Uma nova pesquisa visa estudar como as crianças em centros de desenvolvimento precoce percebem as mudanças climáticas, visto que há uma escassez de dados sobre como as crianças pequenas na África do Sul enfrentam ou compreendem esse fenômeno.
Este estudo é realizado em parceria com o Midlands Community College e o Sesame Workshop International South Africa, e é financiado pelo Grindrod Family Centenary Trust. Ele foi aprovado pelo Departamento de Educação de KwaZulu-Natal.
A pesquisa foca em descobrir como crianças de 0 a 5 anos, seus cuidadores e especialistas em desenvolvimento infantil precoce (ECD) em KwaZulu-Natal entendem, vivenciam e reagem às mudanças climáticas. Isso ocorre diante de evidências crescentes de que os impactos das mudanças climáticas são sentidos mais intensamente por crianças em comunidades rurais e desfavorecidas.
Apesar dos compromissos políticos climáticos na África do Sul, faltam provas de como as mudanças climáticas já afetam o dia a dia dos cidadãos mais jovens do país. Fenômenos como inundações, secas e calor extremo interrompem a frequência aos centros de desenvolvimento precoce, sobrecarregam os cuidadores e permanecem não documentados nos dados nacionais. O objetivo deste estudo é criar essa base de evidências para que a experiência das próprias crianças influencie a resposta do país, e não permaneça um aspecto secundário.
Questões que a investigação científica irá explorar:
Os pesquisadores pretendem descobrir como as crianças, cuidadores e especialistas em ECD em KwaZulu-Natal conceituam e interagem com as questões de mudanças climáticas e sustentabilidade ambiental. Também se estuda quais problemas climáticos são mais comuns entre as famílias, como os conceitos ambientais são introduzidos às crianças em casa e nas instituições de ECD, e quais obstáculos impedem a educação climática nesses centros.
Além disso, o estudo determinará quais recursos são mais necessários para pais e especialistas ajudarem as crianças a gerenciar os riscos relacionados ao clima. O trabalho começou em junho de 2026 e se estenderá até fevereiro de 2027 nos centros de ECD de KwaZulu-Natal.
Candi Goodlad, do Midlands Community College, observou que as mudanças climáticas já estão moldando o desenvolvimento das crianças através de inundações, secas e interrupções escolares, mas há pouquíssimos dados sobre como elas ou os adultos que as criam e educam compreendem ou lidam com essa situação. Ela enfatizou que esta pesquisa visa preencher essa lacuna e garantir que as crianças sejam vistas como a base para a tomada de decisões, e não como algo secundário na resposta da África do Sul às mudanças climáticas.
Fatima Rawat, do Sesame Workshop International South Africa, declarou que a organização acredita há muito tempo no poder das crianças como agentes de mudança quando lhes é oferecida uma educação alegre e apropriada para a idade. Esta parceria permite criar uma base de evidências verdadeiramente local para a aprendizagem precoce focada no clima em KwaZulu-Natal.
Os resultados obtidos fornecerão dados básicos para todo o setor de ECD, incluindo organizações de recursos e treinamento, para fortalecer os programas de ECD sensíveis ao clima. Isso inclui o desenvolvimento de materiais educacionais contextualmente relevantes, abordagens de integração curricular, estratégias de envolvimento dos pais e intervenções em nível comunitário.
Espera-se também que o estudo aprofunde a compreensão de como eventos climáticos, como seca, inundações, calor extremo e mau tempo, afetam a saúde física, o bem-estar emocional das crianças e seu acesso a ambientes de aprendizado seguros. Os pesquisadores acreditam que, embora as crianças não tenham criado a crise climática, elas já vivem nela, e este estudo é o primeiro passo para que sua experiência molde a resposta, e não apenas as consequências.
