Estudos indicam relação complexa entre Vitamina B12 e câncer, sugerindo causalidade reversa
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Estudos indicam relação complexa entre Vitamina B12 e câncer, sugerindo causalidade reversa

Embora vitaminas sejam frequentemente vistas como elementos simples e benéficos da dieta, a relação entre nutrientes e saúde pode ser mais intrincada, sendo a vitamina B12 um exemplo notável. Conhecida também como cobalamina, a B12 é vital para diversas funções corporais, incluindo a formação do DNA, a manutenção da bainha de mielina protetora dos nervos, a maturação dos glóbulos vermelhos e o metabolismo de gorduras e aminoácidos.

Esta vitamina é encontrada naturalmente apenas em produtos de origem animal, o que torna pessoas com dietas estritamente vegetarianas ou aquelas com dificuldades de absorção suscetíveis à deficiência de B12. Por muitos anos, ela foi vista como um aliado nutricional para combater sintomas como fadiga ou dificuldade de concentração.

Contudo, pesquisas científicas recentes têm revelado uma conexão mais complicada entre a B12 e o câncer. Estudos identificaram tanto níveis muito baixos quanto níveis elevados de B12 no sangue de indivíduos diagnosticados com tumores em órgãos como pulmões, mama, esôfago e cólon.

Isso levanta a dúvida se o excesso de B12 pode promover o câncer ou se os próprios tumores podem causar o aumento da vitamina no sangue. É crucial notar que os níveis sanguíneos não correspondem necessariamente à ingestão; eles dependem de como o corpo armazena, utiliza e transporta o nutriente, processo que pode ser afetado pelo câncer.

O fígado funciona como um grande reservatório de B12. Tumores, especialmente os hepáticos ou os cânceres agressivos, podem modificar a maneira como essa reserva é gerenciada. Além disso, alguns tumores podem elevar a produção das proteínas responsáveis pelo transporte de B12, o que significa que um exame de sangue elevado pode ser uma consequência do câncer, e não a causa da doença.

Um estudo divulgado este ano na revista Cancer Research Communications investigou 37.106 pacientes com câncer de cólon, utilizando um banco de dados global com informações de 108 sistemas de saúde. Os resultados demonstraram diferenças significativas: pacientes com níveis altos de B12 (acima de mil picogramas por litro) tiveram uma sobrevida mediana de cerca de cinco anos, enquanto aqueles com níveis normais alcançaram quase 11 anos. Curiosamente, pacientes com níveis baixos apresentaram um desempenho ligeiramente superior.

Mesmo após ajustar variáveis como idade e tratamento, os pacientes com B12 elevada apresentaram aproximadamente o dobro do risco de mortalidade comparados aos de níveis baixos, e um risco de morte cerca de 65% maior que os de níveis normais. Esses pacientes com B12 alta também tinham maior chance de já possuir câncer em estágio 4 no diagnóstico ou de desenvolver novas metástases no fígado em um ano.

A análise de centenas de tumores de cólon revelou atividade significativamente maior de um gene chamado MTR, ligado à produção de uma enzima que requer B12 para formar um componente do DNA. Tumores com esta versão mais ativa do gene estavam associados aos piores prognósticos de sobrevida, sugerindo que tumores mais agressivos podem usar mais B12 para sua proliferação rápida, e não que o excesso da vitamina cause o câncer.

Pesquisas adicionais, incluindo um estudo de 2024 sobre imunoterapia contra o câncer e análises em pacientes com câncer de boca, confirmaram essa ligação entre níveis altos de B12 e desfechos menos favoráveis. Uma revisão de evidências de 2024 enfatizou que o significado desses níveis elevados permanece incerto e pode estar ligado à causalidade reversa, ou seja, o câncer pode elevar a B12, e não o contrário.

No entanto, persiste a questão de por que níveis baixos de B12 poderiam aumentar o risco de câncer. Um estudo de 2024 acompanhou 3.758 pacientes com câncer e 2.995 sem a doença no Vietnã, encontrando uma relação em formato de U: tanto a ingestão muito baixa quanto a muito alta de B12 na dieta estavam ligadas a maior risco de câncer em comparação com a ingestão moderada. Contudo, por ser observacional e depender da memória dos participantes, este estudo apenas aponta associações, não provas de causalidade.

Adicionalmente, o grupo de maior consumo registrou uma média de apenas 2,97 microgramas de B12 por dia, valor próximo às recomendações padrão de 2,4 a 2,8 microgramas. Diante disso, a relação entre B12 e câncer ainda não está clara, mas as evidências apontam cada vez mais para os níveis da vitamina servirem como um indicador de processos orgânicos, e não necessariamente como um fator causador.

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