O Apple Music passará a incluir uma sinalização específica para identificar faixas musicais que foram produzidas com auxílio de inteligência artificial generativa. Esta marcação será compulsória para gravadoras e distribuidores sempre que a tecnologia for empregada em uma parte significativa da composição.
De acordo com informações divulgadas pelo Hollywood Reporter, a plataforma planeja disponibilizar este selo ainda neste ano, embora ainda não haja uma data oficial para seu lançamento. Essa alteração atende a exigências de entidades como a Recording Industry Association of America (RIAA) e a International Federation of the Phonographic Industry (IFPI), que pleiteiam maior clareza na identificação desse tipo de material.
Anteriormente, a Apple já exigia que distribuidores sinalizassem faixas com uso de IA por meio de etiquetas de transparência desde março; agora, essas informações deverão ser exibidas diretamente aos ouvintes. As novas diretrizes obrigam os criadores a utilizar as chamadas “AI Transparency Tags” sempre que a inteligência artificial tiver uma contribuição relevante na criação da obra.
Oliver Schusser, diretor global do Apple Music, confirmou em entrevista à Billboard que a Apple possui meios para monitorar esses envios, declarando que a empresa desenvolveu internamente tecnologias capazes de verificar o tipo de música submetida e qual modelo de IA foi utilizado.
Enquanto isso, o Spotify já opera um sistema voluntário de rotulagem de faixas geradas por IA desde abril, tratando esse conteúdo como opcional e separando-o do sistema de recomendações. O Apple Music, contudo, não especificou se adotará medidas semelhantes.
Essa iniciativa surge após um grupo de organizações da indústria musical se unir para estabelecer um padrão de identificação para músicas geradas por IA, visando um sistema de etiquetagem comparável ao usado para conteúdo explícito. Em julho, este grupo sugeriu a criação de duas tags específicas.
As organizações manifestam preocupação com o crescente volume de músicas sintéticas, que já representam uma parcela considerável dos envios aos principais serviços de streaming. Schusser havia mencionado em abril que um terço dos uploads mensais era composto por conteúdo gerado por IA. No mês subsequente, a empresa estimou que essas músicas correspondiam a menos de 1% do total de reproduções no catálogo, sendo que a maioria delas nem sequer registrava uma execução.
