionada por maior estabilidade energética e custos de energia mais acessíveis.
No entanto, o membro do conselho do ANC, Siyabonga Duka, expressou preocupação, acreditando que o contrato traria mais benefícios à cidade do que aos moradores. Duka observou que os dados existentes são preocupantes, pois os moradores que compram eletricidade através da Cidade do Cabo recebem menos unidades do que aqueles que compram diretamente da Eskom. Ele questionou se a Cidade investirá capital direto no projeto IPP e como este acordo trará benefícios tangíveis às famílias.
Ele alertou para o risco de adotar um modelo onde os moradores pagam mais por menos, o que parece ser um 'lobo em pele de cordeiro'. Embora seja apresentado como inovação e garantia de segurança energética, isso pode levar ao aumento das tarifas para os segmentos de população menos favorecidos. Duka também pediu que a Cidade realizasse uma análise completa de custo-benefício e garantisse a participação das comunidades no processo.
A membro do conselho do DA, Zimkita Sulelo, refutou a alegação de que os moradores recebem menos unidades ao comprar eletricidade da Cidade. Sulelo afirmou que esta é uma forma da Cidade compensar dívidas, e eles não pretendem pedir desculpas por isso. Ela também lembrou que o prefeito Geordie Hill-Lewis prometeu inicialmente acabar com o monopólio da Eskom no fornecimento de eletricidade quando as tarifas da empresa de serviços públicos eram excessivamente altas.
Sulelo reconheceu a seriedade do compromisso de 20 anos, mas enfatizou que uma gestão financeira responsável não significa renunciar a investimentos. Ela declarou: 'Não podemos reclamar do aumento das tarifas da Eskom e recusar-nos a criar alternativas'. Ela acrescentou que é impossível falar em segurança energética permanecendo dependentes da Eskom, e não se pode afirmar querer eletricidade acessível e confiável recusando-se a investir. Segundo ela, em algum momento a liderança política deve tomar decisões difíceis.
Apesar das objeções do ANC, GOOD Party, National Coloured Congress, Patriotic Alliance e PAC, o contrato foi aprovado. Entre outros contratos plurianuais aprovados estavam uma licitação de 100 milhões de randes para consultoria em engenharia e habitação, uma licitação de 218 milhões de randes para soluções de gerenciamento de TI e modernização da Woodtracker Road em Maitland no valor de 179 milhões de randes.
