Especialistas dos Emirados Árabes Unidos alertam sobre os perigos da mania fitness, dietas extremas e exercícios excessivos
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Especialistas dos Emirados Árabes Unidos alertam sobre os perigos da mania fitness, dietas extremas e exercícios excessivos

À medida que as tendências de perda de peso, programas de treinamento intensos e conteúdo fitness cuidadosamente selecionado continuam a dominar as redes sociais, especialistas em saúde alertam que a busca pelo corpo 'ideal' pode, às vezes, prejudicar a saúde.

Os médicos observam que estão cada vez mais vendo casos em que as pessoas levam dietas e exercícios físicos ao extremo. A restrição calórica prolongada, a perda de peso rápida e o excesso de exercícios podem potencialmente afetar negativamente o equilíbrio hormonal, a saúde óssea e o bem-estar mental.

A Dra. Priyanka Porwal, especialista em medicina interna na Aster Clinic na Sheikh Zayed Road, em Dubai, afirmou que em sua prática ela vê uma crescente atenção dos pacientes ao peso, forma corporal e fitness, às vezes a ponto de hábitos saudáveis se tornarem extremos não saudáveis. Ela enfatizou que a saúde exige equilíbrio, e a perda desse equilíbrio leva o corpo a enviar sinais de alerta.

Uma das principais preocupações associadas a dietas extremas e exercícios excessivos é a baixa disponibilidade de energia, quando o corpo não recebe energia suficiente para sustentar tanto a atividade física quanto as funções vitais. A Dra. Porwal relatou que os pacientes podem inicialmente sentir fadiga, tontura, má concentração, irritabilidade e queda no desempenho esportivo. Se a falta de energia persistir, isso pode levar à deficiência de nutrientes, perda de massa muscular, desequilíbrios hormonais e piora da saúde óssea.

Ruba El Hourani, chefe do departamento de saúde preventiva e nutrição no RAK Hospital, acrescentou que a insuficiência crônica de energia também enfraquece o sistema imunológico e, em casos graves, pode causar distúrbios eletrolíticos, aumentando o risco de ritmos cardíacos anormais. Entre outras complicações possíveis, ela citou fraturas por estresse, fadiga crônica, baixa capacidade de recuperação, problemas digestivos e maior risco de transtornos alimentares.

El Hourani observou que muitos acreditam erroneamente que 'mais exercícios' e 'menos comida' levam automaticamente a uma melhoria da saúde. No entanto, ela alertou que após um certo ponto, esse comportamento se torna prejudicial e pode minar seriamente tanto a capacidade física quanto a saúde a longo prazo.

A Dra. Gaida Qaddaha, consultora de endocrinologia e diabetologia no Medcare Hospital Al Safa, indicou que a restrição calórica severa, o jejum prolongado e a perda de peso muito rápida podem resultar na falta de energia e nutrientes suficientes no corpo. Ela concordou que uma dieta saudável e exercícios regulares são importantes para o estado geral de saúde, mas os problemas surgem quando alguém leva qualquer um desses aspectos ao limite.

A Dra. Porwal também relatou que a perda de peso rápida aumenta a probabilidade de complicações como cálculos biliares e doença do refluxo gastroesofágico. Para a maioria das pessoas, ela considera mais sustentável uma perda de peso gradual de 0,5 a 0,9 kg por semana do que tentativas de emagrecer rapidamente.

A Dra. Porwal enfatizou que 'exercício é remédio, mas, como qualquer medicamento, a dosagem é importante'. Ela esclareceu que muito pouco pode não ajudar, e muito pode causar danos evidentes. Os especialistas alertam que a privação prolongada de nutrientes pode perturbar o equilíbrio hormonal e reprodutivo tanto em mulheres quanto em homens, embora os sintomas possam diferir.

Em mulheres, a baixa disponibilidade de energia pode perturbar os hormônios que regulam o ciclo menstrual, levando a períodos irregulares ou amenorreia. Níveis baixos e prolongados de estrogênio podem diminuir a densidade óssea, aumentando o risco de fraturas por estresse e afetando potencialmente a fertilidade. A Dra. Qaddaha confirmou que 'em mulheres, a baixa disponibilidade de energia pode perturbar os hormônios que regulam o ciclo menstrual, levando a períodos irregulares ou à parada total da menstruação'. Ela acrescentou que, com o tempo, isso pode afetar a fertilidade e, combinado com baixos níveis de estrogênio, contribuir para a diminuição da densidade óssea e aumento do risco de fraturas por estresse.

