O Ministro do Patrimônio Cultural, Turismo e Artesanato do Irã fez um apelo à reavaliação do conceito de sustentabilidade no setor de turismo. Ele afirmou que este setor deve contribuir para a união das nações, o renascimento da esperança, o apoio às comunidades locais e a promoção da paz de longo prazo.
Ao discursar no Fórum dos Ministros do Turismo do BRICS em 2026, na Índia, Reza Salehi-Amiri agradeceu ao governo indiano pela realização do evento, bem como ao BRICS por colocar em foco os conceitos de sustentabilidade, inovação, cooperação e ecologia, além de uma 'abordagem centrada nas pessoas para o futuro comum da humanidade'.
Ele enfatizou a necessidade de fortalecer a interação internacional para moldar um futuro humanista para o turismo. Salehi-Amiri observou que, diante das atuais crises e conflitos mundiais, o conceito de sustentabilidade adquiriu um significado mais profundo.
O ministro iraniano declarou que, nas condições atuais, o mundo precisa de comunidades mais resilientes do que sistemas econômicos, e salientou que o turismo deve servir como ponte entre os Estados.
Além disso, o ministro condenou a agressão militar dos EUA e Israel contra o Irã. Ele informou que esses ataques causaram imensos sofrimentos e resultaram na morte de mais de 4000 pessoas, incluindo 168 crianças em uma escola em Minab, bem como civis e vários cientistas, intelectuais e figuras culturais renomadas.
Também foi notado que os ataques danificaram 149 sítios históricos e culturais, cinco dos quais estão na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO, o que gera séria preocupação com a proteção do patrimônio cultural do Irã.
Salehi-Amiri esclareceu que a verdadeira sustentabilidade não deve se limitar apenas à capacidade de um destino turístico resistir ou superar uma crise. Segundo ele, a verdadeira sustentabilidade significa a capacidade de pessoas, comunidades e culturas manterem sua identidade, restaurarem seus meios de subsistência e vidas, e recuperarem força e dignidade.
Apresentando as propostas do Irã para fortalecer a cooperação turística no âmbito do BRICS, Salehi-Amiri sugeriu a criação de um fundo de apoio a projetos turísticos do BRICS. Ele acreditava que tal fundo poderia desempenhar um papel significativo no desenvolvimento da infraestrutura turística nos países membros e propôs definir seus mecanismos operacionais dentro do Novo Banco de Desenvolvimento, o banco multilateral de desenvolvimento do BRICS.
Tal mecanismo, acrescentou ele, poderia garantir financiamento e facilitar a implementação de iniciativas turísticas conjuntas entre os países participantes do BRICS.
Salehi-Amiri também apelou para um uso mais ativo do potencial histórico da antiga Rota da Seda e da Rota das Especiarias para ativar as trocas entre os povos dos países do BRICS. Ele observou que o BRICS pode se apoiar no rico legado dessas rotas comerciais e civilizacionais históricas, que no passado serviram como laços culturais e comerciais entre alguns membros do bloco.
Na opinião do ministro, essas rotas históricas são não apenas parte do patrimônio civilizacional comum dos povos, mas também podem se tornar novos palcos para o desenvolvimento do turismo, intercâmbio cultural, aprofundamento do entendimento mútuo e fortalecimento da cooperação regional e internacional.
