Estudo revela estrela mais rápida da Via Láctea orbitando o buraco negro Sagitário A*
Leia mais
Olhar Digital
olhardigital.com.br

Estudo revela estrela mais rápida da Via Láctea orbitando o buraco negro Sagitário A*

Astrônomos identificaram a estrela de maior velocidade na Via Láctea, a qual circula muito próxima ao buraco negro supermassivo chamado Sagitário A*, situado no núcleo da galáxia. Este objeto celeste, designado como S301, completa uma órbita ao redor do centro galáctico em 8,7 anos, representando o menor período orbital já registrado para uma estrela nesta área. Esta descoberta foi divulgada por uma equipe internacional de cientistas na revista científica Nature na quarta-feira (20).

No ponto de máxima aproximação, a S301 alcança uma distância de 1,7 bilhão de quilômetros do buraco negro, o que corresponde à separação entre o Sol e Saturno em nosso Sistema Solar. Durante essa fase de sua trajetória, a estrela atinge uma velocidade de 25 mil quilômetros por segundo, o que é ligeiramente superior a 8% da velocidade da luz. Essa proximidade sem precedentes permitirá aos pesquisadores mensurar a taxa de rotação do buraco negro nos próximos anos.

Buracos negros supermassivos possuem a característica de girarem em torno de seu próprio eixo, o que provoca a distorção do espaço circundante. Esse fenômeno influencia o movimento de quaisquer corpos que passem muito perto deles. Devido à viagem da S301 extremamente próxima ao centro gravitacional, sua órbita é afetada intensamente por esses efeitos.

Ao monitorar o trajeto da estrela, os cientistas conseguiram calcular a intensidade e o ritmo de rotação do Sagitário A*, um dado que até então não havia sido medido na Via Láctea. Felix Mang, doutorando do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, na Alemanha, afirmou em comunicado do Observatório Europeu do Sul (ESO): «O que torna esta estrela especial é que ela orbita Sagittarius A* numa trajetória muito apertada (...) e se aproxima do buraco negro a uma distância de apenas 12 vezes a que separa a Terra do Sol. Isso é algo inédito».

A detecção da S301 foi realizada utilizando equipamentos do Observatório Europeu do Sul, localizado no Chile. Os astrônomos empregaram o instrumento GRAVITY, que estava conectado aos telescópios do complexo. Apesar de a estrela apresentar baixo brilho, o que dificultou sua observação, o acompanhamento de sua luz possibilitou o mapeamento de uma órbita consideravelmente alongada e oval.

Os pesquisadores sugerem que a S301 não surgiu isoladamente naquela região espacial. A teoria predominante indica que ela fazia parte de um sistema binário estelar. Quando se aproximou do centro galáctico, a força gravitacional do buraco negro separou o par: uma das estrelas foi capturada para a órbita fechada da S301, enquanto a outra foi expelida em alta velocidade.

Atualmente, os telescópios em funcionamento não conseguem determinar com exatidão a velocidade da S301 em direção à Terra, uma medição essencial para detalhar todos os ângulos de sua trajetória. Contudo, espera-se que a próxima geração de telescópios gigantes, como o Extremely Large Telescope, consiga confirmar e ampliar esses dados nos próximos anos.

Popular