Jovens na China pagam para frequentar escritórios fictícios devido à crise de emprego
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Aaj Tak
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Jovens na China pagam para frequentar escritórios fictícios devido à crise de emprego

Na China, observa-se um sério problema de empregabilidade entre os jovens. Em vez de ficarem em casa procurando trabalho, alguns jovens recorrem aos chamados 'escritórios fictícios', onde não precisam realizar trabalho real, mas estão dispostos a pagar por isso do próprio bolso.

De acordo com um relatório da revista Fortune, os jovens chineses gastam diariamente entre 30 e 50 yuans (equivalente a aproximadamente 4,20 a 7 dólares ou 401,98 a 669,97 rupias) para permanecerem nessas 'empresas que simulam trabalho' (pretend to work company). Embora esse valor pareça pequeno, representa um gasto significativo para os jovens, considerando que o salário médio anual no setor não estatal da China é de cerca de US$ 16.000. Assim, os gastos anuais com a frequência desses escritórios podem chegar a aproximadamente US$ 1.820.

Nesses locais, jovens desempregados dedicam-se aos seus startups, candidatam-se a vagas e interagem com outros que procuram emprego. Além disso, são fornecidas diversas comodidades, como acesso a computadores, lanches, almoços e bebidas.

Esses espaços simulados de trabalho estão localizados em grandes cidades da China, incluindo Shenzhen, Xangai, Nanjing, Wuhan, Chengdu e Kunming. De acordo com o relatório, 14,5% dos jovens entre 16 e 24 anos na China estão procurando emprego. O problema vai além da simples falta de trabalho; alguns jovens desempregados na China começaram a se chamar 'Rat People' nas redes sociais, passando a maior parte do tempo na cama, usando o telefone, dormindo e pedindo comida. Outro grupo de jovens adota esse fenômeno como uma tendência de 'Lying Flat' — o desejo de minimizar os esforços na vida.

Especialistas observam que, embora o gasto de dinheiro com a aparência de trabalho no escritório possa parecer ilógico para os desempregados, esses locais podem ser mais eficazes na criação de novas oportunidades do que ficar sozinho em um apartamento, para aqueles que procuram emprego. Christian Yao, professor sênior da School of Management da Victoria University of Wellington na Nova Zelândia, informou ao BCC que a prática de fingir trabalhar se tornou muito comum.

A necessidade desses locais surge do crescente descompasso entre as mudanças econômicas, a educação e o emprego, forçando os jovens a procurar opções temporárias ou a refletir sobre seu futuro. Os escritórios fictícios tornaram-se uma dessas opções durante este período de transição. A gravidade da crise de emprego na China é sublinhada pelo fato de que o professor de economia da Universidade de Pequim, Zhang Dandan, avaliou a taxa de desemprego juvenil em até 46,5% em 2023. Após esse período, a revista Fortune relatou que o governo chinês parou de publicar dados estatísticos correspondentes.

Após registrar um nível recorde de desemprego juvenil por três meses consecutivos, o governo chinês suspendeu completamente a coleta de dados sobre o assunto. Essas estatísticas preocupantes incluíam 16 milhões de trabalhadores chineses em idade ativa, mas que se limitavam a trabalhos mínimos para se manter, sem almejar cargos altos.

O governo chinês está tomando medidas para reduzir o alarmante nível de desemprego juvenil. Já em 2011, o Ministério da Educação alertou que os currículos universitários com taxas de emprego abaixo de 60% por dois anos consecutivos poderiam ser fechados. Para evitar o fechamento de seus programas, algumas universidades chinesas solicitaram que os graduados inflacionassem artificialmente suas taxas de emprego. Henry Gao, professor de direito na Singapore Management University, declarou em 2023 à South China Morning Post que a situação real do desemprego juvenil na China pode ser muito pior do que os números mostram, pois as instituições de ensino recebem incentivos por inflacionar as taxas de emprego. Também houve relatos de que faculdades contratam seus próprios graduados para ocultar dados reais.

Apesar de surgirem sinais de melhora na situação do desemprego, estar desempregado como profissional na China é tão comum que os jovens começam a exibir seu desemprego como uma espécie de orgulho. Em vez de 'girl bossing', os jovens da Geração Z se autodenominam 'Rat People', passando os dias na cama, navegando no feed do telefone, cochilando e pedindo comida. Essa tendência se popularizou nas redes sociais Weibo, Rednote e Douyin.

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