O mercado de telefones celulares na América Latina vivenciou um segundo trimestre desafiador em 2026, com uma queda de 10% nas remessas regionais em comparação com o mesmo período do ano anterior. Contudo, duas grandes produtoras, Samsung e Apple, conseguiram apresentar resultados positivos, registrando crescimento.
Dados fornecidos pela Counterpoint Research indicam que a Samsung elevou suas remessas em 6% no segundo trimestre, enquanto a Apple obteve um avanço de 5%. Ambas foram as únicas fabricantes líderes a mostrar crescimento nesse período, visto que concorrentes como Motorola, HONOR e Xiaomi tiveram desempenho abaixo da média, seguindo a tendência de declínio do mercado latino-americano.
Essa retração de 10% representa a maior queda anual na região desde o terceiro trimestre de 2023, época em que a combinação de recessão econômica pós-pandemia e altos níveis de estoque havia causado uma redução de dois dígitos nas remessas.
Tina Lu, analista da Counterpoint Research, atribuiu a contração do mercado latino-americano à crise de memória e ao encarecimento dos Sistemas em Chip (SoCs). Ela explicou que "o mercado de smartphones da América Latina enfrentou um segundo trimestre desafiador em 2026. As crises de memória pioraram e o preço de SoC subiu ao longo do trimestre".
Apesar disso, a valorização das moedas de diversos países latino-americanos ajudou a mitigar parte do aumento de preços, permitindo que os fabricantes repassassem apenas parcialmente o aumento dos custos dos componentes aos consumidores.
No entanto, o impacto negativo foi mais perceptível nas faixas de preço de entrada e intermediárias, que constituem cerca de três quartos de todos os celulares vendidos na área, conforme apontou Lu. Além do aumento de custos, o acúmulo excessivo de estoque durante o primeiro trimestre também pressionou as remessas, pois os fabricantes haviam aumentado seus estoques antecipadamente, esperando novos reajustes de preços.
A Samsung soube capitalizar este cenário, aumentando suas remessas em 6% anualmente e fortalecendo sua posição regional. A empresa retomou a liderança em mercados como Colômbia, Peru e Equador, um movimento que a Counterpoint associa ao aumento do estoque disponível e à implementação de promoções agressivas nesses países, auxiliando seu crescimento mesmo em meio à retração geral.
O desempenho da Apple na América Latina reflete uma tendência global. No segundo trimestre de 2026, a empresa registrou um crescimento de 13% nas remessas mundiais comparado ao mesmo período de 2025, e sua receita cresceu 22%, representando 49% do faturamento total do mercado mundial de smartphones naquele período.
Este resultado sublinha a relevância do segmento premium para a Apple, especialmente em um momento de pressão causada pelo aumento dos custos de componentes. Na América Latina, essa abordagem permitiu que a Apple crescesse no trimestre em que o mercado regional experimentou uma das maiores quedas recentes. Enquanto o volume de remessas caiu 10% no mercado geral, a Apple avançou 5% e a Samsung cresceu 6%, demonstrando a capacidade das fabricantes de prosperar mesmo diante de custos elevados, excesso de estoque e menor procura nas categorias de entrada e intermediária.
