O YouTube estaria propondo valores milionários aos criadores de conteúdo com o intuito de garantir que seus canais permaneçam exclusivamente na plataforma. Essa iniciativa visa impedir que haja uma migração maciça de usuários para a Netflix.
Essas informações foram divulgadas inicialmente em uma matéria da Bloomberg. Segundo duas fontes que solicitaram anonimato à Business Insider, as discussões iniciaram-se há algumas semanas, sem que houvesse propostas formais ou prazos definidos.
Os acordos seriam estabelecidos para que o conteúdo fosse publicado somente no YouTube durante um período determinado, sendo que cada contrato seria negociado individualmente com o criador. Os pagamentos poderiam ocorrer de duas formas: através de um investimento direto nas produções ou mediante a divisão de percentuais dos contratos de publicidade com grandes marcas.
Além de oferecer remuneração, a empresa utilizaria outras táticas para manter a exclusividade sobre seus principais atrações. As fontes indicaram que o YouTube também advertiu que a publicação de vídeos em plataformas como a Netflix poderia prejudicar o alcance do público na própria plataforma do YouTube, resultando na perda de impulsionamentos, convites para eventos e participação em campanhas.
As ofertas do YouTube representam uma reação ao crescente interesse de empresas de streaming por esse tipo de programação, sinalizando que um segmento onde a plataforma do Google detinha domínio absoluto está sob ameaça. Com o mesmo material disponível em outros veículos, o YouTube teme que os anunciantes passem a negociar preços menores pelos espaços publicitários.
Anteriormente, havia uma separação clara entre as atividades: os criadores utilizavam o YouTube para desenvolver sua audiência, enquanto a Netflix e concorrentes ofereciam filmes, séries e transmissões esportivas. Contudo, essa dinâmica começou a mudar nos últimos meses, visto que a Netflix passou a atrair criadores que construíram sua base de seguidores no YouTube.
A Netflix não é a única interessada; Peacock (pertencente à Comcast), Hulu (da Disney) e Amazon também estão buscando diversificar suas ofertas de conteúdo. Entre os exemplos de youtubers que firmaram acordos para levar seus vídeos à plataforma de streaming paga estão Alan Chikin Chow (com 101 milhões de inscritos no YouTube), o chef Nick DiGiovanni (com 45 milhões), a influenciadora Salish Matter (com 37 milhões no canal de seu pai, Jordan Matter) e a educadora Ms Rachel (com 21 milhões).
Adicionalmente, a Netflix estaria em negociações com dezenas de outros criadores, incluindo aqueles responsáveis pelo canal de entrevistas Hot Ones. A plataforma também começou a exibir podcasts em formato de vídeo e está avaliando a inclusão de canais de televisão.
Essa estratégia possui dois objetivos principais. O primeiro é elevar as métricas de engajamento na plataforma, dados que demonstram aos investidores a satisfação e a lealdade dos assinantes. O segundo motivo é puramente financeiro, pois custa significativamente menos pagar um youtuber ou um podcaster do que produzir um longa-metragem ou uma série.
