Especialista afirma que Cidade do Cabo precisa de habitação, e não de mais feiras imobiliárias
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Especialista afirma que Cidade do Cabo precisa de habitação, e não de mais feiras imobiliárias

Existe a opinião de que a Cidade do Cabo não precisa mais de feiras imobiliárias; a cidade necessita de casas reais. Centenas de milhares de pessoas permanecem na lista de espera por moradia, e famílias trabalhadoras enfrentam o fato de serem expulsas do mercado imobiliário, enquanto os jovens não conseguem entrar no mercado habitacional. As pessoas são forçadas a gastar horas em deslocamento porque não podem pagar para viver perto dos locais de trabalho.

Esta semana, em Century City, a cidade reúne construtores, financiadores e participantes do setor habitacional para discutir investimentos e habitação acessível. Reconhece-se que a Cidade do Cabo precisa de investimentos, incluindo construtoras, bancos, construtores, instituições de habitação social, engenheiros, planejadores e capital.

No entanto, o autor enfatiza que não se pode equiparar investimentos à implementação real de projetos. Durante quase duas décadas de governo do partido DA na Cidade do Cabo, é evidente que a cidade não conseguiu fornecer habitação social e acessível na escala, velocidade, localização ou preço necessários para mudar a vida dos moradores comuns da Cidade do Cabo.

Até meados de 2025, foram concluídas a construção de 4.849 unidades de habitação social, das quais apenas 855 estavam a menos de dez quilômetros do centro da cidade. Embora a Cidade tenha declarado repetidamente planos para criar cerca de 12.000 unidades de habitação acessível, uma parte significativa das unidades planejadas em certos terrenos ainda não foi definitivamente alocada entre habitação verdadeiramente acessível e habitação de classe superior.

O autor insiste: um plano de desenvolvimento não é uma casa, um concurso não é uma casa, a transferência de terras não é uma casa, a nomeação de um construtor não é uma casa, e uma conferência de imprensa não é uma casa. Uma casa é uma família que recebe as chaves. É preciso contar chaves, não planos.

Desde o início do governo do DA na cidade em 2006, os atrasos deixaram de ser uma desculpa e tornaram-se resultado de políticas. Reinícios repetidos de estratégias transformam-se em aparência, e a reunião de investidores torna-se um reconhecimento silencioso do fracasso do modelo antigo. Surge a questão: é realmente possível aplicar a mesma solução ao mesmo problema e esperar um resultado diferente?

Anos atrás, a cidade dependia da transferência de terras, construtoras privadas, projetos de renda mista e incentivos a investimentos. Alguns projetos foram construídos, mas a escala da crise habitacional excede em muito as medidas tomadas. Centenas de milhares de pessoas permanecem nas listas de espera, famílias trabalhadoras são expulsas, os jovens não conseguem entrar no mercado, e as pessoas gastam muito tempo em deslocamento por não poderem viver perto do trabalho.

A situação está ligada à geografia do apartheid, que continua a afetar as oportunidades de vida. Isso afeta a empregada doméstica que limpa numa área onde não podia pagar para viver, a enfermeira que termina o turno da noite e enfrenta um longo caminho para casa, o professor, o guarda, o artesão, o funcionário municipal, o jovem recém-formado e o pensionista. Estas pessoas são residentes da Cidade do Cabo, e não aquelas que pedem permissão para entrar na cidade.

Portanto, a decisão do Tribunal Constitucional no caso Tafelberg tem um enorme significado, pois estabelece a habitação social e acessível em áreas bem localizadas como uma obrigação constitucional para eliminar a injustiça espacial.

É necessário parar de reduzir o problema exclusivamente à economia imobiliária. O terreno público não é apenas um ativo para monetização; é uma ferramenta de justiça. O capital privado não é o inimigo, mas deve servir a objetivos públicos. Os investimentos devem ser bem-vindos, sem privatizar os objetivos públicos.

A primeira pergunta não deve ser: que lucro o construtor precisa? Deve ser: o que o agregado familiar da Cidade do Cabo pode pagar? Deve-se começar pelo agregado familiar e depois projetar as finanças em ordem inversa. Se uma família ganha 10.000, 15.000 ou 20.000 randes por mês, que aluguel ou hipoteca ela pode sustentar após deduzir despesas com comida, eletricidade, transporte, escola e dignidade básica? Isso é acessibilidade.

