Pequeno motivo sassanida de pássaro descoberto no sul do Irã
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Pequeno motivo sassanida de pássaro descoberto no sul do Irã

O arqueólogo Abolhasan Atabaki relatou uma descoberta que ele descreve como o menor motivo de pássaro conhecido do período Sassânida. Este motivo, medindo apenas 3 por 2 centímetros, está gravado em pedras na planície de Marvdasht, na província de Fars, no sul do Irã.

A pequena imagem foi executada com técnica de perfuração ou gravação e está localizada perto de uma inscrição em persa médio (Pahlavi), datada do período sassânida tardio. Segundo Atabaki, o pássaro está aparentemente ligado às ideias expressas na inscrição, em particular ao conceito de salvação da alma.

Atabaki observou que, na cultura iraniana antiga, os pássaros eram frequentemente associados à sorte, à entrega de mensagens, à ascensão da alma e à conexão entre os mundos terreno e celestial. Ele acrescentou que essa tradição visual não desapareceu após a queda do Império Sassânida, mas continuou com mudanças durante o período islâmico, atingindo o auge na pintura em miniatura persa.

Os pássaros sentados em galhos tornaram-se um elemento recorrente na arte de várias escolas de miniatura persa, especialmente durante as dinastias Ilkhanid, Timurid e Safávida. Atabaki enfatizou que tais pássaros serviam não apenas como elementos decorativos, mas também contribuíam para a atmosfera poética e espiritual das pinturas.

A historiadora Najme Ebrahimi sugeriu que este motivo também pode ser interpretado em relação à morte e às crenças na alma. Ela explicou que nas tradições iranianas, a morte era vista não como o fim da existência, mas como a transição da alma do mundo material para o espiritual. Assim, o pássaro, posicionado entre a terra e o céu, pode servir como metáfora para a transição da alma e a conexão entre a existência terrena e a pós-vida.

Ebrahimi relatou que o estudo da gravação mostrou que o pássaro foi representado de forma muito linear, utilizando sulcos estreitos e pouco profundos esculpidos na pedra. O artista, aparentemente, definiu a pequena imagem principalmente por seus contornos usando uma ferramenta pontiaguda.

A inscrição próxima em Pahlavi, contendo referências à salvação e ao destino da alma, fornece a base para uma possível interpretação simbólica do pássaro. Ebrahimi acrescentou que nas tradições religiosas e épicas iranianas, os pássaros frequentemente carregavam significados que iam além de sua existência natural, sendo por vezes considerados intermediários entre os mundos material e espiritual ou portadores de mensagens divinas.

A localização da gravação e da inscrição reforça sua importância. A planície de Marvdasht permaneceu uma paisagem política e religiosa importante do Irã desde o primeiro milênio a.C. até o período sassânida. A proximidade desta área com grandes sítios arqueológicos, como Persépolis, Naqsh-e Rostam e Naqsh-e Rajab, indica que a região continuou a fazer parte de uma paisagem ritual e cultural importante na era sassânida.

Ebrahimi concluiu que a combinação de uma inscrição religiosa com um motivo natural simbólico na pedra corresponde às tradições em que os elementos naturais eram usados para transmitir conceitos religiosos. Ela classificou esta pequena gravação juntamente com a inscrição em Pahlavi como um exemplo raro de interação entre imagem e texto na arte sassânida tardia, observando que o estudo completo da descoberta ajudará a compreender melhor o papel do simbolismo dos pássaros e dos conceitos religiosos na arte e cultura sassânidas.

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