No Vale do Café, localizado no interior do Rio de Janeiro, diversas fazendas antigas estão deixando de ser meros vestígios da era cafeeira para se tornarem atrações turísticas. Um exemplo notável é a Fazenda das Palmas, em Vassouras, uma propriedade centenária que combina hospitalidade, arte, natureza e culinária, além de abrigar um alambique datado de 1855, onde atualmente é produzida a cachaça Pindorama.
A fazenda foi adquirida em 2012 pelo banqueiro Antônio Carlos de Almeida Braga, conhecido por ser um dos maiores apoiadores do esporte no país. A gestão permanece com a família, que tem dedicado grande cuidado à preservação do casarão e de todos os seus elementos arquitetônicos originais. A estrutura oferece seis suítes e dois quartos com beliches no piso inferior, destinados às crianças, sendo também possível alugar toda a sede para experiências mais exclusivas para grupos e famílias.
O conceito da fazenda transcende a simples hospedagem. Seu jardim exibe esculturas em bronze, enquanto a capela e os espaços de convívio incentivam momentos de contemplação. A infraestrutura inclui quadra de tênis, campo de golfe, cavalos e um lago adequado para passeios de barco e remo. Para completar, há piscina aquecida, sauna a vapor e sala de massagem.
O alambique, construído em 1855, esteve desativado por muitos anos, mas manteve uma antiga caldeira inglesa, que foi importada da Alemanha no começo do século XX. A família tomou a decisão de restaurar essa estrutura e reiniciar o cultivo da cana-de-açúcar, revitalizando assim a produção artesanal de cachaça.
Deste esforço nasceu a Pindorama, iniciativa de Luiza Konder, suas filhas e o genro Rafael Daló. Atualmente, os visitantes podem acompanhar o processo completo no alambique, desde o cultivo da cana na propriedade até o produto final servido. O foco vai além da degustação; o visitante compreende o local de fabricação e a ligação entre o produto e o território. A versão prata desta bebida foi reconhecida como a segunda melhor cachaça do Brasil pela Cúpula da Cachaça.
A experiência gastronômica na fazenda também é um ponto forte, priorizando alimentos orgânicos e conectando o hóspede à procedência dos insumos. Práticas de agricultura sintrópica são aplicadas ao redor do alambique, dispensando o uso de agrotóxicos ou fertilizantes químicos. Isso reforça a conexão com a terra, complementada pelo reflorestamento de espécies nativas da Mata Atlântica e pelo plantio de milho não transgênico, utilizado também na conservação do solo. O bagaço da cana é aproveitado para gerar energia.
Na Fazenda das Palmas, vivenciar a história e a cultura do Vale do Café pode ser feito de várias formas: dormindo em um casarão histórico, caminhando entre esculturas, montando a cavalo, degustando produtos locais e visitando um alambique em operação. A fazenda propõe algo mais profundo que uma estadia rural, convidando os visitantes a entenderem a origem dos sabores, das narrativas e dos métodos que definem a identidade da região.