Homens, por sua vez, podem enfrentar uma diminuição nos níveis de testosterona devido à restrição calórica crônica e ao excesso de treinamento. Isso pode se manifestar como diminuição da libido, fadiga, alterações de humor, problemas de fertilidade e perda de massa muscular. Ambos os sexos podem perder massa muscular com a perda de peso rápida, especialmente se houver ingestão insuficiente de proteínas e não forem realizados treinos de força. A saúde óssea também sofre com mudanças hormonais persistentes, nutrição inadequada e sobrecarga de exercícios.

A Dra. Porwal concluiu que 'o objetivo do fitness é adicionar anos à vida, e não apenas subtrair quilos na balança'. Os especialistas acreditam que o volume de exercícios ou restrições dietéticas por si só não determina se o comportamento se tornou não saudável; é muito mais importante o quanto a comida, a atividade física e a imagem corporal controlam a vida de uma pessoa.

Sinais de alerta incluem contagem constante de calorias, verificação repetida do peso ou forma corporal, exclusão de grupos inteiros de alimentos sem indicação médica, sentimentos de culpa ou ansiedade após comer, bem como grande angústia ao pular um treino. Um sinal de alerta também é treinar estando doente, lesionado ou exausto. Além disso, priorizar exercícios sobre sono, trabalho, estudo, relacionamentos ou atividade social é motivo de preocupação.

Sintomas físicos podem fornecer dicas adicionais: perda de peso inexplicável ou rápida, fadiga constante, tontura, frio incomum, queda de cabelo, alterações no ciclo menstrual e lesões recorrentes. A Dra. Qaddaha aconselhou: 'Se a alimentação, a atividade física ou a imagem corporal começarem a interferir nos relacionamentos, trabalho, estudos, sono ou vida diária, é hora de procurar um médico ou um profissional qualificado em saúde mental'. Ela destacou que os transtornos alimentares podem afetar pessoas de qualquer tipo físico, portanto, a aparência não deve ser o único critério para determinar a necessidade de ajuda.

Esses sinais de alerta são especialmente importantes para pais ao observar adolescentes. A Dra. Porwal apontou que perda de peso inexplicável, mudanças de humor, isolamento social, pulo de refeições, exercícios excessivos e crescente obsessão por calorias ou forma corporal devem causar preocupação. Ela lembrou que 'um estilo de vida saudável deve permitir que você coma um bolo de festa, tire um dia de folga e vá de férias sem sentir que cometeu um crime'.

Os especialistas também insistem que o descanso faz parte do fitness, e não um sinal de falta de autodisciplina. Os médicos observam que as redes sociais criam pressão adicional, especialmente em adolescentes e jovens adultos. Fotos altamente editadas, filtros, poses específicas e conteúdo tipo 'fitspiration' formam uma visão irrealista de como deve ser um corpo saudável. Os jovens podem comparar sua aparência real e não filtrada com a imagem online cuidadosamente selecionada de outra pessoa.

El Hourani notou que influenciadores podem promover dietas extremas, exercícios intensos ou transformações corporais rápidas sem revelar o papel da genética, suporte profissional, edição de fotos, iluminação ou interesses comerciais. Isso pode estimular a alimentação restritiva, o excesso de esforço e o uso de suplementos ou produtos de emagrecimento não regulamentados, o que potencialmente aumenta o risco de transtornos alimentares e problemas de saúde mental. A Dra. Qaddaha também apontou para os algoritmos que podem criar um ciclo de feedback, mostrando aos usuários que interagem com conteúdo de emagrecimento ou transformação corporal cada vez mais desse tipo de conteúdo.

Para a Dra. Porwal, a mensagem chave é que a aparência não pode dar um quadro completo da saúde. Ela declarou: 'Uma foto não pode contar sobre o equilíbrio hormonal de uma pessoa, densidade óssea, sono, saúde mental ou status nutricional'. Ela também enfatizou que não existe um único corpo 'ideal'; a genética, idade, sexo e fisiologia individual estão envolvidos no processo. A Dra. Porwal acrescentou: 'O espelho pode mostrar como você parece. Ele não pode dizer o que está acontecendo com seus hormônios, ossos ou coração'. Os especialistas recomendam focar em força, energia, mobilidade, recuperação e bem-estar geral, em vez de tentar replicar a aparência de outra pessoa. Como disse a Dra. Porwal, 'Fitness deve torná-lo mais forte, mais saudável e mais feliz, e não exausto, ansioso e assustado.'

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