As mulheres enfrentam diversos problemas de saúde mental que podem ser determinados por fatores biológicos, sociais, políticos e culturais, segundo declaração da consultora registrada Josephine Conde.
Conde, registrada no Conselho de Profissões Médicas da África do Sul (HPCSA) e no Fundo de Pagadores Médicos (BHF), explicou que os papéis de gênero e as expectativas impostas às mulheres em diferentes culturas criam pressão, exigindo que conciliem múltiplas responsabilidades, incluindo os papéis de esposa, mãe, filha e cuidadora.
A expectativa de corresponder à imagem de mulher 'ideal' pode levar as mulheres a priorizar as necessidades dos outros acima do seu próprio bem-estar e autocuidado. Como observou Conde, isso pode, com o tempo, causar stress, exaustão e, finalmente, esgotamento.
Além disso, as mulheres podem sentir pressão decorrente de crenças internas sobre como elas 'deveriam' ser como mulher, esposa ou mãe. Na África do Sul, segundo Conde, as mulheres enfrentam problemas adicionais de saúde mental relacionados a altos níveis de violência de gênero.
As mulheres são mais suscetíveis a certos tipos de trauma que podem ter consequências emocionais e psicológicas a longo prazo. A exposição ao trauma, seja direto ou indireto, aumenta o risco de desenvolver certos transtornos mentais. Entre os problemas de saúde mental comuns que afetam as mulheres, destacam-se depressão, transtornos de ansiedade, dificuldades relacionadas ao trauma, como o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), e problemas de autoestima.
Criação de espaço para as mulheres
Com base nessas considerações e recorrendo à sua própria experiência em saúde mental, Kim Kinsy-Houston, esposa e mãe de Durban, fundou a organização Tea of Hope. Este evento anual foi lançado em outubro de 2021 com o objetivo de criar um local seguro para as mulheres se reunirem, compartilharem suas experiências e aprenderem sobre saúde mental e bem-estar.
Cada evento inclui um painel de palestrantes que falam sobre sua jornada pessoal, ao mesmo tempo que incentivam diálogos capazes de mudar a percepção sobre saúde mental. Kinsy-Houston afirmou que sua iniciativa nasceu de sua própria experiência de luta com a saúde mental. Ela enfatizou que queria criar um espaço onde pessoas como ela pudessem aprender sobre diferentes caminhos de vida e sair com esperança para o futuro.
Ela também expressou o desejo de ver mudanças e participar ativamente da sua criação, observando que em sua 'comunidade parda', a saúde mental e os transtornos mentais estão sempre acompanhados de estigma negativo. Ela acrescentou que não é comum discutir este tema, mas sim serem envergonhadas ou ridicularizadas, por isso ela procurava mudar essa narrativa.
Apoiando o sentimento em relação às dificuldades e abusos enfrentados pelas mulheres, Sabrina Walter, fundadora da Women For Change, disse que as mulheres têm medo de procurar ajuda. Walter acredita que o acesso a um ambiente seguro e de apoio dá às mulheres a oportunidade de falar abertamente, pensar claramente e começar a planejar seus próximos passos sem medo imediato.
Por ocasião do Mês da Mulher na África do Sul, Walter considera que a celebração das mulheres também deve significar a criação de comunidades onde elas se sintam respeitadas, apoiadas e seguras. Ela observa que, às vezes, tudo começa com uma conversa simples, uma escuta atenta ou um lembrete a alguém de que não precisa carregar o fardo da vida sozinho.