A acessibilidade não é 'mais barato que o mercado', nem 'abaixo dos preços de Sea Point' nem 'desconto'. Acessível para quem? Esta questão deve ser feita por cada residente da Cidade do Cabo. Se a resposta excluir os trabalhadores comuns, então a habitação não é verdadeiramente acessível. Se a Cidade não puder indicar o número de unidades disponíveis a preços de 3.500, 5.000, 7.500 ou 10.000 randes por mês, isso significa que ainda se trata de branding, e não de transformação.

Existe também um aspeto democrático. Quem está presente nas reuniões em Century City? Devem estar presentes construtoras, bancos e investidores. Mas onde estão os moradores dos quintais traseiros? Onde estão os inquilinos? Onde estão os residentes de assentamentos informais? Onde estão as famílias jovens? Onde estão as pessoas nas listas de espera por moradia? Onde estão as comunidades afetadas pelas decisões de transferência de terras e desenvolvimento? Se estiverem lá, deve ser publicado um registo dos participantes e mostrar como influenciaram a agenda. Se não estiverem, isso não pode ser chamado de participação significativa. Conversar com quem financia a habitação é interagir com as partes interessadas; conversar com quem precisa de habitação é democracia. A Cidade do Cabo precisa de ambos.

São necessárias mudanças, não outro plano de desenvolvimento, não outro evento glamoroso e não outra promessa de que o mercado resolverá de alguma forma o problema que ele próprio ajudou a agravar. Vontade política significa escolher outro caminho. Significa um uso diferente do terreno público, e uma abordagem diferente para medir o sucesso. Significa aceitar o facto de que uma crise habitacional desta magnitude não pode ser resolvida projeto por projeto ou comunicado de imprensa por comunicado de imprensa.

A visão alternativa do autor é clara: a Cidade do Cabo precisa de uma 'Cidade Compacta Acessível'. Primeiro, definir a acessibilidade com base na renda do agregado familiar. Segundo, publicar todos os grandes terrenos habitacionais num banco de dados único e transparente, incluindo proprietário do terreno, número de unidades, grupos de rendimento, aluguel, preço de compra, construtor, subsídio, data de construção, data de conclusão e data de ocupação. Terceiro, usar o terreno público para valor público permanente, preferindo o arrendamento de longo prazo à venda. Usar contratos de arrendamento de longo prazo, fideicomissos de terras públicas, propriedade conjunta de ações, arrendamento com opção de compra e habitação cooperativa. Quarto, construir em grande escala, e não em parcelas isoladas, criando bairros de renda mista perto de transportes, trabalho, escolas e serviços. Quinto, criar um Fundo de Habitação Unificado da Cidade do Cabo, reunindo terras públicas, infraestrutura municipal, subsídios nacionais, subvenções de habitação social, financiamento de desenvolvimento, capital de pensões e investimentos privados responsáveis. Sexto, instituir uma Assembleia de Residentes para que os moradores comuns da Cidade do Cabo ajudem a definir a acessibilidade, a localização e o design antes que os negócios sejam formalizados para os investidores. E finalmente, estabelecer metas rígidas de implementação — casas, não possibilidades; ocupação, não anúncios; chaves, não promessas.

A Cidade do Cabo é maravilhosa, mas a beleza sem um sentido de pertença não é justiça. A cidade não pode celebrar o aumento do valor imobiliário enquanto as pessoas que garantem o funcionamento da cidade são empurradas cada vez mais longe das oportunidades. No final, é uma questão de vontade política. Por demasiado tempo, a cidade considerou a crise habitacional como um problema técnico de terra, finanças e licenças, quando também é uma escolha política. O que estamos a priorizar? Para quem estamos a projetar? Quem assume o risco? Quem recebe a terra? Quem recebe o rendimento? Quem recebe a chave?

Se a liderança política anterior continuar a levar ao mesmo resultado estrutural, a Cidade do Cabo deve estar pronta para escolher a mudança. Não são necessárias cortinas de fumo e espelhos, não é necessária outra versão da mesma fórmula, e não é preciso ouvir que outro plano de desenvolvimento é progresso. É preciso um governo com a coragem de usar o poder estatal, o terreno público e o capital privado de forma diferente. Um governo disposto a declarar que a habitação não é apenas uma mercadoria no mercado. Um governo que entende que a justiça espacial é política económica. Um governo que mede o sucesso pelo que as pessoas comuns podem viver com dignidade na cidade que apoiam.

Assim, sim, invistam. Sim, conectem. Mas conectem o capital às necessidades, a terra à justiça, o desenvolvimento à acessibilidade, as comunidades às decisões, as promessas à realização, e a Cidade do Cabo a um futuro diferente. As provas já estão diante de nós; a questão é se temos a vontade política de agir.

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