A República Islâmica do Irã enfrenta sanções econômicas dos Estados Unidos há décadas, o que restringe seu comércio internacional e dificulta a comercialização de seu petróleo, principal fonte de receita. A situação é agravada pelo bloqueio imposto pelos EUA a navios e portos iranianos no Estreito de Ormuz, em contexto de guerra.
Após não conseguir subjugar Teerã pela força, o presidente americano Donald Trump anunciou uma 'operação econômica mais devastadora já empreendida contra qualquer país', denominada 'Dia D econômico' contra o Irã, visando encerrar um conflito que se aproxima de seis meses e reabrir o Estreito de Ormuz.
As autoridades em Teerã responderam a essa nova ameaça com postura de desafio. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, declarou na rede social X que já haviam vivenciado situações semelhantes, afirmando que 'outros agressores' também tentaram impor condições, e relembrou que Washington aplicou diversas campanhas de sanções nos últimos anos sem atingir seus propósitos.
Adicionalmente, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Ismail Bagaei, assegurou que tais medidas não afetarão a posição do Irã no conflito.
Apesar da retórica desafiadora do governo, a condição financeira do país é severa e piora mensalmente. A inflação anual registrada em julho atingiu 87,9%, sendo que no segmento de alimentos e bebidas, o aumento foi de 128%. O desemprego subiu de 7,3% para 9,1% no último ano, resultando na perda de aproximadamente 450.000 empregos, sem contar os cerca de dois milhões de vagas perdidas durante a guerra, segundo dados oficiais.
Essa deterioração alimenta o descontentamento popular, visto que a qualidade de vida da população diminui. Uma moradora de Teerã, de 64 anos, relatou à EFE Nahid que estão ficando mais pobres diariamente e enfrentam dificuldades para adquirir itens essenciais, expressando preocupação sobre a capacidade de suportar a situação desastrosa, mencionando que as famílias estão sofrendo muito.
Outras residentes de Teerã confirmaram o aperto financeiro; Fatima, de 39 anos, disse ser impossível 'alimentar os filhos como deveria'. Ela ressaltou que são sempre os cidadãos comuns e os mais necessitados que arcam com os custos da guerra e dos conflitos.
A situação pode se intensificar com novas sanções, cujo conteúdo ainda não foi divulgado pelos EUA. Contudo, o Secretário do Tesouro, Scott Bessent, alertou os países que forneçam 'qualquer tipo de ajuda vital ao Irã' sobre as consequências econômicas que sofrerão.
A China figura entre os países que auxiliam o Irã, comprando cerca de 90% do petróleo iraniano a preços reduzidos, e permanece incerto se ela apoiará as sanções americanas. Os Emirados Árabes Unidos (EAU) são outro parceiro econômico crucial, tendo anunciado recentemente a suspensão de todas as suas relações comerciais e transações financeiras com o país persa.
Antes do início da guerra, Abu Dhabi era um dos principais parceiros comerciais de Teerã, representando cerca de 30% das importações iranianas, avaliadas em 21 bilhões de dólares (aproximadamente 18,6 bilhões de euros) em 2024, conforme dados da Organização Mundial do Comércio.
Analistas convergem que é improvável que o Irã ceda à pressão econômica, mesmo diante da difícil conjuntura nacional e do crescente descontentamento popular. Danny Citrinowicz, pesquisador do programa iraniano do Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Israel (INSS), comentou na X que, se o objetivo for causar o colapso do Irã ou forçar seus líderes a capitular e conceder vantagens estratégicas, essa campanha provavelmente não alcançará seu propósito.
