Agente Hector acompanha comboio em direção ao Setor 7, enquanto a Cidade Branca planeja controle de recursos externos
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Agente Hector acompanha comboio em direção ao Setor 7, enquanto a Cidade Branca planeja controle de recursos externos

O grupo, que vinha percorrendo as estradas rachadas do deserto há mais de três horas, começou a ser banhado pelos primeiros raios de sol, tingindo as dunas de laranja e rosa. O Agente Hector observava pássaros e pequenos animais assustados pelo ruído dos motores.

O comboio era liderado por Colin, seguido de perto pelo Skyline roxo de Jesse e pelo Fusca de Peter, que trocavam posições frequentemente. Logo atrás vinha a picape de Val, carregada com um V8 e outros itens, e, por último, um Fiat vermelho atuava como vigia.

Charlie quebrou o silêncio, expressando a necessidade de comer algo, o que levou a uma discussão sobre onde conseguir suprimentos no meio do deserto. Charlie sugeriu pedir a Colin para parar no primeiro posto disponível, apesar da hesitação inicial do Agente Hector.

Discussão sobre o destino e o Setor 7

Hector questionou Charlie sobre o destino, lembrando-o que a próxima cidadela ficava a cerca de dois dias de distância e exigia agendamento prévio com os oficiais de acesso. Charlie riu, revelando que o destino era o Setor 7, um local que ele não visitava há dois anos, e mencionou estar devendo dinheiro a um morador de bar.

Ao saber do Setor 7, Charlie assumiu uma postura de superioridade, afirmando que o jogo havia mudado e que ele, como detentor da informação, manteria o segredo. Ele então contatou Colin, informando que estavam perto do Setor 7 e que fariam uma breve parada no Viaduto.

Hector sentiu-se confuso, pois semanas antes ele tinha total controle, mas agora estava na retaguarda de um grupo desconhecido indo para um local incerto. Ao chegarem ao viaduto, Charlie saltou do carro, ansioso por qualquer alimento, oferecendo pagamento triplicado por ração de emergência.

Jesse aconselhou Charlie a beber água, e este, percebendo que havia esquecido a fome, lembrou Hector que o Agente havia pensado que iriam para outra Cidadela.

Jesse questionou Hector sobre sua percepção de que o mundo terminava no muro da Cidade Branca. Hector, exausto e confuso, ajudou Jesse a despejar combustível no Fiat. Ao inalar o odor, Hector reconheceu o cheiro do duto cego, associando-o à oficina clandestina de Charlie e ao Setor de Descarte.

Val explicou que os moradores da Cidade Branca consideravam o Setor de Descarte um local para eliminar a química das baterias sem registrar, e ela apenas impedia que esse resíduo atingisse o lençol freático, indicando que o problema de um servia de solução para outro.

Jesse complementou, explicando que a vida fora dependia da sobra que a corporação alegava não existir, citando a colheita, a bomba de água e o gerador. Hector percebeu que, após vinte anos patrulhando as fronteiras, ele acreditava proteger a civilização da barbárie, quando na verdade, a barbárie era uma sociedade orgânica alimentada pelo lixo descartado pela Fabricante, e seu trabalho era apenas Relações Públicas.

Interrompendo a conversa, Hector perguntou a Colin o que era o Setor 7. Colin respondeu que era o «mundo real», onde não era necessário pedir permissão para ligar um motor.

Operações da Cidade Branca

Em contraste, em um escritório no 80º andar, a Cidade Branca mantinha uma temperatura constante de vinte graus, com a paisagem silenciosa vista através de uma parede de vidro curvo. O Diretor de Logística e o Executivo de Planejamento analisavam o sucesso da narrativa de «contenção de riscos», que agradava aos cidadãos, fazendo-os acreditar que a Fabricante mantinha o caos do deserto afastado de seus jardins.

Marcus, responsável técnico, confirmou que o duto cego do Setor de Descarte havia sido selado com concreto expansivo, registrando apenas «manutenção preventiva de contenção de efluentes». Ele afirmou ter cortado a matéria-prima na fonte, permitindo que as reservas de química clandestina no deserto acabassem em poucas semanas.

O Executivo elogiou Marcus, dizendo que o espetáculo externo cumpriu seu papel de Relações Públicas. Ele então apresentou o Projeto Heritage, que teria caminho livre assim que a concorrência informal dos habitantes do deserto diminuísse, permitindo que a patente da fórmula entrasse em vigor.

A estratégia era reintroduzir o motor a combustão no mercado, mas não como transporte diário, e sim como item de luxo para os moradores dos níveis superiores, que pagariam dez vezes o valor da eletricidade pelos combustíveis exclusivos. Marcus viu isso como um fluxo natural de negócios: usar o deserto para testar os motores gratuitamente e depois comercializar essa experiência.

Ao final, Marcus verificou um alerta pessoal: AGENTE_404_HECTOR – SINAL INATIVO / FORA DO PERÍMETRO. Ele sentiu apenas um incômodo prático com a rebeldia, murmurando sobre o «moleque teimoso».

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