A China está prestes a lançar o Chang’e-7 neste fim de semana — uma das missões robóticas mais em grande escala planejadas para a Lua. Este sonda incluirá um veículo orbital, um módulo de pouso, um rover, um veículo capaz de saltar pela superfície lunar, bem como uma série de experimentos científicos internacionais, incluindo carga apoiada pelos Estados Unidos.
O lançamento está previsto para 24 de agosto, horário de Pequim. Ele ocorrerá com o foguete Long March 5 Y14 a partir do Centro de Lançamento de Wenchang, China. O equipamento para o Chang’e-7 foi entregue no local em abril.
O módulo de pouso deve se dirigir à região da borda do cratér Shackleton, localizada no polo sul da Lua. Após o lançamento, o veículo orbital passará vários meses ao redor da Lua antes de liberar o módulo de pouso para uma tentativa de aterrissagem planejada para o final do ano.
Além dos objetivos científicos, a missão deve contribuir para a preparação do caminho para o projeto chinês de enviar astronautas à superfície lunar até 2030.
Avaliação Especializada da Missão
James Hed, cientista lunar do Departamento de Ciências Geológicas da Universidade Brown, caracterizou o Chang’e-7 como uma nova fase na exploração do satélite natural. Segundo Hed, «Chang’e-7 é a missão lunar robótica mais ambiciosa, abrangente e complexa que qualquer nação ou organização tentou realizar».
Zhang Jingbo, porta-voz da China National Space Administration (CNSA), declarou anteriormente que a missão utilizará totalmente a experiência e o potencial tecnológico acumulados pelo país ao longo de décadas para atingir o objetivo — o primeiro pouso lunar tripulado da China até 2030.
Cientistas de diferentes países sugerem a presença de gelo de água na Lua, mas a quantidade e as características desse recurso ainda não foram definidas definitivamente. Ye Peijian, membro da Academia Chinesa de Ciências, informou à televisão estatal CCTV que a China planeja procurar água usando vários métodos — desde a análise da superfície até a exploração do interior dos crateras.
O Chang’e-7 usará uma abordagem integrada de exploração, combinando voo orbital, pouso, deslocamento na superfície e saltos para estudar o ambiente e os recursos do polo sul lunar.
Após o Chang’e-7, virá o Chang’e-8, planejado para cerca de 2028. Os objetivos desta missão serão testar tecnologias para construir estruturas e habitações usando regolito lunar. Ambas as missões robóticas devem ajudar a preparar a Estação Internacional de Pesquisa Lunar (ILRS) — um projeto chinês multifásico de exploração lunar.
Cooperação Internacional no Âmbito da Missão
Embora o Chang’e-7 seja uma missão chinesa, ele carrega diversos instrumentos desenvolvidos por instituições de outros países e organizações internacionais. O módulo de pouso terá o PmL-Ch7, um complexo desenvolvido pela Academia Russa de Ciências para detecção de poeira lunar, bem como um sondador de Langmuir para medir a temperatura e densidade do plasma nas proximidades. Um retrorrefletor a laser italiano também será instalado, fornecido pelos Laboratórios Nacionais de Frascati.
Outro equipamento será um pequeno telescópio óptico de grande angular instalado no módulo de pouso. Esta ferramenta foi criada pela International Lunar Observatory Association (ILOA Hawaii) e pelo Laboratory of Space Research da Universidade de Hong Kong.
O veículo orbital também será equipado com a câmera LunaHcam, desenvolvida em conjunto pelas agências espaciais do Bahrein e do Egito. Este instrumento fornecerá imagens hiperespectrais de alta resolução da superfície lunar. Outra ferramenta do veículo orbital será o Moon Aiming Thai-Chinese Hodoscope (MATCH), desenvolvido pelo National Institute of Astronomical Research da Tailândia. Ele estudará partículas de alta energia associadas ao clima espacial e à radiação solar.
Também será instalado no veículo orbital o Moon-based Dual-channel Earth Radiation Spectrometer, fornecido pela Observatório Físico-Meteorológico da Suíça. Um dos instrumentos notáveis é a câmera ILO-C, desenvolvida pela ILOA Hawaii e pelo Laboratory of Space Research da Universidade de Hong Kong. Ela será instalada diretamente no módulo de pouso Chang’e-7, que deverá alcançar a área iluminada da borda do cratér Shackleton.
Segundo Quentin Parker, professor aposentado da Universidade de Hong Kong, o laboratório se orgulha da parceria e espera maximizar o retorno científico da câmera óptica de grande angular. O projeto visa usar imagens coloridas no espectro visível para aumentar o interesse público na exploração lunar, astronomia e ciência espacial, ajudando também a criar uma base social para futuras missões científicas à Lua.
Elisa Perednya, presidente e diretora da ILOA, afirmou que a câmera poderá criar as primeiras imagens astronômicas coloridas tiradas da Lua. O instrumento foi projetado para registrar imagens coloridas de grande angular da Via Láctea, incluindo seu plano galáctico, a partir de um ponto de observação estável na superfície lunar.
A câmera tem também uma história pessoal para os criadores do projeto. Seu desenvolvimento foi iniciado por Steve Durst, fundador da ILOA, que faleceu no início deste ano. Ele trabalhou com representantes do setor aeroespacial chinês desde a década de 1980. O Beijing Institute of Space Mechanics and Electricity (BISME) construiu a câmera de acordo com as especificações da equipe ILO-C. Parker observou: «Estamos orgulhosos de participar da missão e ajudar a concretizar a visão maravilhosa de Steve».
A combinação de vários equipamentos, experimentos científicos e tecnologias torna o Chang’e-7 uma missão destinada não apenas a estudar o polo sul lunar, mas também a preparar as próximas etapas do programa chinês de exploração e, futuramente, a presença humana na Lua.
