Autor critica a cultura de privilégios e a relutância em assumir responsabilidade na África do Sul
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Autor critica a cultura de privilégios e a relutância em assumir responsabilidade na África do Sul

Na África do Sul, observa-se uma névoa invisível que dificulta o julgamento e obstrui o progresso; o autor afirma que não se trata de pobreza nem de política, mas sim de uma cultura de privilégios — uma convicção arraigada de que o mundo deve fornecer algo simplesmente pelo fato de existir.

Esta mentalidade manifesta-se por toda parte: em casas, locais de trabalho, ruas e na consciência pública, transformando espaços comuns em palcos de irritação e estagnação de ambições.

O exemplo mais evidente é a situação no trânsito. Pedestres frequentemente cruzam a rua em um ritmo lento, como se tivessem status real, esperando que o motorista seja grato pela oportunidade de diminuir a velocidade. Alguns até param no meio da faixa de pedestres para verificar uma mensagem, absolutamente certos de que estão prestando um favor ao motorista ao alcançar o outro lado.

Em seguida, aborda-se o problema dos coletores de recicláveis, que o autor respeita profundamente por salvar os bairros do lixo que deveria ter sido resolvido pelo município. No entanto, aqui também transparece a cultura de privilégios: seus carrinhos ocupam faixas inteiras de rodagem, movendo-se no tráfego matinal com a dignidade de uma procissão de coroação, como se sua missão nobre lhes desse direito exclusivo à via.

O elemento central deste caos rodoviário é o táxi minivan, que serve como um símbolo duradouro de privilégios ilimitados. Ele ignora semáforos e marcações, movendo-se com absoluta confiança. Desafiar este fenômeno ameaça com o caos, e contestá-lo representa um risco para o veículo e para a sanidade. O autor também menciona carros azuis que parecem estar focados apenas nos buracos da estrada.

No entanto, o cenário rodoviário é apenas um sintoma de um problema mais profundo. A cultura de privilégios manifesta-se na crença de que os benefícios estatais são um direito inalienável de nascimento, e não um sistema de proteção social. A assistência social deve ajudar os vulneráveis, e não criar dependência, onde a contribuição se torna opcional e a responsabilidade é objeto de negociação.

Esta mentalidade também está presente nas instituições de ensino. Os estudantes exigem notas altas com o entusiasmo típico de pedir fast food; o esforço fica em segundo plano, e a responsabilidade é vista como um conceito estranho. Como resultado, forma-se uma força de trabalho que espera oportunidades globais, mas evita a ética de trabalho global.

No local de trabalho, a cultura de privilégios manifesta-se na exigência de aumentos por parte dos funcionários que não os mereceram, bônus não correspondentes aos resultados do trabalho e garantias de emprego em meio à mediocridade crônica. A excelência deixa de ser a norma e passa a ser a exceção.

A justiça também é afetada por esta cultura: criminosos reivindicam mais direitos do que suas vítimas, e a lei às vezes leva isso a sério. As pessoas são forçadas a defender os infratores das regras enquanto os inocentes esperam na fila.

Os guias adicionam seu elemento a este quadro: eles ficam perto dos carros, oferecendo serviços desde os mínimos até os imagináveis, mas a espera pelo pagamento permanece firme, quase cerimonial, como se sua mera presença lhes desse direito a compensação.

Na África do Sul, gorjetas na forma de uma garrafa de Coca-Cola e um bolo são o kit inicial para respeitados mestres do trânsito. Isso faz parte do infame imposto de privilégios nas estradas — um suborno em espécie, se você não tiver 200 randes. Alguns funcionários veem a corrupção como um benefício, e não como um crime, considerando o suborno um complemento ao salário que, na opinião do autor, a nação deveria pagar.

Tudo isso aponta para uma verdade: a cultura de privilégios destrói o caráter da nação, sufoca a inovação e arrasta o país para um pântano psicológico onde o esforço se torna opcional e o progresso impossível.

Se a África do Sul quer se desenvolver, precisa se livrar desse hábito. É necessária uma volta à responsabilidade. É preciso ensinar cedo às crianças que o respeito é conquistado, e não exigido. Deve-se valorizar o mérito, não a mediocridade. O pensamento nacional deve mudar da cultura de favores para a cultura de oportunidades. É preciso lembrar às pessoas que a contribuição é a verdadeira moeda da dignidade.

Uma civilização sobrevive quando os cidadãos entendem um princípio simples: ninguém deve lhe dar o mundo inteiro. Você deve ao mundo o seu melhor. Ao interromper o ciclo de privilégios, podemos redescobrir uma África do Sul que trabalha, pensa, aspira e avança com propósito, em vez de apenas flutuar.

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