A autora da coluna Green Shoots afirma que a solidariedade é uma manifestação radical de amor por aqueles em apuros e insiste na manutenção dessa posição, apesar das complexidades associadas ao conceito de amor.
Destaca-se que expressar amor através da solidariedade com pessoas sofredoras nem sempre é idealizado, adornado com rosas ou poesia; pelo contrário, a verdadeira solidariedade exige permanecer dedicado à causa através da rotina, do tédio e das lutas intermináveis que não têm data final.
A solidariedade obriga a não se afastar quando parece que a situação não muda e a não permitir que o coração endureça diante da incessante violação da humanidade. É necessário manter a capacidade de compaixão e indignação, bem como fortalecer a resistência às forças que tentam aceitar a desumanidade e a opressão como norma de vida.
Ashley Green-Thompson
No contexto da situação em Israel, o assassinato de palestinos continua, e o genocídio prossegue, mesmo que deixe de dominar as notícias. A autora apela para que se acompanhem manchetes como «Funeral de 50 palestinos encontrados entre os escombros de Gaza» ou «Israel mata 10 pessoas em áreas superlotadas de Gaza». Alguns grupos demonstraram atos de solidariedade, como uma nova frota de navios que tentará violar o bloqueio israelense e entregar ajuda a Gaza, embora seja sabido que será interceptada e devolvida.
Um ativista que participou da frota anterior está em jejum na prisão da Tunísia em protesto contra a detenção e as condições de custódia. O mundo não deve esquecer Hind Rajab, uma menina de seis anos morta por balas israelenses. Mesmo que a participação direta em tais ações dramáticas seja impossível, as pessoas podem continuar discutindo o genocídio com familiares, amigos e colegas, além de tentar boicotar produtos israelenses e bens relacionados ao genocídio.
Também sugere-se votar contra apoiadores do sionismo e juntar-se a protestos de solidariedade. Além disso, não se deve ignorar o sofrimento das pessoas em todo o mundo, como a guerra no Sudão, onde, segundo relatos, mais de 200.000 pessoas se tornaram deslocados internos em Kordofan devido aos combates contínuos.
É necessário continuar tentando compreender as forças geopolíticas externas que causam a guerra e encontrar maneiras de expressar indignação pela extrema desumanidade que o mundo permite que ocorra. O Papa Leo apelou novamente à comunidade mundial para intervir, e a autora considera necessário buscar formas de apoiar esses apelos.
É importante lembrar das pessoas que morrem na Ucrânia; por exemplo, a manchete «Bombardeio russo mortal atinge Kiev durante ataque noturno» é um exemplo desse evento. A autora enfatiza que nenhuma visão política ou ideológica deve justificar a morte de pessoas, pois isso ocorre devido às ações de pessoas obcecadas pelo poder, que lançam mísseis por objetivos que não contribuem para o bem-estar da humanidade.
Como o sofrimento ocorre em muitos lugares, a autora observa que não é possível apoiar todas as lutas, e não há hierarquia entre elas. O pedido principal é desenvolver conscientemente a capacidade de cuidar e apoiar os outros. O amor que torna a solidariedade tão importante na vida coletiva é esse amor de que a humanidade precisa agora, e devemos continuar avançando.

