Os migrantes reassumiram a ocupação da praia de Ceuta logo pela manhã, após a conclusão dos trabalhos de limpeza e desinfeção realizados no local. Inicialmente, os migrantes estavam agrupados entre um quebra-mar e o muro da Estação de Dessalinização de Ceuta, conforme noticiou a agência espanhola Europa Presse.
Para que a limpeza pudesse ocorrer, a cidade autónoma espanhola havia imposto a condição de que os migrantes deixassem a área, visando assegurar a segurança dos trabalhadores. Enquanto os funcionários realizavam a limpeza, acompanhados pela polícia, os imigrantes que haviam pernoitado em El Trampolín aguardavam numa zona designada.
Neste período, outros imigrantes começaram a chegar, alguns transportando sacos de alimentos fornecidos por várias organizações não-governamentais (ONG) que atuam junto aos coletivos de imigrantes no terreno. Os porta-vozes dessas organizações informaram à Europa Press que os migrantes permaneceriam em El Trampolín até encontrarem outro local para passar a noite.
No entanto, no final da manhã, os migrantes voltaram a ocupar a praia assim que as tarefas de higienização foram finalizadas. Muitos chegaram com tendas já montadas, enquanto outros reconstruíram estruturas provisórias utilizando materiais encontrados na área.
Na quinta-feira, a operação de limpeza em El Trampolín foi suspensa porque dezenas de pessoas que haviam sido realocadas do acampamento improvisado retornaram ao local para buscar seus pertences. Os serviços da Direção-Geral do Ambiente, Serviços Urbanos e Habitação espanhola haviam iniciado a remoção de detritos, bens pessoais, caixotes e papelão acumulados nas últimas semanas de ocupação.
As autoridades espanholas determinaram a interrupção dos trabalhos por questões de segurança, visto que não havia presença das forças de segurança no local para garantir a integridade dos trabalhadores e o andamento normal da operação. A cidade autónoma afirmou que os trabalhos só poderiam ser retomados quando fossem reunidas as condições necessárias para executar a operação com as devidas garantias de segurança.
Essa paralisação ocorreu poucas horas depois da desocupação de El Trampolín, onde mais de 1.200 migrantes foram conduzidos a pé e escoltados pela polícia espanhola para novos centros de acolhimento temporários estabelecidos em Loma Margarita, El Embolsamiento e Loma Colmenar.
O plano de limpeza foi implementado pela cidade com o propósito de restaurar as condições ambientais, paisagísticas, sanitárias e de uso público deste espaço costeiro, que estava ocupado desde a chegada massiva de pessoas a Ceuta, ocorrida nos dias 30 e 31 de julho.
A crise migratória em Ceuta se manifestou quando aproximadamente 72.000 indivíduos entraram na cidade autónoma espanhola, localizada no Norte de África, num intervalo de 24 horas. Dados das autoridades espanholas indicam que cerca de 70.000 desses migrantes já retornaram a Marrocos. No começo de agosto, estimava-se que entre três mil e cinco mil migrantes, incluindo menores e jovens, permaneciam no enclave espanhol de Ceuta.
Ceuta, um pequeno território com 80.000 habitantes situado no extremo norte de Marrocos e banhado pelo estreito de Gibraltar, constitui uma das duas fronteiras terrestres entre África e Europa, ao lado do outro enclave espanhol, Melilla.
