O Centro de Experimentação Audiovisual (CEA), situado na cidade de Avellaneda, foi projetado para revitalizar instalações de uma antiga fábrica de óleo. Este projeto não se trata apenas de uma restauração passiva, mas sim de uma reativação crítica voltada ao acervo municipal, visando a conservação, restauração e divulgação do patrimônio audiovisual local.
A concepção do edifício mantém visível sua configuração original; o galpão era uma unidade produtiva única, antes de ser dividido pela abertura da rua Colón. O fragmento remanescente do outro lado da rua serve como um contraponto temporal, demonstrando a escala da nova intervenção e posicionando a cidade como um polo cultural de nível internacional.
As primeiras etapas do trabalho envolveram a limpeza e a retirada de equipamentos, materiais e construções precárias acumuladas ao longo de décadas, restaurando a dimensão original do galpão. A estratégia de design focou na preservação das paredes de tijolos e da estrutura de pórticos de concreto armado, utilizando o método de subtração para criar aberturas na alvenaria e cortar lajes, estabelecendo novas conexões visuais e funcionais com o exterior.
Internamente, foi instalada uma estrutura metálica autônoma que organiza o uso em três níveis, materializada por lajes nervuradas e construção a seco. A entrada de luz natural foi assegurada através da instalação sistemática de claraboias sobre a cobertura de concreto, direcionando luz zenital para o espaço central.
O programa funcional se distribui em três andares. O piso térreo possui caráter público e abriga o saguão e um cinema, este último configurado como uma caixa acústica independente com capacidade para 99 espectadores, apto para projeção tanto digital quanto analógica em 35 mm. O primeiro nível destina-se às salas de exposição e às áreas de trabalho colaborativo, que se conectam ao espaço central.
Já o segundo nível concentra os laboratórios dedicados à catalogação, restauração e digitalização. Estes laboratórios estão integrados à circulação como ambientes de trabalho dinâmicos, juntamente com os depósitos do arquivo, que são mantidos com rigoroso controle higrotérmico para garantir a preservação do material.
A circulação vertical é marcada por uma peça cuja geometria contrasta fortemente com a ortogonalidade do sistema estrutural, introduzindo um notável contraste cromático e morfológico.
A linguagem material do projeto baseia-se em um princípio de oposição dialética. Em contraste com a aspereza do tijolo e do concreto existentes, a nova adição emprega superfícies lisas feitas de vidro, madeira e policarbonato. Elementos importantes da estrutura anterior, como a rosca sem fim, foram mantidos em seu local original, integrando-se à espacialidade do galpão.
A fachada recua em relação ao alinhamento da via, apresentando uma frente envidraçada que cria uma zona de transição entre o edifício e o parque linear ferroviário. Essa recuperação visa transformar uma estrutura obsoleta em uma referência que valoriza o patrimônio industrial, articulando políticas de memória, acesso e desenvolvimento cultural e consolidando a cidade como um ponto de referência no setor audiovisual.
