OMS disponibiliza 70 mil doses da vacina Ervebo para combater surto de Ebola
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OMS disponibiliza 70 mil doses da vacina Ervebo para combater surto de Ebola

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou a disponibilização de 70.000 doses da vacina Ervebo. Este lote inclui 20.000 doses destinadas a um ensaio clínico de fase 3, cujo objetivo é analisar o efeito da vacina contra o vírus Bundibugyo, e 50.000 doses reservadas para profissionais de saúde e da linha da frente.

Embora ainda não haja confirmação de que a vacina Ervebo, que foi aprovada especificamente para a estirpe Zaire do vírus Ebola, consiga proteger contra o vírus Bundibugyo, dados iniciais obtidos em laboratório e em animais indicam que ela pode oferecer alguma proteção.

A situação epidemiológica na República Democrática do Congo (RDCongo) é grave, com o surto já tendo causado 2.476 óbitos e registrado 5.208 casos confirmados, conforme dados divulgados hoje pelo governo de Kinshasa. Isso estabelece este surto de Ebola como o mais fatal já documentado.

Em uma reunião do Comité de Emergência, convocada sob o Regulamento Sanitário Internacional para avaliar a epidemia, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou que a epidemia está distante de ser controlada. Ele ressaltou que o risco de uma disseminação maior dentro da RDCongo e para outras nações permanece alto.

Adhanom Ghebreyesus declarou há três meses que a epidemia causada pelo vírus Bundibugyo na RDCongo configurava uma emergência de saúde pública de importância internacional. Ele acrescentou que, desde então, a doença se espalhou rapidamente, mantendo o risco de propagação nacional e internacional elevado.

De acordo com informações recentes da OMS, o vírus do Ebola começou a circular na região leste da RDCongo em fevereiro. Contudo, uma pesquisa publicada na revista Science, no final de julho, levantou a hipótese de que as primeiras infecções poderiam ter ocorrido ainda antes, possivelmente em janeiro.

Após a declaração da epidemia na província de Ituri, o vírus se expandiu para o vizinho Uganda. Este país havia declarado estar livre de Ebola em 28 de julho, após registrar 20 casos confirmados, sendo que 15 deles foram classificados como importados da RDCongo, incluindo duas mortes.

A epidemia atual está ligada à estirpe de Bundibugyo, caracterizada por uma taxa de letalidade que varia entre 30% e 50%. A OMS informa que, para esta estirpe, não existe vacina autorizada nem tratamento específico.

O vírus do Ebola é transmitido através do contato direto com fluidos corporais de indivíduos ou animais infectados e manifesta-se com febre hemorrágica severa, vômitos, diarreia e sangramentos internos.

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Conforme o mais recente relatório divulgado pelo Ministério da Comunicação congolês, com dados coletados até quinta-feira, o número de óbitos relacionados ao Ebola subiu para 1.887. Este valor representa um aumento de 37 mortes confirmadas em comparação com o que havia sido anunciado na sexta-feira pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

O Governo congolês também informou que o número de indivíduos infectados cresceu, atingindo 4.120 pessoas, um aumento em relação aos 4.053 registrados na sexta-feira. A taxa de letalidade, calculada como a proporção de mortes em relação ao total de doentes, elevou-se para 45,8%, subindo ligeiramente dos 45,7% reportados anteriormente pelo Governo.

O Ministério da Comunicação Congolês detalhou que 721 pacientes se encontram em isolamento ou hospitalizados, enquanto 810 pessoas já se recuperaram da doença. Além disso, a taxa de rastreio de contactos foi registrada em 83,7%.

Até o momento, cinco províncias congolesas foram afetadas pela epidemia de Ebola: Ituri, que é o epicentro do surto; Kivu do Norte, Kivu do Sul e Haut-Uélé, localizadas no leste, além de Tshopo, situada no centro-norte, segundo o Governo.

O ministério congolês especificou que a epidemia permanece concentrada em 53 unidades de saúde distribuídas nessas cinco províncias, sendo Ituri responsável por 86,5% dos casos acumulados.

Na sexta-feira, a epidemia atual foi classificada como o segundo maior surto na história registrada e o maior em termos de infecções na RDCongo. Este cenário supera o surto ocorrido no leste do país entre 2018 e 2020, que resultou em 2.299 mortes e 3.481 casos, conforme noticiado pela agência espanhola Efe.

Segundo a mesma fonte, esta marca representa a décima sétima epidemia a atingir a RDCongo e possui a taxa de crescimento de infeções mais rápida já documentada, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Embora a epidemia atual tenha sido declarada em 15 de maio em Ituri (uma província fronteiriça com o Sudão do Sul e Uganda), ela ainda não se compara à pior da história, que ocorreu na África Ocidental entre 2014 e 2016, causando aproximadamente 11.000 mortes e 28.000 infecções, segundo a Efe.

A epidemia em questão está associada à estirpe Bundibugyo, cuja taxa de letalidade oscila entre 30% e 50%. A Organização Mundial da Saúde esclarece que não há vacina ou tratamento específico autorizado para esta estirpe.

O vírus Ebola é transmitido através do contato direto com fluidos corporais de seres humanos ou animais infectados e pode provocar febre hemorrágica grave, vômitos, diarreia e hemorragias internas.

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