Neste verão, a aluna Ezosa Beshimjanova, de Tashkent, trocou o calor pelo frio ártico. Ela se tornou uma das 22 vencedoras estrangeiras do projeto internacional 'Quebra-Gelo do Conhecimento' e viajou em um quebra-gelo nuclear em direção ao Polo Norte. Em duas semanas, Ezosa adquiriu experiência que mostrou como a ciência vai além do currículo escolar, conheceu colegas de diferentes países e reavaliou suas possibilidades pessoais.
Ao chegar ao local, quando o guia mencionou Uzbequistão, Ezosa começou a descer do quebra-gelo para o gelo, segurando a bandeira nacional. Apesar do forte vento e do vasto espaço nevado, antes da viagem, a aluna imaginou muitas vezes o Polo Norte e suas sensações no ponto de cruzamento dos meridianos. Antes de desembarcar, ela sentiu uma forte emoção.
Ezosa recorda: «Eu tinha medo de que algo desse errado e, ao mesmo tempo, sentia a responsabilidade por representar meu país. Esperei tanto por este momento que, quando ele chegou, senti uma grande emoção por dentro. Quando coloquei o pé na neve, finalmente percebi: eu realmente estou aqui! Estava frio ao redor, tudo era branco, o vento soprava no rosto, e eu estava no Polo Norte. Então, comecei a pensar: se eu consegui chegar a este lugar, então muitas outras coisas pelas quais me dedicar, talvez, também sejam possíveis.»
A viagem no âmbito do projeto 'Quebra-Gelo do Conhecimento' não é um passeio comum ou o fim de um concurso. Este projeto foi concebido como uma missão educacional para estudantes, onde a Ártica serve como palco para o estudo das ciências naturais, tecnologias nucleares, profissões modernas e interação internacional.
Seleção e Participação no Concurso
A seleção internacional do projeto 'Quebra-Gelo do Conhecimento - 2026' consistiu em três fases. Inicialmente, os participantes deveriam responder a 30 perguntas de um quiz científico sobre ciências naturais, energia nuclear, tecnologias modernas e o Ártico. Em seguida, seguiram-se palestras de especialistas e a realização de tarefas. Com base nos resultados das duas primeiras fases, dez finalistas foram selecionados em cada país, aos quais foi pedido que criassem uma apresentação de vídeo criativa sobre o impacto das tecnologias nucleares no mundo moderno. O júri internacional avaliou a argumentação, o conhecimento do tema, a originalidade do pensamento e a capacidade de expor conceitos técnicos complexos de forma clara.
Cerca de cinco mil adolescentes entre dezesseis e dezessete anos participaram da rodada de seleção. No final, 22 estudantes de 22 países diferentes foram vencedores, incluindo Ezosa Beshimjanova do Uzbequistão. A expedição ocorreu no quebra-gelo nuclear '50 Anos de Vitória', e a organização foi feita pela corporação estatal 'Rosatom'.
Para Ezosa, a vitória no concurso não foi acidental; ela começou a demonstrar interesse em projetos juvenis e olimpíadas ainda na sétima ou oitava série. Ela admitiu que as primeiras tentativas nem sempre tiveram sucesso, mas cada candidatura subsequente se tornava mais forte, e o desejo de vencer transformou-se em um plano claro de autodesenvolvimento.
«No início, eu me inscrevia em cerca de dez pequenos concursos realizados em Tashkent, mas nem sempre passava mesmo lá. Após cada recusa, tentava entender o que fiz de errado: onde escrevi mal o texto, onde me apresentei mal no vídeo. Quando preparei o vídeo de apresentação para o 'Quebra-Gelo do Conhecimento', a experiência anterior já havia ajudado muito. Eu observava se havia construído a história de forma interessante o suficiente, se havia escolhido as frases corretas e se conseguia me mostrar», — compartilha ela.
A história de Ezosa demonstra que o caminho para o sucesso em uma seleção tão ampla nem sempre começa com um currículo perfeito. Muitas vezes, inclui uma sucessão de fracassos, durante os quais o adolescente aprende a analisar erros, trabalhar com informações, expressar seus pensamentos e continuar tentando.
Programa Educacional a Bordo do Quebra-Gelo
A expedição serviu como uma etapa educativa marcante do projeto. A bordo, foi planejada uma programação intensa para os participantes, incluindo palestras, seminários práticos, experimentos científicos e encontros com especialistas russos e estrangeiros. Os estudantes estudaram a Ártica, as tecnologias nucleares modernas e o funcionamento da frota de quebra-gelos nucleares.
Inicialmente, Ezosa esperava que a maioria das aulas fosse dedicada à física e ao estudo do Ártico. No entanto, o programa real acabou sendo muito mais amplo. Os participantes assistiram a palestras sobre astronomia, física atômica e a história da exploração do Oceano Glacial Ártico, além de aprenderem chinês, técnicas de filmagem e condução de entrevistas.
A palestra que foi realizada perto da Ilha Franz Josef foi a que mais impressionou Ezosa. O navio estava perto do arquipélago e de um assentamento abandonado onde pesquisadores haviam trabalhado anteriormente. O especialista falou sobre a história deste arquipélago, mostrando aos participantes os locais que viam do convés.
