O Irã comunicou a descoberta de 7,5 trilhões de pés cúbicos de gás na província de Fars, localizada no sul do país. Este anúncio foi feito pelo ministro do Petróleo e ocorre durante o que é descrito como uma «guerra econômica» iniciada pelos Estados Unidos contra a República Islâmica.
Mohsen Paknejad, em declarações divulgadas pela agência de notícias Shana, vinculada ao Ministério do Petróleo, ressaltou que esta nova descoberta adiciona uma quantidade considerável de hidrocarbonetos às reservas nacionais do Irã, refletindo os esforços da indústria petrolífera em identificar e explorar novos recursos.
O governante iraniano calculou que cerca de 5,7 trilhões de pés cúbicos do total descoberto podem ser extraídos. Essa quantidade seria suficiente para suprir a produção da primeira fase de South Pars, o maior campo de gás natural do mundo, por um período de 15 anos.
Além disso, o depósito contém um volume expressivo de gás condensado, o qual, segundo Paknejad, tem potencial para gerar milhões de dólares para o Irã.
Desde o início da ofensiva conjunto entre Israel e os Estados Unidos contra o Irã, ocorrida em 28 de fevereiro, o exército israelense atacou o campo 'offshore' de South Pars duas vezes. Este campo é compartilhado entre o Catar e a República Islâmica, que respondeu atacando instalações energéticas de países vizinhos no Golfo Pérsico.
Embora o Irã possua a segunda maior reserva mundial de gás natural e a terceira maior de petróleo, o país enfrenta dificuldades na exploração desses recursos. Consequentemente, ele sofre com apagões tanto no verão quanto no inverno e é forçado a importar gasolina.
Paralelamente, as sanções impostas pelos Estados Unidos dificultam a exportação dos produtos petrolíferos iranianos. A descoberta surge em um momento em que o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou o que chamou de «Dia D econômico», descrevendo-o como «a operação econômica mais devastadora alguma vez realizada contra qualquer país», visando encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz.
Washington ainda não detalhou as novas medidas econômicas contra a República Islâmica, mas Scott Bessent, secretário do Tesouro norte-americano, alertou que nações que prestarem «qualquer tipo de ajuda vital ao Irã» enfrentarão repercussões econômicas.
Masoud Pezeshkian, o presidente iraniano, admitiu publicamente que a sociedade iraniana está enfrentando «numerosas dificuldades» sob a crescente pressão econômica dos Estados Unidos. Contudo, em um discurso veiculado pela televisão estatal, o líder iraniano afirmou que seu país está engajado em uma «guerra total nas frentes econômica, militar e de segurança».
Pezeshkian também argumentou que a tentativa dos Estados Unidos de desmantelar a estrutura de poder vigente na República Islâmica e implantar autoridades mais alinhadas a Washington, como visto na Venezuela, fracassou totalmente. Ele declarou: «O Irã não só não se tornou como a Venezuela, como o mundo ficou surpreendido com o nosso poder», acusando os EUA de combinar ataques militares com táticas de desestabilização interna.
Em relação aos acordos anteriores, as partes haviam assinado um memorando de entendimento em 17 de junho, que previa um cessar-fogo imediato e negociações por 60 dias para um acordo de paz, prazo que expirou na segunda-feira. No entanto, os conflitos recomeçaram logo após a assinatura do memorando, e o Irã restaurou as restrições à navegação comercial no Estreito de Ormuz – por onde transitavam 20% dos bens petrolíferos globais antes do conflito –, enquanto os Estados Unidos retomaram o bloqueio naval aos portos iranianos.
As ameaças no Estreito de Ormuz forçaram os exportadores de petróleo da região a buscar rotas alternativas, notavelmente no Mar Vermelho, onde os rebeldes Houthi do Iêmen, apoiados por Teerão, impuseram seu próprio bloqueio naval à Arábia Saudita.
Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador iraniano, alertou que o Estreito de Ormuz não será reaberto enquanto Washington não cumprir os termos do protocolo assinado em junho. Isso mantém a pressão sobre os preços dos combustíveis e sobre o presidente Donald Trump, a cerca de dois meses das eleições intercalares nos Estados Unidos. Enquanto isso, o Irã e Omã, vizinhos em ambos os lados do estreito, estão debatendo há semanas a futura administração dessa passagem, em um acordo negociado fora do processo de diálogo entre Washington e Teerão.
