História e evolução das mini-motos, desde o lançamento da Honda até a concorrência atual
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História e evolução das mini-motos, desde o lançamento da Honda até a concorrência atual

Assim como muitas pessoas atualmente, o autor frequentemente navega pelo feed do Instagram, o que exige estar atento ao que acontece nas redes sociais. Ao observar o conteúdo, ele nota a passagem de duas horas entre memes, vídeos de influenciadores e anúncios de veículos, sendo a categoria de motos particularmente interessante ultimamente devido à aparição de diversas mini-motos à venda.

É importante notar que o texto não se refere às tradicionais motocicletas de trilha de motor 2 tempos, disponíveis em concessionárias como Honda ou Yamaha, que foram um desejo de infância do autor. As mini-motos discutidas são motocicletas de rua dimensionadas para adultos, embora sua situação de importação seja complexa; enquanto no exterior são legalizadas e podem circular em vias públicas, no Brasil raramente conseguem documentação, sendo geralmente anunciadas como 'brinquedo de condomínio' – itens caros destinados a uso em estradas privadas ou circuitos.

O interesse do autor levou à descoberta da origem dessas mini-motos, que está ligada à Honda. Embora seja amplamente aceito que a Honda concebeu a ideia original de mini-motos para adultos, elas foram criadas inicialmente para crianças. Em 1961, a Honda abriu o parque temático Tama Tech em Tóquio, que possuía a atração Honda Z100, uma micro-moto com motor 50cc da Super Cub, rodinhas de cinco polegadas e quadro rígido, projetada para ser lúdica e segura para os pequenos.

Contudo, os pais não ficavam apenas observando, e adultos começaram a competir por espaço na pista. Um jornalista da época descreveu os pilotos como 'macacos de circo montados em bicicletinhas'. Percebendo este novo nicho de mercado, a Honda desenvolveu a Honda Monkey. A primeira versão, a CZ100, surgiu em 1963, sendo um modelo rústico sem suspensão, enviado em pouca quantidade para mercados asiáticos e europeus como teste de recepção.

Com base nas vendas positivas, a versão definitiva, a Z50M, foi lançada em 1967. Ela utilizava o motor 50cc de quatro tempos SOHC da Super Cub, montado em um chassi novo. Um recurso notável da Z50M, que seria usado posteriormente na Motocompo, era o assento que abaixava e o guidão que dobrava sobre o tanque, permitindo que fosse armazenada em porta-malas de carros ou bagageiros de aviões.

Ao cruzar o Atlântico em 1968 como Z50A Mini-Trail, os concessionários esperavam um fracasso, mas o oposto ocorreu: os primeiros estoques esgotaram rapidamente. A Mini-Trail ajudou a desmistificar a imagem dos motociclistas, tornando o ato de pilotar um passatempo leve e divertido, e a Monkey tornou-se um ícone pop. John Lennon, por exemplo, adquiriu uma Z50A K1 em 1969 para seu terreno na Inglaterra.

Nos anos 1970, a Honda melhorou a usabilidade da moto, adicionando faróis e piscas. Na versão K3 de 1972, o quadro rígido foi substituído por uma suspensão traseira convencional com braço oscilante e molas helicoidais. Em 1979, a Z50R representou uma mudança conceitual, removendo as luzes e adotando um visual de motocross inspirado na linha CR Elsinore, visando incentivar o interesse pelo off-road desde cedo. A família Z50 também produziu edições especiais, como a Z50RD Christmas Special de 1986.

Após mais de três décadas e a produção de cerca de um milhão de unidades, a linha clássica foi descontinuada em 1999, pois não conseguia cumprir as novas normas ambientais com seus motores carburados de 49cc.

O Renascimento

O período de ausência das mini-motos da Honda parecia longo, mas em 2013, a divisão tailandesa introduziu a Honda Grom (MSX 125 na Europa). Diferente da nostalgia, a Grom focou em ser uma mini streetfighter moderna, leve e agressiva, equipada com motor injetado de 125cc e rodas de 12 polegadas, alcançando sucesso imediato no Japão, Europa e EUA.

Em 2016, a Honda explorou outro aspecto da categoria com a Navi, desenvolvida na Índia com foco em custo-benefício. Ela possuía um motor de 110cc com câmbio CVT montado na roda traseira, liberando espaço para um baú fechado. Este conceito híbrido, combinando a facilidade de uma scooter com o visual de mini-moto, foi popular na América Latina, com linhas de montagem no México, mas não chegou ao Brasil devido à consolidação de modelos como Pop 110i e scooters maiores.

Com o mercado aquecido e a tecnologia de 125cc injetada validada pela Grom, a Honda revigorou a Monkey em 2018, trocando o antigo 50cc por um monocilíndrico de 124cc com 9,3 cv e câmbio de cinco marchas, capaz de lidar com o tráfego em uma moto de 104 kg. A engenharia também avançou com garfo dianteiro invertido, suspensão traseira sofisticada, iluminação LED total e freios a disco com ABS gerenciado por IMU.

O Nicho se Expande

O domínio da Honda neste segmento não permaneceu exclusivo. O sucesso global da Grom e o retorno da Monkey alertaram outros fabricantes de que mini-motos eram um segmento lucrativo e desejado. A Kawasaki foi a primeira grande concorrente, lançando a Z125 Pro em 2016, que apresentava um design esportivo, adaptando a linguagem Sugomi de suas motos maiores, com ângulos afiados e cor Lime Green.

Mecanicamente, a Z125 Pro competia com a Grom, tendo motor monocilíndrico de 125cc refrigerado a ar e rodas de 12 polegadas. A Kawasaki diferenciou-se com uma postura de pilotagem mais inclinada para a frente e um amortecedor traseiro descentralizado, ideal para circuitos ou uso urbano com estética de mini-superesportiva.

A chinesa CFMoto entrou na disputa com a variante XO-1 (Papio SS), inspirada em corridas de endurance dos anos 1980. Em vez de ser genérica, ela ostentava um visual neo-retrô marcante, com carenagem frontal completa, dois faróis circulares em formato 'X' e 'O', guidão clip-on e escapamento embutido. Seu motor de 126cc com câmbio de seis marchas proporcionava uma experiência de pilotagem envolvente.

A Benelli, marca italiana controlada pelo grupo chinês Qianjiang, também participou com a TNT 135. Visando desempenho e estilo a baixo custo na Europa e América do Norte, ela utilizava um motor de 135cc com radiador de óleo e vela dupla, gerando cerca de 13 cv. O design da Benelli refletia a influência italiana, apresentando quadro treliçado de aço exposto, farol de quatro refletores LED e escapamento lateral com ponteira dupla.

De Volta ao Brasil

Embora o entusiasmo por rodar com uma mini-moto seja compreensível, a viabilidade legal no Brasil não é totalmente impossível. Modelos antigos podem ser importados como clássicos, seguindo um processo semelhante à importação de carros antigos, mas o custo final pode dobrar após impostos e documentação.

A importação de um modelo zero-quilômetro é teoricamente permitida, seguindo um trâmite parecido com o de um carro novo, contudo, é um processo complexo e oneroso. Para que uma moto nova circule legalmente no Brasil por importação direta, é necessário obter a Licença para Uso da Configuração do Veículo ou Motor (LCVM) junto ao Ibama, o que exige testes laboratoriais para comprovar conformidade com os limites de ruído e emissões do PROMOT, além da emissão do Certificado.

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