«Não era nada parecido com uma aula comum. Eles contavam sobre a história desses lugares e imediatamente diziam: 'Olhe para a esquerda, ali está tal objeto'. Você escuta a explicação e vê tudo com seus próprios olhos ao mesmo tempo. Talvez seja por isso que a informação foi lembrada de uma maneira completamente diferente», — observa Ezosa.
Algumas atividades planejadas não ocorreram conforme o plano inicial. Por exemplo, o experimento de lançamento de um dispositivo em uma bola cheia de hélio não pôde ser realizado no Polo Norte devido ao forte vento. Mais tarde, os participantes repetiram esse lançamento perto da Ilha Franz Josef. Mesmo esse contratempo não planejado fez parte do aprendizado, pois destacou que a ciência nem sempre segue um roteiro, e circunstâncias externas podem mudar o plano, e o primeiro fracasso não exige desistir da ideia.
Autodeterminação Profissional Através de Conversas com Especialistas
Uma parte significativa do 'Quebra-Gelo do Conhecimento' foram os encontros com mentores e especialistas. Os participantes foram informados não apenas sobre os princípios de funcionamento das tecnologias, mas também sobre como as pessoas entram em certas áreas de atividade: onde estudaram, em quais projetos participaram e quais perspectivas de carreira a especialidade escolhida oferece.
«Eu me interesso por relações internacionais e pretendo escolher essa área após terminar a escola. No quebra-gelo havia uma mentora que trabalha nessa área. Ela contou como as relações internacionais se tornaram sua profissão, em quais projetos participou e em quais lugares conseguiu ir graças ao seu trabalho. Eu queria fazer-lhe cada vez mais perguntas, porque a experiência dela era muito próxima do que me interessa. Depois deste encontro, tive ainda mais motivação para me desenvolver nessa área. Eu vi não apenas o nome da especialidade, mas uma pessoa viva e um possível caminho profissional», — explica Ezosa.
Outros participantes discutiram seus planos de carreira com físicos, engenheiros, médicos e especialistas da indústria nuclear. Por exemplo, um novo amigo de Ezosa, que sonhava em medicina, teve uma visão mais clara sobre a área adequada após conversar com um especialista com formação médica. Assim, durante a viagem, os participantes não recebem respostas prontas sobre o futuro, mas têm a oportunidade de interagir com especialistas e correlacionar seus interesses com a atividade profissional real.
Ciência Transpondo Barreiras Linguísticas
A parte internacional do projeto contou com a participação de estudantes da Europa, África, Ásia e América Latina. A bordo, reuniram-se adolescentes com experiências culturais diversas, falando diferentes idiomas, mas unidos por um interesse comum em ciência e tecnologia. O inglês tornou-se o meio de comunicação de trabalho. Para Ezosa, este foi um dos primeiros grandes testes da expedição.
«No primeiro dia, eu ficava tímida em abordar os garotos e iniciar uma conversa. Eu achava que poderia não entender algo ou dizer algo errado em inglês. Mas depois eles começaram a vir até mim, e rapidamente percebi que estava me preocupando demais. Depois de algum tempo, falava tão fluentemente que quase me senti nativa», — lembra ela.
Ezosa criou laços especiais com participantes do Cazaquistão, Egito, Armênia e Indonésia. Eles trocaram histórias sobre seus países, prepararam apresentações juntos e deram uns aos outros lembranças. Do Uzbequistão, Ezosa trouxe um тюбетейка (touca), halva, kurt, moedas e ímãs com imagens de pilaf, pão e samsa. Inesperadamente, o presente mais procurado foi um pequeno apito de argila em forma de pássaro, que os participantes pediam para ouvir.
Para Ezosa, a importância do projeto vai além da Ártica. «Em primeiro lugar, eu diria sobre as oportunidades que se abrem após o projeto e o conhecimento que adquirimos. Participar do 'Quebra-Gelo do Conhecimento' pode dar oportunidades adicionais para outros programas e admissão na universidade. Mas o mais importante para mim foram os encontros. Agora sei que se eu for para outra parte do mundo, pode haver alguém lá para me receber, porque em diferentes pontos da Terra eu tenho pessoas próximas e meus primeiros amigos internacionais», — conclui ela.
Encontro com Habitantes do Ártico
Um dos momentos mais memoráveis da expedição foi o encontro com ursos polares. Ezosa recorda que nos dois primeiros dias o navio navegou através de uma forte tempestade, e muitos participantes tiveram dificuldades em se adaptar ao balanço e às condições difíceis. Uma noite, ela acordou com barulho no corredor. Minutos depois, a mentora avisou: «Vista-se rápido, há um urso lá!». Vários participantes saíram na proa do navio, onde realmente estava o dono do Ártico, quase junto ao convés.
«No começo, eu não entendia o que estava vendo, que era um urso. Parecia que estava vendo tudo em um sonho. Depois ele começou a andar, e a neve estalou sob suas patas. Foi então que ouvi esse som e entendi que tudo estava acontecendo de verdade. Sentamos muito quietos, então podíamos ouvir como ele respirava e andava», — conta Ezosa.
Mais tarde, os participantes receberam uma palestra sobre ursos polares, seu habitat e estilo de vida. A informação científica foi percebida de maneira completamente diferente após a observação pessoal do animal em seu ambiente natural. Ezosa percebeu que a Ártica é, antes de tudo, lar de seres vivos, e os humanos são apenas visitantes temporários aqui.
