Mães nos Emirados Árabes Unidos usam cada vez mais AirTags para rastrear filhos na escola
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Mães nos Emirados Árabes Unidos usam cada vez mais AirTags para rastrear filhos na escola

Um número crescente de mães nos Emirados Árabes Unidos (EAU) coloca dispositivos Apple AirTags nas mochilas dos filhos ou os prende a pulseiras. Elas afirmam que esses pequenos gadgets lhes dão uma sensação de tranquilidade durante os trajetos para a escola, nos percursos de ônibus e durante passeios.

Segundo essas mães, o objetivo principal do uso dos rastreadores não é o controle constante de cada momento da vida da criança. É, antes, uma forma de reduzir a ansiedade que pode surgir, especialmente quando uma criança pequena começa a ir à escola sozinha de ônibus pela primeira vez.

Mariam, uma das mães, compartilhou sua experiência: «Coloquei um na bolsa da minha filha quando ela estava no KG1. Eu estava muito preocupada com o ônibus. Era reconfortante ver que ela havia saído da escola e estava indo para lá.»

Fátima observou que esse sentimento de ansiedade se manifesta mais fortemente em relação ao filho mais velho. Ela acrescentou: «Acho que geralmente é o primeiro filho. Depois disso, as mães se acostumam.»

Outra mãe, Nour, relatou que prendeu um AirTag no pulso de seu filho quando ele estava no primeiro ano e planeja fazer isso novamente no ano letivo atual. Aisha considera o dispositivo útil, pois seu filho usa o ônibus escolar e participa de excursões escolares.

A Apple posiciona os AirTags como dispositivos para encontrar objetos, como chaves e mochilas, e não como meios especializados de segurança infantil.

No entanto, o Dr. Alexander Machado, neuropsicólogo clínico sênior e especialista em neuromodulação avançada no Medicare Royal Specialty Hospital, alerta que essa tendência pode indicar um problema mais profundo — a tentativa de adultos de lidar com sua própria ansiedade através da vigilância contínua.

O Dr. Machado declarou: «Devemos parar de tratar as crianças como bagagem rastreável. Para criar adultos capazes, independentes e emocionalmente estáveis, devemos estar dispostos a suportar o desconforto, dando-lhes a liberdade de existir sem monitoramento constante.»

Ele enfatizou que, além do objetivo declarado de segurança, essa prática pode se tornar parte de um estilo parental hipervigilante, que deixa pouquíssimo espaço para a criança explorar, cometer pequenos erros e desenvolver independência na idade.

Na opinião do Dr. Machado, o monitoramento regular pode transmitir uma mensagem prejudicial implícita de que a criança não é capaz de lidar com as coisas sozinha e que o mundo é inerentemente inseguro. Ele afirma que, com o tempo, isso pode enfraquecer a autoconfiança e a resiliência emocional.

O Dr. Machado observou que famílias que enfrentam ameaças específicas e anômalas, ou que vivem em áreas com sérios problemas de segurança, podem abordar a questão de maneira diferente. No entanto, ele acredita que em locais que considera geralmente seguros, incluindo os EAU, o rastreador pode estar relacionado não tanto à proteção imediata da criança, quanto ao alívio da ansiedade descontrolada do adulto.

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