Ativistas ambientais saudaram a decisão do Tribunal Constitucional, que paralisou o controverso programa de exploração de petróleo e gás pela multinacional Shell ao longo da costa do Cabo Oriental.
Os ativistas destacaram uma vitória histórica para as comunidades da região de Wild Coast contra a Shell, que interrompeu completamente os planos da empresa de prospecção de hidrocarbonetos na área.
De acordo com um comunicado da IOL, o acórdão do Tribunal Constitucional anulou a decisão do Tribunal de Apelação de 2024. Esta decisão anterior permitia à Shell e à consultora Impact Africa continuar a realizar testes sísmicos marítimos ao longo da costa do Cabo Oriental, sob a condição de correção das infrações relacionadas com a obtenção incorreta do direito de exploração.
Desmond D'Sa, coordenador da South Durban Community Environmental Alliance (SDCEA), afirmou que eles tiram grande força desta vitória para os habitantes da África do Sul. Ele expressou esperança de que a Shell reveja sua estratégia e leve em consideração as preocupações de comunidades como Xolobeni, localizadas no Cabo Oriental.
D'Sa lembrou que, quando o pedido da Shell foi apresentado, a empresa insistiu que não precisava consultar os moradores de Xolobeni ou os cidadãos do país sobre a intenção de perfurar um poço de exploração no Oceano Índico. Ele observou que a Shell decidiu 'contornar e não trabalhar com ninguém', dirigindo-se diretamente ao governo para obter permissão.
Ele acrescentou que ele e sua organização de Durban, juntamente com outros grupos no Cabo Oriental e em outros locais, lutaram por anos contra a Shell e outras empresas de energia que procuravam 'explorar por lucro' nos oceanos. D'Sa expressou satisfação com o fato de a Shell ter perdido o caso no tribunal superior sul-africano — o Tribunal Constitucional — e não poder mais contestar essa decisão.
Ele apelou aos acionistas da Shell para incitarem a empresa a abandonar os combustíveis fósseis e investir em alternativas que não prejudiquem o meio ambiente, como a energia renovável, além de defender uma transição energética justa na África do Sul.
No entanto, nem todos ficaram satisfeitos com a decisão do tribunal. A IOL relata que Mikateko Mahlaule, presidente do Comité Parlamentar de Recursos Minerais e Petrolíferos, expressou preocupação com o impacto desta decisão na criação de empregos e investimentos. Ele sublinhou a necessidade de respeitar este acórdão, mas alertou que a incerteza jurídica persistente pode afetar negativamente os investimentos, a exploração e a criação de empregos no setor de petróleo e gás.
Mahlaule declarou que o país não pode permitir que oportunidades económicas potencialmente significativas e iniciativas de criação de empregos permaneçam em fase conceitual devido à incerteza na exploração. Ele esclareceu que a exploração é um processo pelo qual se determina a existência de recursos e a possibilidade de seu posterior desenvolvimento em benefício da economia e da população sul-africana.

