De acordo com um relatório analítico da ILO-NCAER, apesar da flexibilidade oferecida pela plataforma de trabalho, a participação das mulheres na crescente economia de plataformas na Índia permanece limitada. Os principais obstáculos são o acesso insuficiente a serviços financeiros formais, lacunas em literacia digital, preocupações com segurança e normas sociais restritivas.
O documento intitulado 'Promovendo a acessibilidade financeira digital para mulheres na economia de plataformas' destaca que as mulheres precisam de acesso a uma ampla gama de serviços financeiros durante todo o processo de trabalho nas plataformas. Esses serviços incluem capital inicial, empréstimos de curto prazo, seguro, ferramentas de poupança e planejamento financeiro.
O crédito baseado em fluxo de caixa foi apontado como uma alavanca chave para garantir a acessibilidade, especialmente porque as mulheres raramente possuem terras ou bens que possam ser usados como garantia. Registros digitais de pagamentos através das plataformas podem fornecer aos credores provas verificáveis de renda e capacidade de reembolso.
Durante um painel de discussão sobre a publicação deste relatório analítico, Suresh Goyal, CEO da NCAER, afirmou que 'a melhor proteção para uma mulher são pequenos recursos próprios, e o acesso ao crédito e a mobilidade são condições importantes para melhorar as oportunidades de emprego das mulheres. A economia de plataformas proporcionou essa oportunidade.'
O relatório analítico identificou duas formas de utilizar o rastro digital das mulheres: a aplicação da Infraestrutura de Dados Abertos da Índia, incluindo o sistema Account Aggregator, para garantir a portabilidade de dados financeiros; e a possibilidade de as plataformas colaborarem com credores, oferecendo empréstimos, poupanças e seguros através de seus aplicativos.
Michiko Miyamoto, Diretora da ILO, observou que 'a acessibilidade financeira digital deve permitir que as mulheres criem segurança financeira, resiliência e fontes de renda viáveis.'
Radhika Kapoor, especialista sênior da ILO, indicou que a integração da infraestrutura de dados abertos financeiros com os registros e-Shram poderia expandir o acesso, desde que medidas de proteção contra vieses algorítmicos sejam implementadas.
Além disso, o relatório mencionou a posse de dispositivos como uma barreira, visto que o acesso digital das mulheres é frequentemente mediado por membros da família.
Segundo estimativas do NITI Aayog, a força de trabalho de plataformas na Índia pode crescer de 12 milhões em 2024-25 para 23,5 milhões até 2029-30. O Professor Ratna Sahai, diretor do Centro de Gênero e Macroeconomia da NCAER, concluiu que 'o rastro digital nas plataformas pode mudar drasticamente a situação das mulheres no acesso ao crédito, desde que haja regulamentação que incentive a inovação, garantindo ao mesmo tempo a proteção do consumidor e a estabilidade financeira.'
