Estudo sugere que supercentenários podem possuir células imunológicas raras com potencial anti-câncer
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Estudo sugere que supercentenários podem possuir células imunológicas raras com potencial anti-câncer

Pesquisadores publicaram um artigo na revista Cell Reports sugerindo que indivíduos classificados como supercentenários podem apresentar uma grande quantidade de um tipo específico de célula do sistema imunológico. Essas células, conhecidas como células CD4 citotóxicas, seriam potencialmente benéficas no combate ao câncer e poderiam contribuir para que essas pessoas atinjam idades muito avançadas.

Os próprios autores do estudo ressaltam que esta hipótese ainda não foi confirmada, principalmente devido ao fato de essa célula rara ser pouco investigada e sua função exata permanecer desconhecida.

Para a investigação, cientistas de universidades japonesas coletaram dados de três grupos de participantes: oito pessoas com idades entre 70 e 99 anos, dez pessoas entre 100 e 109 anos, e dez indivíduos com 110 anos ou mais. Os achados indicaram que o grupo mais jovem tinha uma proporção normal dessas células, correspondendo a 4% do total de células T CD4. Essa taxa aumentou para 10% entre os centenários e subiu para aproximadamente 18% nos supercentenários.

O estudo destaca a dificuldade inerente ao acompanhamento de supercentenários, visto que poucos indivíduos atingem tal longevidade; no Brasil, por exemplo, há apenas 37 mil pessoas com 100 anos ou mais, e este grupo diminui ainda mais ao considerar os supercentenários acima dos 110 anos.

Em termos globais, a expectativa de vida ao nascer ronda os 73 anos, embora este dado varie conforme a região, sendo influenciado por fatores como o acesso à infraestrutura básica, o nível de renda, o desenvolvimento nacional e o modo de vida. No Brasil, o IBGE aponta uma média ligeiramente superior, de 76,4 anos.

Mesmo ultrapassando o centenário, esses indivíduos frequentemente mantêm boa qualidade de vida, raramente desenvolvendo doenças como câncer, demência ou problemas cardíacos.

Células Especializadas

Todos possuem linfócitos T CD4, que são glóbulos brancos responsáveis por orquestrar a defesa corporal e fazer parte do sistema imunológico adaptativo. Sua função é monitorar o organismo em busca de células danificadas, infectadas ou cancerosas, sinalizando o problema para outras células imunes, como os linfócitos T CD8, que então neutralizam o alvo.

Existe um subgrupo mais escasso das células CD4, denominado CD4 citotóxicas. Embora menos estudadas, há evidências crescentes de que estas células podem eliminar diretamente células malignas, incluindo aquelas de câncer de pulmão e melanoma, atuando assim como agentes assassinos e não apenas como sentinelas.

Uma descoberta anterior, em 2019, apontou que essas células tendem a se multiplicar à medida que as pessoas chegam aos 90 anos. O presente estudo buscou quantificar como essas células se alteram durante o processo de envelhecimento.

Como as células foram detectadas circulando no sangue, a equipe não conseguiu identificar os tecidos específicos onde elas residem nem suas funções exatas. Contudo, ao analisar os receptores celulares e compará-los com um banco de dados de CD4, cerca de 30 sequências do estudo coincidiram com as de pacientes com câncer nesse banco de dados. Isso sugere que elas podem ser especializadas em destruir células cancerígenas, mesmo que essa ação não tenha sido observada.

Alguns especialistas pedem cautela na interpretação desses resultados. Alejandro López-Soto, bioquímico da Universidade de Oviedo, na Espanha, afirmou à Nature que a noção de que essas células protegem os centenários contra o câncer é biologicamente viável e animadora, mas continua especulativa até que seus antígenos sejam identificados e a destruição tumoral direta seja comprovada.

Adicionalmente, alguns questionam se a amostra da pesquisa pode ser insuficiente. No entanto, os pesquisadores argumentam que é necessário considerar a complexidade do cenário: no Japão, local da pesquisa, existem apenas cerca de 150 supercentenários, tornando a participação de dez pessoas um número significativo na prática.

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