Em agosto de 2026, a Anthropic, desenvolvedora da inteligência artificial Claude, anunciou que seus novos modelos começarão a gerar materiais com uma marca d'água imperceptível, permitindo identificar que o conteúdo foi produzido pelo Claude. Esta iniciativa ocorre em conformidade com o Código de Prática sobre Transparência de Conteúdo Gerado por IA, que faz parte da nova legislação de Inteligência Artificial da União Europeia.
Atualmente, nenhum modelo novo do Claude foi lançado, e os modelos existentes ainda não contam com essa marca d'água, o que significa que, por enquanto, todo conteúdo gerado pelo Claude não possui tal identificador.
Apesar disso, a Anthropic já esclareceu como essa marca funcionará, diferenciando-a de marcas visíveis encontradas em fotos ou vídeos da internet. A marca d'água do Claude não é inserida diretamente no texto, como caracteres ocultos; ela está intrinsecamente ligada ao modo como a IA estrutura o conteúdo e persiste mesmo se o texto for copiado e colado em outro local.
Para compreender esse mecanismo, é necessário entender o processo de geração de conteúdo pelas IAs generativas, como o Claude. Basicamente, a IA opera prevendo palavras sequencialmente, selecionando, de um conjunto de possibilidades, aquela com a maior probabilidade de seguir a palavra anterior. Um comunicado da Anthropic exemplifica: ao considerar a frase 'O tempo hoje estava frio e…', é altamente improvável que a próxima palavra seja 'açucarado', mas é muito provável que seja 'nublado' ou 'cinza'.
Quando há múltiplas opções de palavras com significados similares, como 'cinza' e 'nublado', a IA toma a decisão com base em números aleatórios. A marca d'água altera esse processo, fazendo com que a seleção passe a ser guiada por uma chave, um código estatístico específico que padroniza as decisões da IA. Essa chave influencia a escolha da próxima palavra, mantendo a coerência com a palavra anterior, sem comprometer a qualidade do conteúdo, segundo a Anthropic.
Essa modificação não será notada pelos leitores. A única maneira de verificar se a sequência de palavras de um texto segue o padrão do Claude é ter acesso à chave correspondente. Com ela, é possível confirmar se o texto foi processado pelo Claude. Contudo, apesar de a marca d'água permitir estimar a probabilidade de uso do Claude, não é possível determinar com exatidão o grau de utilização da IA — se foi apenas para tradução ou se o texto foi integralmente escrito por ela.
Traduções realizadas pelo Claude receberão a marca d'água, visto que as escolhas lexicais foram feitas pela IA. Em textos muito breves, a detecção da marca será mais desafiadora devido à menor amostra de palavras. Se a IA for utilizada em um texto humano apenas para correções gramaticais ou de pontuação, sem adição de vocabulário, a marca não aparecerá, pois a escolha das palavras foi humana e não estatística. Além disso, quanto mais o usuário edita o texto posteriormente, mais difícil se torna sua identificação.
O comunicado acrescenta que 'quanto mais o Claude escreve, mais decisões precisa tomar e mais espaço sobra para uma marca d'água'. Em casos de textos estritamente factuais, onde a IA tem apenas uma opção de palavra (sem escolher entre alternativas semelhantes), a marca não é aplicada. Por exemplo, ao redigir a letra do Hino Nacional, não há variação possível, resultando em um texto sem marca d'água.
Um ponto adicional é que imagens e arquivos criados pelo Claude também serão marcados. Metadados criptografados, seguindo o padrão C2PA, serão incorporados aos arquivos. Nenhuma dessas tecnologias terá a capacidade de identificar o indivíduo ou a empresa que utilizou a IA para criar o material.
Embora a Anthropic ainda não tenha divulgado todos os detalhes sobre como o público em geral poderá reconhecer a marca d'água no texto, a empresa afirmou que planeja disponibilizar mecanismos para essa detecção.
