O acordo comercial entre os EUA e o Canadá não pôde ser concluído no último momento, o que impediu a mitigação do impacto das tarifas americanas sobre os produtos canadenses. Apesar de as negociações terem se estendido até tarde na sexta-feira, as partes não conseguiram chegar a um acordo final.
O Primeiro-Ministro do Canadá, Mark Carney, informou que os EUA fizeram alterações nas condições do acordo em cima da hora, o que ele considerou injusto e economicamente desvantajoso. Por essa razão, ele decidiu suspender o diálogo e devolveu a delegação canadense a Ottawa.
Por sua vez, em Washington, o representante comercial dos EUA, Jameson Greer, apresentou um quadro diferente, afirmando que o Canadá recusou finalizar o acordo sob as condições previamente acordadas, pois apresentou novas exigências e se afastou de alguns compromissos assumidos.
A delegação canadense, liderada pelo Ministro do Comércio Dominic Leblanc, passou várias horas no escritório de Greer, localizado perto da Casa Branca. Anteriormente, as partes estavam próximas de um acordo preliminar, que, segundo dados da CBC, previa a redução de certas tarifas setoriais em troca de concessões por parte do Canadá, incluindo a revogação de proibições regionais à venda de bebidas alcoólicas americanas.
Os principais pontos de discórdia foram as condições comerciais do aço, bem como as situações nos setores automotivo e florestal. Um dos fatores que contribuiu para o fracasso pode ter sido a participação do Ministro do Comércio dos EUA, Howard Latnick, que insistiu em condições mais rigorosas para o Canadá.
Após o fracasso das negociações, os EUA impuseram novos impostos de 50% a centenas de tipos de produtos canadenses, cujo valor total excede 28 bilhões de dólares. Carney alertou que o Canadá responderá a essas medidas no princípio de 'dólar por dólar'. Vale notar que, ainda em julho, os EUA anunciaram a imposição de tarifas adicionais de 50% sobre uma série de produtos canadenses, que deveriam entrar em vigor em 19 de agosto. Esta decisão foi tomada em resposta às restrições impostas pelas províncias canadenses contra produtos alcoólicos americanos, o que levou a uma redução de 81% nas importações de álcool dos EUA para o Canadá.
