Investimentos na juventude são vistos como a melhor solução para superar as mudanças demográficas
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Investimentos na juventude são vistos como a melhor solução para superar as mudanças demográficas

O Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), em conjunto com os ministérios da Saúde e do Trabalho, marcou o Dia Mundial da População, focando nas necessidades da juventude e nos obstáculos para alcançar famílias e futuros desejados.

De acordo com um comunicado do UNFPA de 16 de agosto, uma análise do impulso demográfico do Irã sob a ótica dos desejos dos próprios jovens confirmou um consenso geral: responder às mudanças demográficas exige investimentos de longo prazo nos jovens. Esses investimentos devem abranger políticas intersetoriais em áreas como educação, garantias de emprego, habitação, serviços de saúde reprodutiva e proteção social, criando condições para que os jovens participem de sociedades inovadoras, sustentáveis e economicamente fortes.

Um elemento central da discussão foi o relatório principal do UNFPA, 'Vida, Escolha e Futuro', que apresenta os resultados da Pesquisa sobre o Futuro Demográfico para 2025–2026. Este relatório é uma das fontes de dados mais geograficamente diversas sobre como os jovens adultos percebem relacionamentos, parentalidade e futuro. Ele se baseia nas opiniões de mais de 108.000 pessoas entre 18 e 39 anos de 73 países, fornecendo aos participantes um espelho global para estudar os debates que ocorrem no próprio Irã.

Entre os resultados identificados que influenciaram a discussão, destacou-se que mais de dois terços dos entrevistados aspiram a casar ou viver com um parceiro. O tamanho familiar ideal mais comum em cinco dos sete grupos regionais é uma família de dois filhos. Os principais obstáculos para a formação de parcerias, tanto para homens quanto para mulheres, são as restrições econômicas e habitacionais. Além disso, a estabilidade financeira é o critério principal para entrar em parceria (81%) e para ter filhos (88%). O emprego estável (87%) e a prontidão emocional (85%) também estão entre os pré-requisitos que os jovens estabelecem para si mesmos antes de se tornarem pais.

Dois terços dos inquiridos consideram seu futuro como ligeiramente positivo ou muito positivo, apesar das preocupações com conflitos, instabilidade econômica e desigualdade. O evento, que reuniu reitores de universidades, cientistas, representantes da sociedade civil e órgãos governamentais no hotel Tehran Ghalb, junto ao Ministério da Saúde e Educação Médica, teve como objetivo levar o debate demográfico além dos números e metas, mudando o foco para as esperanças, escolhas e limitações da geração que decide quando e como formar famílias em um mundo incerto.

Discurso do Vice-Ministro da Saúde

O evento começou com a fala do Dr. Alireza Raisi, vice-ministro da saúde, que apelou para uma mudança na abordagem dos políticos em relação à estrutura populacional. Ele afirmou que o crescimento populacional não ocorre por meio de políticas baseadas no medo, coerção ou 'pau e chicote'; mesmo que isso acontecesse, não traria benefícios. Segundo ele, os jovens precisam de esperança, confiança e segurança no futuro: trabalho, moradia, segurança econômica e um futuro previsível. A tarefa dos políticos, ele enfatizou, não é encontrar culpados, mas sim remover os obstáculos diante da juventude.

O Dr. Raisi acrescentou que qualquer política de população não pode ser bem-sucedida sem atenção às mulheres, que, em sua opinião, nunca devem ser forçadas a escolher entre trabalho e família. Ele também observou que, mesmo com o aumento da população, o envelhecimento é uma mudança estrutural inevitável, causada pelo aumento da expectativa de vida devido aos avanços no sistema de saúde e previdência, à qual o país deve se preparar — desde o projeto de cidades até os sistemas de saúde e bem-estar. Ele também enfatizou a importância e a acessibilidade de dados para o desenvolvimento de políticas baseadas em evidências e programação eficaz.

Duas mesas redondas, uma questão

A programação incluiu dois painéis de especialistas, reunindo profissionais de universidades, ministérios e organizações internacionais. O primeiro painel foi dedicado às mudanças demográficas e à política no Irã e no mundo, comparando tendências nacionais com a experiência mundial e analisando a reação de diferentes países. O segundo painel focou nos casamentos jovens, na taxa de natalidade e na sustentabilidade populacional.

O representante do UNFPA no Irã, Sr. Kayta Okhashi, elogiou o capital humano do Irã, ao mesmo tempo que apontou lacunas existentes no mercado de trabalho. Ele observou que o Irã possui um capital humano notável — altos níveis de conhecimento e alfabetização —, o que é uma grande vantagem. No entanto, persistem problemas: há muitos mulheres e jovens que não trabalham, não estudam ou não são treinados, e eles precisam de atenção. Em sua opinião, maternidade e entrada no mercado de trabalho não devem ser vistas como opções concorrentes; pelo contrário, o apoio a mães trabalhadoras e a mulheres em geral deve crescer para que as mulheres possam ingressar no mercado de trabalho sem adiar a maternidade.

Sr. Majid Hosseinpour, do Ministério da Cooperação, Trabalho e Previdência Social, abriu o segundo painel, destacando o extremamente baixo nível de atividade econômica das mulheres — cerca de 4 milhões de 25 milhões de pessoas economicamente ativas — e a necessidade de adaptar as estruturas e políticas econômicas.

Apresentando o segundo painel, Amir-Hossein Vaezi, chefe do Centro de Pesquisa Estratégica e Desenvolvimento no Ministério do Esporte e Juventude, utilizou dados de três ondas da Pesquisa Nacional de Valores e Atitudes da Juventude do Irã (2013, 2020 e 2024). Ele declarou que, de acordo com os dados da pesquisa, os jovens iranianos ainda valorizam muito a família, o casamento e o nascimento de filhos, mas a forma de concretizar esses anseios sofreu um 'deslocamento de atitudes'. Hoje, os jovens avaliam suas decisões sob a ótica da segurança econômica, perspectivas futuras, qualidade de vida, confiança mútua e possibilidade de conciliar papéis familiares e sociais. Ele concluiu que restaurar a sustentabilidade populacional não significa um retorno mecânico aos modelos antigos, mas implica criar potencial de longo prazo para a formação da família, levando em conta as opiniões da juventude e transformando dados de pesquisa em políticas práticas.

O UNFPA no Irã reafirmou seu compromisso com a colaboração com parceiros nacionais com base em prioridades nacionais, para que cada jovem possa realizar suas esperanças e aspirações hoje e no futuro.

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